Quaresma, um deserto fértil

O deserto, neste sentido, é o lugar aonde o próprio Deus atrai seus filhos, em que Ele conduz o povo de Israel ao deserto, para lhe falar ao coração.

A Quaresma, tempo riquíssimo para toda Igreja, é um grande chamado para aprofundar a preparação para  a Páscoa do Senhor. Convite libertador a todos os cristãos, que favorece um fecundo retorno ao coração de  Deus, por meio do arrependimento perfeito. Assim como consta no Livro do Profeta Ezequiel: “Arrependei vos, convertei-vos de vossos delitos, e não caireis em pecado. Lançai fora os delitos que cometestes, e  formai-vos um coração novo, e um espírito novo” (Ez 18,30-31)[1].

Quando vivemos a verdadeira conversão, deparamo-nos com as nossas indiferenças para com Deus.  Sabemos que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas é submetido a uma luta contra o  pecado que insiste em roubar tal semelhança, ao tentar destruir os aspectos, as características, o genuíno  sentido da vida e, sobretudo, a santidade original que recebemos de Deus.

Lugar do eterno

É tempo de ser inserido no caminho esponsal, que percorre a Via Crucis: caminho de Cruz e Ressurreição,  caminho de e para a felicidade, caminho de conformidade ao Cordeiro Imolado, caminho de oração, jejum  e penitência. É tempo de retomar o mistério de Cristo e se configurar a Ele, trilhando seus passos. Passos  que inauguram a vida pública no deserto, vindo a se consumar na paixão, cruz, morte e ressurreição. O  deserto é o lugar do eterno combate com o próprio demônio e, no entanto, também, o lugar da intimidade  com o divino, pois o deserto é o local do encontro com Deus, onde o homem se vê à luz da Verdade,  enxergando realidades interiores e exteriores, e onde ainda precisa se converter.

Lugar da batalha espiritual

O deserto, neste sentido, é o lugar aonde o próprio Deus atrai seus filhos, como aponta Deuteronômio 8,  em que Ele conduz o povo de Israel ao deserto, para lhe falar ao coração. Para mergulhar, então, no mistério  do deserto, é preciso uma postura de súplica e docilidade, em vista da purificação, do esvaziamento, do  despojamento e do escondimento de cada homem.

Para muitos, deserto significa batalha espiritual a ser  travada, principalmente para os que estão mais distantes de Deus. Estes, encontram-se no seu vazio  existencial, ou seja, imersos na frustração da ausência de sentido da vida, como enfatizava Viktor Frankl,  o fundador da Logoterapia [2]. Para São Tomás de Aquino, esta ausência de sentido significa “quanto mais  o homem se afasta de Deus, mais se aproxima do nada” [3], reconhecendo a necessidade de estar sempre  diante de Deus. Do mesmo modo, São Paulo afirma: “a Graça de Deus é tudo”!

Lugar do silêncio interior

No deserto espiritual, o homem é impulsionado ao silêncio interior, à intimidade com Deus. Este lugar que  convida à oração, favorece a escuta da voz do Mestre, que ecoa reconduzindo-o da escravidão de seus  pecados para a liberdade do homem novo para um tempo novo. Como aconteceu com o Beato Charles de  Foucauld, ao dizer: “Tudo mudou para sempre em minha vida; assim que compreendi que Deus existe,  entendi que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele [4]. “Deus é tão grande e existe uma grande  diferença entre Deus e tudo o que não é Deus…”[4]. Foi justamente num deserto que este grande Beato  fez a singular experiência de sua vida. Experiência que o levou a decidir deixar tudo para trás. Neste caso,  o deserto também é lugar de decisão!

Outro exemplo expressivo, que nos leva à meditação, é o de Oscar Wilde, um grande escritor, que também  fez essa experiência do deserto. Após tocar em sua humanidade, arrependeu-se e recorreu ao Sacramento  da Reconciliação dizendo: “O momento supremo de um homem – não poderei jamais duvidar – é aquele no qual se ajoelha na poeira, bate no peito e confessa todos os pecados da sua existência”[5].  Não tem  preço a paz que vem dessas palavras: “Eu te absolvo dos teus pecados… Vai em paz”!

Tamanha a magnitude do deserto, que leva o homem ao encontro com Deus e consigo mesmo. Somente o  amor insondável de Deus pelo homem é capaz de introduzi-lo neste contexto, no intuito de recriá-lo. Pois,  no deserto, Deus Se revela ao homem e o revela a si mesmo: rasga o véu, mostrando a este homem quem  ele é, de fato, e do que ele é formado. Neste momento, podemos proclamar como o salmista, dizendo ao  Senhor: “Ele guiou seu povo ao deserto, porque o seu amor é para sempre” (Salmo 136,16) [6].

Descortinar da nossa debilidade

Sabendo disso, o deserto é como um puro descortinar dos pecados. Pecados que o tornam impiedoso, preso,  vazio e impedido de corresponder ao caminho de fidelidade à santidade. Quanto a isso, Santa Tereza  D’Ávila apregoa “A alma não se lembra da penalidade que há de sofrer para expiar seus pecados” [3].  Nisto, a alma, ao sentir um vazio, uma acídia, um torpor, uma desesperança maltratante, encontra-se numa  perda pelo gosto da contemplação, do desejo ardoroso pela santidade, sendo invadida por uma tristeza, uma  solidão, como fosse uma ausência de Deus, como se Ele mesmo Se retirasse, temporariamente, da vida do  homem, ao ponto do homem suplicar por sua presença. Visto que este não mais sente os consolos de Deus, e, sim, apenas as tentações do demônio, para alguns apresenta-se uma secura espiritual, a outros, uma  perturbação espiritual.

Ao adentrar o mistério do deserto, o homem é alcançado pela Graça Divina, que o introduz no caminho  para tocar na verdade mais cristalina do amor de Deus: as marcas gloriosas da Paixão. Santo Ambrósio diz  que “nenhuma coisa é mais consoladora e gloriosa do que trazer consigo os sinais de Jesus Crucificado”  [3]. Da mesma forma, enfatiza Santo Afonso Maria de Ligório, ao declarar que “O trono da graça é a cruz,  onde Jesus se assenta para distribuir graças e misericórdia a quem recorre a Ele” [3]. Nisto, o homem é  alcançado pela Paixão de Cristo, e lança suas misérias na misericórdia do Crucificado, voltando a ser filho  no Filho. Como escreve São João de Ávila, que, alcançado por esta mesma Paixão, proclamou: “Senhor,  quando Vos vejo na cruz, tudo me convida a amar: o madeiro…e a não me esquecer mais de Vós” [3].  Viver o deserto impulsiona o homem a sentir o extremo amor de Cristo: a Via Crucis.

