MÊS MARIANO: flores, cânticos, louvores e fé à “Regina Coeli”

“É a mãe que cuida dos seus filhos, assim eles crescem mais e mais, crescem fortes, capazes de assumir responsabilidades, de assumir compromissos na vida, de tender para grandes ideais.” Papa Francisco


Os cristãos veneram a Virgem Maria e, por ela, clamam, rezam, oferecem, na esperança de ocorrer o mesmo que na cidade de Fátima, em Portugal, aconteceu: um milagre. Inúmeros são os hinos que foram compostos em sua honra, assim como a quantidade de capelas, paróquias, catedrais, basílicas e santuários dedicados com um dos títulos que a ela são atribuídos.

Com isto, Nossa Senhora é lembrada o ano todo, mas, contudo, recebe um carinho ainda maior no mês de maio, ocasião em que é celebrada uma das maiores cerimonias da humanidade: a Peregrinação das Velas em honra a Nossa Senhora de Fátima, reunindo, todos os anos, milhares de fiéis; o dia das mães, que tornou-se um momento de agradecer pelo dom da vida daquelas que permanecem conosco e de recordar a memória daquelas que, ao lado da Virgem, protegem-nos.

Peregrinação das velas no Santuário de Fátima – Foto: Rui Miguel Pedrosa / Observador

 

O mês de maio prova que a fé do povo católico pela Mãe de Deus é real, concretizada através da oração da “Ave Maria” e da “Salve Rainha”, repetida diversas vezes por meio do terço, do santo rosário, e que esse mesmo povo católico, com os pés descalços que adentram seus templos, consubstanciado com a devoção, com as mãos juntas, reza pelos seus, para que a Virgem rogue e interceda a Deus na hora da morte.

Assim ensina o Papa Francisco: “Maria é a boa mãe, uma boa mãe não apenas acompanha os filhos em seu crescimento, sem evitar os problemas, os desafios da vida, uma boa mãe também ajuda a tomar decisões finais com liberdade.” E completa: ”A existência toda de Maria é um hino para vida, um hino de amor para vida: ela gerou Jesus na carne e acompanhou o nascimento da Igreja no Calvário e no Cenáculo.”

Por Gabriel Araújo, Pascom Luz

MÊS DE MAIO NA CATEDRAL DA LUZ: VEJA NOSSA PROGRAMAÇÃO

A paróquia Nossa Senhora da Luz realiza mais um mês de maio dedicado inteiramente à Nossa Senhora, como habitualmente ocorreu nos anos anteriores, durante todos os 31 dias, acontecerão as Celebrações Marianas, com a recitação do Santo Terço e a oferta das flores, confira a nossa programação especial:

  • De Segunda a Sexta os horários das missas serão às 18:00 horas;
  • As celebrações Marianas acontecerão às 19:00 horas;
  • Aos finais de semana o horário da missa permanecerá às 19:00 horas, com a recitação do terço às 18:00 horas.

Participe conosco das celebrações em honra à Mãe de Deus, nos acompanhe também pelo nosso canal no Youtube Catedral da Luz. Mês de Maio é na Catedral da Luz.

TEMPO PASCAL: da “Vigília das Vigílias” à Solenidade de Pentecostes

Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande Domingo” (Normas Universais do Ano Litúrgico, nº 22).


O Tempo Pascal festeja a passagem da morte à vida, – “Páscoa”, significa exatamente “passagem”, conforme o sentido literal do termo na tradição judaica – de Jesus, ovelha oferecida ao expurgo dos pecados da humanidade, concretizando seu amor pelos homens, sacrificando-se pelos mesmos. Tendo a duração de exatamente cinquenta dias, ou sete semanas, a igreja pede que tal tempo seja festejado pelos cristãos, com forte júbilo e alegria.

A primeira semana deste tempo litúrgico é conhecida como “Oitava da Páscoa”, encerrando-se no Domingo da Oitava da Páscoa, ou, Domingo “in Álbis”, como explica o site “Aleteia”:

“O “Domingo da Oitava da Páscoa” também costumava ser chamado de Domingo “in Álbis” (ou seja, domingo “vestido de branco”), já que, nesse dia, os neófitos (novos batizados) depunham a túnica branca do batismo. Popularmente, também já foi chamado de “Pascoela”, ou “pequena Páscoa”, e, ainda, de “Domingo do Quasimodo”, devido às duas primeiras palavras em latim (“quasi modo”) cantadas no introito.”