Lugar das luzes

Estar no deserto, embora possa provocar repúdio, devido à aridez e às verdades descobertas, é o que faz  com que a luz seja lançada sobre o homem. É como se o homem utilizasse uma “lupa divina”, que lhe  permite enxergar toda a sua condição humana. Sendo alcançado pela graça, o homem passa para esta batalha  interior, que constitui o constante combate das tentações do deserto. Ao mesmo tempo, o homem é  despertado para a realidade mais límpida: Deus combate por ele! Cabe ao homem colaborar com a graça,  rezando, vigiando, jejuando, lutando; em outras palavras, Deus aguarda a ação humana.

No deserto, o homem é formado, potencializado, liberto de seus pecados, no propósito de ser ordenado  para seu fim último, o céu, a eternidade. Com bem, dizia São Felipe Néri “Eu prefiro o paraíso”. Deixa-se  recriar pela Paixão de Cristo, mediante o processo de cruz, morte e ressurreição diárias. Como bem  enfatizou São Boaventura, “nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo”  [3].

Lugar de amadurecimento

Nesta experiência, o homem é amadurecido e lapidado na via da união com Deus. Durante este percurso, o  homem toma consciência de suas desordens mais escondidas, suas fragilidades e suas inclinações mais  perversas. Como Santo Agostinho exclamava “o pecador não suporta a si mesmo; os pecados são a tristeza,  e a santidade a verdadeira alegria” [3]. Este despertar gera o arrependimento, a contrição perfeita, o desejo  da mudança interior e a alegria de retornar ao Essencial.

Este homem vive a libertação de seus grilhões:  escravidão, dor, morte, arrefecimento, aridez, pois o pecado o havia deformado, ele, a mais bela criatura de  Deus. Pelo sangue redentor, que é o selo da absolvição dos pecados, agora, o homem se torna digno de  acolher o Sumo Bem, que o torna capaz de recomeçar sempre, pois a luta no deserto é diária e por toda a  vida. Longe de nos desestimular, essa verdade nos impulsiona a viver de combate em combate, e, com  Deus, de vitória em vitória. Isso mostra o quanto o deserto é fértil, pois lá habita o Sagrado: não estamos  sós.

Fonte: Comunidade Shalom

Nove mulheres que foram exemplares para a Igreja e o mundo

Há quem diga que a mulher não tem papéis importantes na Igreja. Entretanto, desde o início do cristianismo até a atualidade, Deus suscitou mulheres que orientaram o povo de Deus, influenciando também no curso do papado. Conheça nove mulheres que foram exemplares para a Igreja.

1. A Virgem Maria

“Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), disse Jesus à sua Mãe nas Bodas de Caná, em um casamento ao qual ambos tinham sido convidados. Cristo escutou sua mãe, a primeira mulher que acolhe o Senhor e motiva o primeiro milagre conhecido da vida pública de Jesus.

Os primeiros séculos do cristianismo estão cheios de mulheres corajosas que não duvidaram em dar sua vida por Cristo, incentivando os demais cristãos a não fraquejar quando lhes chega o momento.

2. Santa Hildegarda de Bingen

Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja já não era perseguida, mas vivia-se uma cultura machista, própria da época. Isto não foi impedimento para santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), religiosa beneditina de origem alemã, que chegou a ter uma séria de visões místicas.

Escreveu obras teológicas e de moral com notável profundidade e foi declarada doutora da Igreja por Bento XVI no ano 2012, junto com são João d’Ávila. Sua popularidade fez com que muitas pessoas, entre bispos e abades, lhe pedissem conselhos.

“Quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus”, contou o papa Bento XVI em sua audiência geral sobre esta santa em 2010.

3. Santa Catarina de Sena

Posteriormente, apareceria outra mística e doutora da Igreja, santa Catarina de Sena (1347-1380), que vestiu o hábito da ordem terceira de santo Domingo. Nesta época, os papas viviam em Avignon (França) e os romanos se queixavam de ter sido abandonados por seus bispos, ameaçando com o cisma.

Gregório XI fez um voto secreto a Deus de regressar a Roma e ao consultar santa Catarina, ela lhe disse: “Cumpra com sua promessa feita a Deus”. O pontífice ficou surpreso porque não tinha contado a ninguém sobre o voto e, mais tarde, o papa cumpriu sua promessa e voltou para a Cidade Eterna.

Mais tarde, no pontificado de Urbano VI, os cardeais se distanciaram do papa por seu temperamento e declararam nula sua eleição, designando Clemente VII, que foi residir em Avignon. Santa Catarina enviou cartas aos cardeais pressionando-os a reconhecer o autêntico pontífice.

A santa também escreveu a Urbano VI, exortando-o a levar com temperança e alegria os problemas, controlando o temperamento. Santa Catarina foi a Roma, a pedido do papa, que seguiu suas instruções. A aanta também escreveu aos reis da França e Hungria para que deixassem o cisma. Toma uma mostra de defesa do papado.

4. Santa Teresa de Jesus

Com a aparição do protestantismo, a Igreja se dividiu e foi realizado o Concílio de Trento. Estes são os anos de santa Teresa de Jesus (1515-1582), religiosa contemplativa que marcou a Igreja com sua reforma carmelita.

Apesar de ter sido incompreendida, perseguida e até acusada na Inquisição, seu amor a Deus a impulsionou a fundar novos conventos e a optar por uma vida mais austera, sem vaidades, nem luxos. Submersa muitas vezes em êxtases, nunca deixou de ser realista.

Sendo santa Teresa D’Ávila relativamente inculta, dialogava com membros da realeza, pessoas ilustres, membros eclesiásticos e santos de sua época para lhes dar conselhos, receber ajuda e levar adiante o que havia se proposto. Tornou-se escritora mística e é também doutora da Igreja.

5. Santa Rosa de Lima

Do outro lado do mundo, na América, mais precisamente no Peru, santa Rosa de Lima (1586-1617) tomou santa Catarina de Sena como modelo e se omitiu àqueles que a pretendiam por sua grande beleza, para poder viver em virgindade, servindo aos pobres e doentes.

“Provavelmente, não houve na América um missionário que com suas pregações tenha conquistado mais conversões do que as que Rosa de Lima obteve com sua oração e suas mortificações”, disse o papa Inocêncio IX ao se referir à primeira santa da América.

São João Paulo II disse sobre a santa que sua vida simples e austera era “testemunho eloquente do papel decisivo que a mulher teve e segue tendo no anúncio do Evangelho”.

6. Santa Teresa de Lisieux

Do amor dos santos esposos franceses Louis Martin e Zélia Guérin, canonizados em outubro de 2015, nasceu santa Teresa de Lisieux (1873-1897), doutora da Igreja e padroeira universal das missões.

Santa Teresa viveu somente 24 anos. Um ano depois de sua morte, a partir de seus escritos, foi publicado o livro “História de uma alma”, que conquistou o mundo porque deu a conhecer o muito que esta religiosa tinha amado Jesus.

“Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”, disse são João Paulo II sobre esta santa.

O papa Francisco também comentou em diversas ocasiões a profunda devoção que o une a esta santa e compartilhou em uma de suas viagens que antes de cada viagem ou diante de uma preocupação, costuma pedir “uma rosa”.

7. Santa Edith Stein

Durante a perseguição nazista no século XX, surgiu na Europa outra grande mulher, convertida do judaísmo, religiosa carmelita descalça e mártir, santa Edith Stein, também conhecida como santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942).

Junto com outros judeus conversos, foi levada ao campo de concentração de Westerbork em vingança das autoridades pelo comunicado de protesto dos bispos católicos dos Países Baixos contra as deportações de judeus.

Santa Edith foi transferida para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás, junto com sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo, e muitos outros de seu povo.

São João Paulo II diria sobre ela: “Uma filha de Israel, que durante a perseguição dos nazistas permaneceu, como católica, unida com fé e amor ao Senhor Crucificado, Jesus Cristo, e, como judia, ao seu povo”.

8. Santa Teresa de Calcutá

O testemunho de santa Teresa de Calcutá (1910-1997) de servir a Cristo nos “mais pobres entre os pobres” ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto.

“Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”, dizia a também ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Em sua canonização em outubro de 2016, o papa Francisco disse que “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.

9. Santa Gianna Beretta Molla

Para encerrar esta lista de grandes mulheres que mudaram o mundo e a história, recordamos santa Gianna Beretta Molla (1922-1962). Esta santa italiana adoeceu de câncer e decidiu continuar com a gravidez de seu quarto filho, em vez submeter-se a um aborto, como lhe sugeriam os médicos para salvar sua vida.

Gianna estudou medicina e se especializou em pediatria. Seu trabalho com os doentes se resumia na seguinte frase: “Como o sacerdote toca Jesus, assim nós, os médicos, tocamos Jesus nos corpos de nossos pacientes”.

Casou-se com o Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Durante toda sua vida, conseguiu equilibrar seu trabalho com sua missão de mãe de família.

Gianna morreu em 28 de abril de 1962, aos 39 anos, uma semana depois de ter dado à luz. Foi canonizada em 16 de maio de 2004 pelo papa João Paulo II, que a tornou padroeira da defesa da vida.

 

Fonte: ACI Digital

Dez sugestões de oração para você viver bem a Quaresma

 

Se queremos viver uma Quaresma frutuosa e morrer para nossas próprias paixões, a chave da vitória é mergulhar na oração profunda, intensa, fervorosa e constante. Neste texto, confira dez práticas de oração que você pode adotar neste “tempo forte”.

Deus, sempre tão bom, derrama sobre nós a todo o tempo as mais abundantes graças. Sua Igreja, que é chamada seu Corpo místico, faz chover incessantemente sobre nós uma torrente de graças. Isso se manifesta de uma maneira muito especial no ciclo litúrgico da Igreja, mais especificamente nos tempos fortes — tanto o Advento, que leva ao Natal, quanto a Quaresma, culminando na Semana Santa e na solenidade de todas as solenidades, a Páscoa!

Certamente já aconteceu com todos nós de estarmos absorvidos e imersos em tantas atividades — família, sociedade e trabalho — que esses grandes tempos de graça passam por nós como um raio e descobrimos que mal entramos nas profundezas do oceano, do abismo de graças que bate à porta de nossos corações. O livro do Apocalipse nos adverte: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (3, 20). O grande Santo Agostinho comenta sobre esta passagem que Jesus é o peregrino que bate e, se não abrirmos a porta, Ele seguirá em frente e nunca mais entrará para nos visitar. Deus não permita que seja assim para nós!

Por isso, apresentamos dez orações específicas que podemos oferecer ao Senhor ao celebrar seu maior ato de amor por todos nós — sua Paixão, Morte e Ressurreição. Para ser franco e direto: se queremos viver uma Quaresma frutuosa e morrer para nossas próprias paixões, a chave da vitória é mergulhar na oração profunda, intensa, fervorosa e constante.

Que esta seja a melhor Quaresma de nossas vidas!

1. Contemple a Jesus na Cruz

Uma forma de oração altamente recomendada por Santo Inácio de Loyola em seus Exercícios Espirituais é a contemplação. Portanto, durante a Quaresma, é bom passar pelo menos algum tempo diante de uma imagem, pintura ou qualquer outra representação de Jesus pendente na Cruz por amor a você e a mim.

Tenha em mente as palavras de Santo Inácio: Jesus morreu por toda a humanidade. No entanto, Ele também morreu por você. Ainda que você fosse a única pessoa no mundo, Jesus teria sofrido as dores mais amargas e agonizantes de sua Paixão e Morte por amor a você e pela salvação de sua alma. Quão precioso você é aos olhos de Deus e quão valiosa é sua alma imortal!

2. Reze a Via-Sacra

Outra oração devocional salutar e eficaz, especialmente propícia no tempo da Quaresma, é rezar a Via Crucis. Em sua paróquia, provavelmente há uma no interior da própria igreja. Basta mover-se devagar, em oração e com o olhar contemplativo, de cada uma das 14 estações para a próxima.

Essa prática pode ser feita de várias maneiras: em um ambiente de grupo conduzido por alguém; individualmente, usando um bom livro (uma das melhores Vias-Sacras foi escrita por Santo Afonso de Ligório); ou simplesmente olhando e contemplando com amor e devoção cada estação e formulando sua própria oração espontânea.

Não é uma má ideia trazer seus pequeninos para participar dessa devoção e ensiná-los a amar Jesus, que nos amou tanto, sofreu e suportou todos esses sofrimentos por amor a nós.

3. Medite sobre as Sete Dores de Maria

Em todos os tempos e lugares, a meditação e contemplação das Sete Dores de Maria podem mover nossos corações a amar Jesus com maior fervor e devoção. Se você não está familiarizado com esta prática, as sete dores de Maria são: 1) a profecia de Simeão; 2) a fuga para o Egito; 3) a perda de Jesus por três dias no Templo; 4) o encontro de Jesus e Maria no caminho do Calvário; 5) a crucificação e morte de Jesus; 6) o corpo de Jesus retirado da Cruz e colocado nos braços de Maria (Pietà); 7) o sepultamento de Jesus.

4. Medite sobre as Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz

Outra meditação poderosa seria sobre as sete últimas palavras de Jesus na Cruz. O Venerável Arcebispo Fulton Sheen escreveu e pregou inúmeras vezes sobre essas palavras, especialmente na Semana Santa. Suas sete últimas palavras são as seguintes: 1) “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34); 2) “Tenho sede” (Jo 19, 28); 3) “Mulher, eis aí teu filho… Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 26s); 4) “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43); 5) “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46); 6) “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23, 46); e 7) “Tudo está consumado” (Jo 19, 30).

5. Leia e medite os relatos da Paixão nos quatro Evangelhos

Mergulhe nas fontes mais autênticas da Paixão e Morte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, isto é, a Bíblia, os quatro Evangelhos. Eles podem ser encontrados em Mateus 26-27, Marcos 14-15, Lucas 22-23 e João 18-19.

Você pode ler todos os relatos e rezar sobre eles, observando os diferentes detalhes e pequenas nuances em cada Evangelho.

6. Reze o Salmo 22

É realmente fascinante a leitura e meditação do Salmo 22, do Antigo Testamento. Sem sombra de dúvida, este salmo profético destaca muitos dos detalhes da Paixão de Jesus e seus sofrimentos, centenas de anos antes de Jesus nascer. Outra razão para crer na realidade de Jesus ser verdadeiramente o Filho do Pai eterno. Leia este salmo com atenção e você sentirá como se estivesse sendo transportado até os pés da Cruz com Maria, João e Madalena na Sexta-feira Santa.

7. Participe do santo sacrifício da Missa

De longe, a oração mais poderosa, eficaz e agradável que podemos oferecer a Deus é o santo sacrifício da Missa. De fato, o que é a Missa, senão o sacrifício do Calvário, no qual Jesus se oferece ao Pai, pelo poder do Espírito Santo, para a salvação de toda a humanidade? Se possível, assista diariamente à Missa na Quaresma e receba a Eucaristia dignamente e com muito amor e devoção.

8. Assista a bons filmes

Outra forte exortação, no domínio da oração contemplativa, seria ver a um destes filmes, se não todos: “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson; “Marcelino Pão e Vinho” (1955); e “Os Mistérios do Rosário”, de Patrick Peyton (III e III). No entanto, coloque suas lentes contemplativas e se esforce para vê-los não tanto como produções de Hollywood, mas como uma oração contemplativa. As imagens, especialmente de “A Paixão de Cristo”, ficarão gravadas em sua memória e poderão ser evocadas na oração quando você for à sua Hora Santa. 

O que nos leva à próxima sugestão de viver a mais fecunda Quaresma de nossas vidas…

9. Faça a Hora Santa

Seja generoso com o Senhor Jesus, que deu cada gota de seu Preciosíssimo Sangue por você. Esforce-se, se possível, por fazer uma Hora Santa diária. Fulton Sheen a chamava de “hora do poder”. Idealmente, é melhor fazê-la diante do Santíssimo Sacramento, onde Jesus está real e substancialmente presente em seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Se isso não for viável, então você pode encontrar um lugar tranquilo em sua casa — seu recanto de oração ou santuário doméstico. Essa prática vai transformar sua vida!

10. Recite os Mistérios Dolorosos do Santo Rosário

O Papa São João Paulo II, em sua obra-prima mariana Rosarium Virginis Mariae, sugere que contemplemos o rosto de Jesus através dos olhos de Maria. Que melhor método pode haver para contemplar Jesus, o homem das dores pendente na Cruz, do que através dos olhos de Maria?

Para refrescar a memória, os Mistérios Dolorosos do Rosário são: 1) a agonia no horto das oliveiras; 2) a flagelação na coluna; 3) a coroação de espinhos; 4) o carregamento da cruz; 5) a crucificação e morte de Jesus.

Enfim, é nossa oração e desejo mais ardente que todos os nossos leitores tenham o seu mais fecundo tempo quaresmal, esforçando-se por implementar essas práticas de oração quaresmal, culminando na mais imensa alegria da Páscoa e do Senhor Jesus ressuscitado. Que todos nós morramos para o pecado e ressuscitemos com Jesus e Maria!

 

Fonte: Padre Paulo Ricardo

Saiba como fazer um bom exame de consciência

Devemos ir à confissão com toda a confiança no perdão de Deus. Ele deseja a nossa felicidade plena!

Precisamente por sermos pecadores, ficamos cegos diante de nossos pecados. Satanás quer nos fazer ver que não há mal no que fazemos, por isso é necessário sempre estarmos dispostos a fazermos um bom exame de consciência. Então o coração se endurece e torna-se insensível às exigências do amor.

“Se escutardes hoje a minha voz, não endureceis o vosso coração”. (Hb 3)

Deus é um Pai amoroso que nos faz ver o nosso pecado para dar a graça do arrependimento sincero e assim nos perdoar. Ele nos quer livres. O demônio, em contrapartida, não quer que vejamos o nosso pecado.

Se procurarmos o caminho de Deus, Ele tratará com misericórdia dos nossos pecados para que não desanimemos e nem voltemos atrás. Assim, podemos discernir então a diferença. Deus mostra o pecado para libertar e perdoar; o demônio o esconde, mas quando o mostra é para gerar desespero e agonia.

Devemos rejeitar energicamente estes pensamentos e ir à confissão com toda a confiança no perdão de Deus. Ele SEMPRE perdoa quando há arrependimento. Por isso é tão proveitoso um exame de consciência diário.

“Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos condenados”. (1 Cor. 11, 31)

O exame se faz diante de Deus, escutando Sua voz que fala à nossa consciência.

Preparar para se confessar é fazer o exame de consciência

Vá a um lugar tranquilo, preferivelmente diante do sacrário, para orar. Só Deus pode iluminar a sua realidade e lhe dar os meios para corresponder à graça.

Diante dEle, reflita:

  • Como correspondi a tanto amor, a tantas graças?

Faça um exame escrito, se puder. Recordamos aqui que Deus nos deu mandamentos. Quebrá-los é quebrar a nossa aliança com Ele e cair em pecado. Não se trata somente de enumerar pecados, mas de se arrepender com dor por nossos pecados, fazendo o firme propósito de não voltar a cometê-los. 

Depois disso, dirija-se à confissão, que só pode ser feita diante de um sacerdote.

As 4 rupturas

Examine-se — ajudado por estas perguntas — quais pecados você cometeu desde sua última confissão.

Ruptura com Deus:

  1. Amo na verdade a Deus com todo meu coração ou vivo mais apegado às coisas materiais?
  2. Preocupei-me por renovar minha fé cristã através da oração, a participação ativa e atenta da missa dominical, à leitura da Palavra de Deus? Guardo os domingos e dias de festa da Igreja? Cumpri com o preceito anual da confissão e com a comunhão pascal?
  3. Tenho uma relação de confiança e amizade com Deus, ou cumpro somente ritos externos?
  4. Professei sempre, com vigor e sem temores minha fé em Deus? manifestei minha condição de cristão na vida pública e privada?
  5. Ofereço ao Senhor meus trabalhos e alegrias? Recorro a Ele constantemente, ou só o busco quando o necessito?
  6. Tenho reverência e amor para o nome de Deus ou lhe ofendo com blasfêmias, falsos juramentos ou usando o Seu nome em vão?

Ruptura comigo mesmo:

  1. Sou soberbo e vaidoso? Considero-me superior a outros?
  2. Procuro aparentar algo que não sou para ser valorizado por outros? Aceito a mim mesmo, ou vivo na mentira e no engano? Sou escravo de meus complexos?
  3. Que uso tenho feito do tempo e dos talentos que Deus me deu? Me esforço por superar os vícios e as inclinações más, como a preguiça, a avareza, a gula, a bebida, a droga?
  4. Caí na luxúria com palavras ou pensamentos impuros, com desejos ou ações impuras?
    Realizei leituras ou assisti a espetáculos que reduzem a sexualidade a um mero objeto de prazer?
  5. Caí na masturbação ou a fornicação? Cometi adultério?
  6. Recorri a métodos artificiais para o controle da natalidade?

Ruptura com os irmãos e com a criação:

  1. Amo de coração o meu próximo como a mim mesmo e como o Senhor Jesus me pede que o ame?
  2. Em minha família, colaboro em criar um clima de reconciliação com paciência e espírito de serviço?
  3. Foram os filhos obedientes a seus pais, prestando-lhes respeito e ajuda em todo momento?
  4. Preocupam-se os pais em educar na vida cristã seus filhos?
  5. Abusei de meus irmãos mais fracos, usando-os para meus fins?
  6. Insultei meu próximo? Escandalizei-o gravemente com palavras ou com ações?
  7. Se me ofenderam, sei perdoar, ou guardo rancor e desejo de vingança?
  8. Compartilho meus bens e meu tempo com os mais pobres, ou sou egoísta e indiferente à dor dos outros? Participo das obras de evangelização e promoção humana da Igreja?
  9. Me Preocupo com o bem e a prosperidade da comunidade humana em que vivo ou passo a vida preocupado tão somente comigo mesmo? Cumpri com meus deveres cívicos? Paguei meus tributos?
  10. Sou invejoso? Sou fofoqueiro e enganador? Difamei ou caluniei alguém? Violei segredos? Fiz julgamentos temerários sobre outros?
  11. Sou mentiroso?
  12. Causei algum dano físico ou moral a outros? Inimizei-me com ódios, ofensas ou brigas com ao meu próximo? Fui violento?
  13. Procurei ou induzi o aborto?
  14. Fui honesto em meu trabalho? Usei corretamente a criação ou abusei dela para fins egoístas? Roubei? Fui justo na relação com meus subordinados tratando-os como eu gostaria de ser tratado por eles? Participei do negócio ou consumo de droga? Caí na fraude ou no estelionato?
  15. Recebi dinheiro ilícito?

Os 10 Mandamentos. Eu tenho ferido algum deles?

1º Mandamento: Amará a Deus sobre todas as coisas;

2º Mandamento: Não tomará o nome de Deus em vão;

3º Mandamento: Santificarás o dia do Senhor;

4º Mandamento: Honrará a teu pai e tua mãe;

5º Mandamento: Não matarás ;

6º Mandamento: Não cometerás atos impuros;

7º Mandamento: Não roubarás ;

8º Mandamento: Não levantarás falso testemunho;

9º mandamento: Não consentirás com pensamentos nem desejos impuros;

10º Mandamento: Não cobiçarás os bens alheios.

Exame de consciência com base nos pecados capitais e nas virtudes contrárias

1 – Soberba / Humildade

  • Fui humilde ao pensar, comparei-me com outros, tratei de chamar a atenção com minha sabedoria, meu físico, etc.?
  • Reconheço-me pequeno? Desprezo os outros em meu coração?
  • Me ressenti pelo trato ou posto recebido? Qual é a motivação das minhas aspirações?
  • Distingo entre o que é doutrina e o que é minha opinião? Sou prudente ao dar minha opinião? Acredito que é a única? Acredito que sem minha presença as coisas não vão bem?
  • Sei distinguir o que é minha missão ou me intrometo no que não me corresponde?
  • Reconheço que não tenho razão de me glorificar, mas sim em Cristo? De que forma minhas ações estão misturadas com orgulho, vaidade e egoísmo?
  • Reconheço os meus enganos e peço perdão?
  • Posso ajudar sem mandar?

2 – Avareza / Generosidade

  • Estou apegado às coisas?
  • Sacrifico tempo, dinheiro, para servir segundo o plano de Deus?
  • Jogo com o dinheiro com a ambição de ganhar mais?

3 – Luxúria / Castidade

  • Tenho consumido conteúdo pornográfico pela internet ou por outros meios?
  • Tenho buscado prazer pessoal com a masturbação?
  • Tenho tido pensamentos impuros em relação às outras pessoas?
  • Uso roupas provocativas/sensuais?
  • Faço o uso de substâncias que tiram o meu autodomínio e o meu pudor?

4 – Ira / Paciência

  • Sei lidar com as cruzes, doenças, com problemas nas relações, no trabalho, etc?
  • Perco a paz ou manifesto mau humor quando as coisas não estão como eu espero?
  • Jogo a culpa nas minhas circunstâncias e nunca assumo os meus próprios erros?

5 – Gula / Moderação

  • Como mais do que o necessário? Faço jejum?
  • Estou viciado em álcool ou drogas?

6 – Inveja / Caridade

  • Sinto ciúmes por talentos ou conquistas dos outros, ou me alegro quando eles melhoram?
  • Busco ajudar os outros em suas necessidades ou me fecho em meu egoísmo?

7 – Preguiça / Diligência

    • Sou atento a cumprir meus deveres?
    • O que faço para edificar a minha família/comunidade?
    • Sou rápido em servir mesmo que não tenho vontade?
    • “Descanso” mais do que necessário?
    • Deixo sempre as coisas para mais tarde?

Fonte: Comunidade Shalom

CNBB ABRE A CF 2023 COM APELO DE COMUNHÃO E SOLIDARIEDADE NO ENFRENTAMENTO À FOME

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente, nesta quarta-feira de Cinzas (22), a Campanha da Fraternidade 2023 sobre a Fome no Brasil. Na cerimônia de lançamento, realizada no auditório dom Helder Câmara e conduzida pelo assessor do Setor de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, foi apresentada a mensagem que o Papa Francisco, mantendo a tradição dos papas, enviou ao Brasil por ocasião da Campanha da Fraternidade 2023. Seu desejo expresso no texto é que a reflexão sobre o tema da fome, proposto pela CNBB aos católicos brasileiros no Tempo da Quaresma, seja “uma atitude constante de todos nós, que nos compromete com Cristo presente em todo aquele que passa fome”.

Papa: a Quaresma lembra quem é o Criador e quem é a criatura

Na homilia desta Quarta-feira de Cinzas, Francisco convidou os fiéis a percorrerem as sendas da oração, do jejum e da esmola não como ritos exteriores, mas como comportamentos que renovam o coração.

Papa Francisco na Basílica de Santa Sabina na Celebração Eucarística com o rito da imposição das cinzas


Bianca Fraccalvieri – Vatican News

“Queridos irmãos e irmãs, inclinemos a cabeça, recebamos as cinzas, tornemos leve o coração”: palavras do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Basílica de Santa Sabina, nesta Quarta-feira de Cinzas.

Como é tradição, a cerimônia teve início com a procissão penitencial que partiu da Igreja de Santo Anselmo, com a participação de cardeais, bispos, monges beneditinos, padres dominicanos e fiéis.

Ao final da procissão, teve lugar a Celebração Eucarística com o rito da bênção e imposição das cinzas.

Regressar à verdade de nós mesmos

Em sua homilia, o Pontífice recordou que a Quaresma é o tempo favorável para regressar ao essencial e neste caminho de regresso, fez um convite aos fiéis: regressar à verdade de nós mesmos e regressar a Deus e aos irmãos.

Antes de mais nada, as cinzas nos recordam quem somos e de onde viemos: só o Senhor é Deus e nós somos obra das suas mãos. Mas muitas vezes nos esquecemos que viemos da terra e precisamos do Céu e que sem Ele, somos só pó:

“Por isso a Quaresma é o tempo para nos lembrarmos quem é o Criador e quem é a criatura, para proclamar que só Deus é o Senhor, para nos despojarmos da pretensão de nos bastarmos a nós mesmos e da mania de nos colocar no centro, ser o primeiro da turma, pensar que podemos, meramente com as nossas capacidades, ser protagonistas da vida e transformar o mundo que nos rodeia.”

Quantas desatenções e superficialidades nos distraem daquilo que conta, acrescentou Francisco, lembrando que a Quaresma é “um tempo de verdade”, para fazer cair as máscaras que pomos todos os dias a fim de aparecer perfeitos aos olhos do mundo; para lutar – como nos disse Jesus no Evangelho – contra as falsidades e a hipocrisia: não as dos outros, mas as nossas.

Regressar a Deus e aos irmãos

Voltando à verdade de nós mesmos, podemos dar o segundo passo, que é regressar a Deus e aos irmãos.

“Existimos apenas graças às relações: a relação primordial com o Senhor e as relações da vida com os outros. Assim, a cinza que recebemos sobre a cabeça, nesta tarde, diz-nos que toda a presunção de autossuficiência é falsa e que idolatrar o eu é opção destrutiva, fecha-nos na jaula da solidão.”

Para Francisco, a Quaresma é o tempo propício para reavivar as nossas relações com Deus e com os outros e isso pode ser feito através da esmola, da oração e do jejum. Todavia, Jesus adverte que não se trata de ritos exteriores, mas de comportamentos que devem expressar uma renovação do coração.

“A esmola não é um gesto, cumprido rapidamente, para deixar a consciência limpa, mas tocar, com as próprias mãos e as próprias lágrimas, os sofrimentos dos pobres; a oração não é mero ritual, mas diálogo de verdade e amor com o Pai; o jejum não é um simples sacrifício, mas uma atitude forte para lembrar ao nosso coração aquilo que conta e, ao contrário, o que passa.”

Aos gestos exteriores, disse ainda o Papa, deve corresponder sempre a sinceridade da alma e a coerência das obras. Na vida pessoal, como aliás na vida da Igreja, não contam a exterioridade, os juízos humanos e a aprovação do mundo; conta apenas o olhar de Deus. Assim, a esmola, a oração e o jejum nos permitem expressar quem realmente somos: filhos de Deus e irmãos entre nós.

Jesus, o único que nos faz ressurgir das cinzas

“Queridos irmãos e irmãs, inclinemos a cabeça, recebamos as cinzas, tornemos leve o coração”, concluiu o Pontífice.

“Não desperdicemos a graça deste tempo sagrado: fixemos o olhar em Jesus crucificado e caminhemos respondendo generosamente aos fortes apelos da Quaresma. No final do percurso, encontraremos com maior alegria o Senhor da vida, o único que nos fará ressurgir das nossas cinzas.”

Catedral da Luz inicia Quaresma com missas na Quarta-feira de Cinzas

Data marca o início da quaresma para a Igreja católica, tempo de preparação para a Páscoa do Senhor.


A Igreja Católica inicia nesta quarta-feira (22) o tempo litúrgico da Quaresma, com a imposição das cinzas sobre os fiéis nas missas da Quarta-feira de Cinzas. A data marca o início da preparação para a Páscoa do Senhor, que será no dia 9 de abril, neste período é recomendado a reflexão, conversão, prática de penitência e jejum.

A missa da Quarta de Cinzas é preceito para os fiéis. Na Paróquia Nossa Senhora da Luz serão celebradas duas missas com o rito de imposição das Cinzas, uma às 8h30 e outra às 19h.

Imposição das Cinzas

O rito da missa de imposição das Cinzas relembra os cristãos sobre a origem e fim da vida humana. Durante a Celebração Eucarística, após a homilia, é realizada a imposição das cinzas na fronte, em formato de cruz, com o pronunciamento das palavras bíblicas: “Lembra-te és pó, e ao pó tu voltarás” (cf. Gn 3,19), ou “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1,15). As cinzas usadas são feitas a partir dos ramos, do Domingo de Ramos do ano anterior.

Campanha da Fraternidade

Na Quarta de Cinzas também se inicia a Campanha da Fraternidade, que em 2023 tem como tema “Fraternidade e Fome” e lema “Dai-lhes vós mesmos de comer!”

A Campanha desperta o espírito comunitário e cristão na busca do bem comum, educa para a vida em fraternidade e renova a consciência da responsabilidade de todos pela ação evangelizadora, em busca de uma sociedade justa e solidária.

8 anos da ordenação sacerdotal de Padre Kleber Rodrigues

“Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do Rei Melquisedeque” (Sl 109, 4).


Neste sábado, dia 11 de fevereiro, a Paróquia Nossa Senhora da Luz, reunida com toda a comunidade diocesana, rejubila de alegria pelo aniversário de 8 anos de ordenação sacerdotal do Padre Kleber Rodrigues. Sua vocação é sinal visível do amor infinito e misericordioso de Deus.

Compreende-se que o sacerdócio é vocação, é ouvir o chamado de Deus, é renúncia, é doação, pois é preciso abrir mão de muitas coisas essenciais na vida, como a família, o conforto, os amigos… É um verdadeiro despojar-se de si mesmo para que no fim, se obtenha o tudo ofertado por Deus. É ser firme, ser grato, estar disposto, é ser forte e corajoso.

Como Pároco e Cura da Catedral da Luz, Padre Kleber tem contribuído com muitas bençãos e trabalho, ofertado à comunidade com zelo, carinho e cheio de muita sabedoria em suas homilias, sem qualquer tipo de distinção entre uns e outros. Além das realizações e projetos em benefício dos fiéis, na intenção de propósitos Divinos.

Os paroquianos louvam a Deus pela sua vocação, e suplicam ao Pai que o conduza sempre, para continuar sendo o Pastor e guia, o amigo de sempre. Que Maria, Mãe da Igreja, plena no Espírito Santo, lhe impulsione, cada vez mais, a assumir com alegria a sua vida sacerdotal.

Os sacerdotes são anjos colocados na Terra por Deus para fortalecer, cada vez mais, a crença.

Imagem de Nossa Senhora fica intacta após incêndio de igreja no Chile

Em meio aos incêndios florestais que afetam gravemente as áreas do centro e sul do Chile, o arcebispo de Concepción, dom Fernando Chomali, publicou um tuíte com uma fotografia que mostra uma imagem de Nossa Senhora que ficou intacta após o incêndio de uma capela.

“O que restou de uma das capelas queimadas em Santa Juana. Com a ajuda da Virgem Maria vamos levantá-las. Viva o Chile!”, escreveu o arcebispo junto com a fotografia tirada no terreno da capela de Santo Inácio de Loyola, devastada pelo fogo.

Além desta capela, mais dois templos foram destruídos pelo fogo na região, as capelas São Francisco de Assis e Sagrado Coração de Jesus, disse o arcebispo à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI.

A situação na região é crítica devido a mais de 50 fontes de fogo que destroem tudo em seu caminho. Já são 24 mortos pelo incêndio, 11 deles na região de Santa Juana, além de centenas de feridos.

O Governo Nacional informou que dez pessoas foram presas por suposto envolvimento nos incêndios.

Bombeiros, policiais chilenos, voluntários de organizações civis, paróquias e indivíduos se mobilizam para combater o incêndio e prestar assistência às vítimas.

Neste contexto, dom Chomali publicou uma reflexão intitulada “Solidariedade que move”, na qual lista as dezenas de mortos, centenas de feridos e perdas materiais, “o trabalho de uma vida transformado em cinzas, muitos sonhos destruídos e centenas de milhares de empregos a menos” causados ​​pelos incêndios.

O arcebispo pediu que os responsáveis ​​”sejam identificados e julgados em conformidade”. Também alertou para a necessidade de “nos prepararmos mais e melhor” para enfrentar o verão e prevenir este dano causado por “pessoas inescrupulosas”.

Dom Chomali elogiou as centenas de voluntários que “do nascer ao pôr do sol se colocam a serviço das autoridades para ajudar no que for necessário”.

“Além disso, a sociedade se organiza para que as pessoas que queiram colaborar possam dar a sua contribuição”, disse.

O arcebispo falou do trabalho dos jovens “que vão a campo com pás e picaretas para fazer corta-fogos”, e dos bombeiros que “com pouquíssimos meios demonstram o seu compromisso e profissionalismo minuto a minuto, e sem dar trégua”.

Por fim, elogiou o trabalho das paróquias para atender às necessidades mais urgentes, assim como dos clubes desportivos e outras instituições, e até das famílias.

“O Chile é um país solidário e dá para perceber isso cada vez que a desgraça se aproxima”, disse.

“Ainda há humanidade e, portanto, esperança!”, concluiu.

Fonte: ACI

SOB A ÉGIDE DA VIRGEM DA LUZ: o trabalho valoroso dos filhos da Soberana

A importância da união em nome de uma festa secular e grandiosa.


A preparação à Festa da Luz demanda tempo e dedicação de inúmeras organizações, dentre os quais se destacam seus voluntários, efetivamente dispostos, fiéis funcionários, seminaristas e padres, que, divididos em frentes amplas de trabalho, formam o seleto grupo de pessoas que visam enaltecer a festa da sua padroeira, Nossa Senhora da Luz.

Firmes, constroem a imagem belíssima do evento, caracterizada pela competência, responsabilidade e zelo; cabe ressaltar que, em todos os anos, tal evento inovou em algumas áreas, se destacando a comunicação, materializada através da Pastoral da Comunicação (PASCOM). Através de programas, transmissões ao vivo ou gravadas, vídeos e fotos, foram alcançados consideráveis números de fiéis de diversas cidades, dioceses e Estados.

Contudo, cabe salientar que a incomparável decoração que compõem todo o complexo da Catedral foi pensada, organizada, trabalhada e finalizada pela equipe da Sacristia, que com muito carinho, respeito e devoção, brindou os olhares dos fiéis com arranjos ornados com rosas, jasmins, crisântemos e gipsófilas. Em conjunto, a equipe da acolhida, oferecendo sempre um sorriso estampado no rosto, fecunda nos corações dos romeiros e visitantes um conforto fraterno, fundado no afeto e no caloroso abraço de boas-vindas.

Tendo que, por diversas vezes, chegar cedinho, a equipe das cadeiras se mostrou primordial, sendo seu objetivo oferecer a melhor experiência possível aos visitantes através do conforto e segurança. A Quermesse Luz, após cada celebração, regou com comidas, doces e bebidas as atrações que se apresentaram e encantaram os corações, tendo como repertório o forró, o xote e o MPB, e ao final, bingos e leilões propuseram aos presentes a harmonia, a alegria e a descontração.

Assim preceitua o Papa Francisco: “Somos portadores de uma grande riqueza, que depende daquilo que somos: da vida recebida, do bem que há em nós, da beleza intangível com que Deus nos dotou, porque fomos feitos à Sua imagem, cada um de nós é precioso a seus olhos, único e insubstituível na história.”; a cada voluntário, fiel e sociedade em geral, fica os agradecimentos e o grandioso obrigado. De fato, os corações arderam e os pés continuam a caminho da harmonia e fé.

Por Gabriel Araújo, Pascom Luz

Festa de Nossa Senhora da Luz atrai milhares de fiéis ao longo da programação

Atividades tiveram início em 23 de janeiro e seguem até dia 02 de fevereiro, feriado municipal e dia da Padroeira de Guarabira e da Diocese.


O Dia de Nossa Senhora da Luz, Padroeira de Guarabira e da Diocese, é celebrado nesta quinta-feira (02). Mas a data já tem movimentado a Catedral da Luz que tem recebido milhares de fiéis desde o início da programação, que começou no dia 23 de janeiro com uma carreata saindo da Igreja Santo Antônio, no Bairro Novo, até a Igreja Matriz da Virgem da Luz, onde foi celebrada a Santa Missa Solene.

Com fé e devoção, os devotos têm lotado diariamente o interior da igreja e também o Largo Dom Marcelo, se transformando numa grande igreja a céu aberto, durante as novenas das 16h e 19h. A programação também conta com Santa Missa diária, às 6h, e Ofício de Nossa Senhora ao meio-dia. Ainda acontece a Recitação do Santo Terço, às 18h. Após a novena da noite há quermesse e música ao vivo.

“É uma oportunidade de crescimento na fé. É um grande tempo para que nós possamos aprender da Virgem Maria como trilharmos os caminhos do seu filho Jesus”, disse Padre Kleber Rodrigues, Pároco e Cura da Catedral da Luz.

Como parte das festividades da Padroeira, a Paróquia Nossa Senhora da Luz realizou, na última sexta-feira (27), o tradicional ‘Jantar com Nossa Senhora’, que esse ano aconteceu na Vila Gourmett, na saída de Guarabira para Cuitegi. O momento de confraternização reuniu famílias, grupos e lideranças da comunidade que puderam externar seu amor à Mãe de Jesus, demonstrando piedosamente sua confiança na proteção maternal divina por meio de cânticos e orações.

O encerramento da Festa de Nossa Senhora da Luz, neste dia 02 de fevereiro, contará com a tradicional procissão pelas ruas da cidade, às 16h, seguida da Santa Missa Solene presidida pelo Bispo Diocesano de Guarabira, Dom Aldemiro Sena. Mas antecedendo o grande dia da excelsa padroeira diocesana, acontece nesta quarta-feira (1º), mais uma edição da ‘Procissão das Crianças’. A concentração será às 14h30, no Seminário São José, percorrendo as ruas do Centro de Guarabira em direção a Catedral.

02 de fevereiro: procissão e missa encerram festividades de Nossa Senhora da Luz

A Catedral da Luz divulgou a programação do dia 02 de fevereiro, dia da Padroeira de Guarabira e da Diocese. O encerramento dos festejos de Nossa Senhora da Luz contará com a tradicional procissão pelas ruas da cidade, às 16h, seguida da Santa Missa Solene.

Mas a programação do último dia de festa começa às 6h, na alvorada com a banda marcial apresentando alguns hinos pelas ruas do Centro. Ainda pela manhã, às 8h30, será celebrada a primeira Missa Solene, com a presença do Clero da Diocese de Guarabira. “Neste ano será presidida pelo bispo presidente do regional, o bispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, ele que foi o grande organizador do Congresso Eucarístico Nacional acontecido no último mês de novembro e que nos dará a honra de celebrar a eucaristia pela primeira vez aqui na Catedral de Guarabira”, destacou Padre Kleber Rodrigues (Pároco e Cura da Catedral da Luz).

Como já é tradicional, às 12h acontece a queima de fogos, realizada pelos paroquianos e devotos da Virgem da Luz, nos bairros e comunidades.

À tarde, logo após a procissão, o Bispo Diocesano de Guarabira, Dom Aldemiro Sena, celebra a Solenidade de Nossa Senhora da Luz, no Largo Dom Marcelo (em frente à Catedral). “É uma oportunidade de crescimento na fé. É um grande tempo para que nós possamos aprender da Virgem Maria como trilharmos os caminhos do seu filho Jesus”, disse Padre Kleber.

PERCURSO DA PROCISSÃO:

  • Travessa José Fonseca
  • Praça Lima e Moura
  • Rua Epitácio Pessoa
  • Praça Antônio Guedes
  • Rua Dr. Sales
  • Rua Clemente Pereira
  • Rua Carlos Gomes
  • Rua Almeida Barreto
  • Rua Presidente João Pessoa
  • Rua Sólon de Lucena
  • Rua Costa Beiriz
  • Rua Quinze de Novembro
  • Av. Dom Pedro II
  • Rua Getúlio Vargas
  • Praça Nossa Senhora da Luz