Vale-se salientar que, no ano de 2000, após a canonização de Santa Faustina Kowalska, São João Paulo II, então Papa na época, este segundo domingo do Tempo Pascal recebe mais um nome: o de “Domingo da Divina Misericórdia”, encerrando-se a Novena da Divina Misericórdia, iniciada na Sexta-Feira Santa.

São João Paulo II, no lado esquerdo, Santa Faustina Kowalska, no lado direito, e, ao centro, a Divina Misericórdia
São João Paulo II, no lado esquerdo, Santa Faustina Kowalska, no lado direito, e, ao centro, a Divina Misericórdia

 

Todos estes cinquenta dias une-se ao uso do Círio Pascal, que permanece iluminando nossos corações até a Solenidade de Pentecostes. Cumpre-nos salientar que no sétimo domingo da Páscoa, a igreja celebra a “Festa da Ascenção do Senhor”. Por fim, une-se aos momentos importantes deste período litúrgico, as leituras da palavra de Deus, como acentua o site “Aleteia”:

“É com esta mesma intenção que se organizam as leituras da Palavra de Deus nos oito domingos do Tempo Pascal: a primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, o livro que conta a história da Igreja primitiva e da sua difusão da Páscoa do Senhor. A segunda leitura muda conforme os ciclos, podendo ser da primeira Carta de São Pedro, da primeira Carta de São João e do livro do Apocalipse.”

Por Gabriel Araújo, Pascom Luz

ILUMINANDO: o farol que robustece a fé do povo de Deus

186 anos da instituição mais antiga da cidade de Guarabira.


Imaginemos quantas pessoas caminharam em direção à Catedral, com passos firmes, mãos entrelaçadas a um terço, com o corpo aquecido ao saber que encontrará o alento da Virgem ao coração. Ladeiras, ruas e vielas que conduziram esses mesmos passos às missas celebradas pelos saudosos Monsenhor Emiliano de Cristo e Dom Marcelo, que com seus exemplares sermões concretizaram o amor de Deus através do conselho, da pregação e da fé.

Quantas mãos limparam os bancos que hoje sentamos; que abriram as portas para acolher o povo de Deus; que, ao puxar as cordas, invocaram os fiéis sob o rimbombar dos sinos, que do alto da torre mais simbólica da cidade, ecoam até hoje. Ao recordarmos fatos marcantes, como não lembrar a visita de Frei Damião, que do alto das escadas, abençoou e convocou a população à missão; a importante ereção canônica da Diocese de Guarabira, celebrada por figuras ilustres do catolicismo nordestino: Dom José Maria Pires, Dom Hélder Câmara e Dom Marcelo; das inúmeras missas solenes em honra a Soberana da Luz, reunindo milhares de fiéis, e que no dia 02 de fevereiro, materializam a maior procissão em honra a Nossa Senhora da região.

Suas paredes são testemunhas de milhares de orações, visitas e acontecimentos e, por isso, o povo de Deus tem a obrigação de zelar por esta importante organização, cultivando em seus sucessores este mesmo zelo, devoção, fé e amor que tais paredes merecem e que venha mais 186 anos.

Por Gabriel Araújo, Pascom Luz

186 anos iluminando

 

186 anos iluminando, neste dia (27/04), celebramos jubilosos a data de ereção canônica da Paróquia Nossa Senhora da Luz, Igreja Mãe de nossa Diocese,  rendemos graças e louvores a Deus pelos seus 186 anos. A história da Catedral se confunde com o crescimento de Guarabira, tornando nossa cidade solo sagrado, consagrado à Virgem da Luz.

Na certeza da presença de Nossa Senhora da Luz, nos iluminando e sustentando a cada ano, elevemos nossas preces ao Senhor por todos os padres, fiéis, grupos, comunidades e pastorais que compõem nossa paróquia, para que sob o manto da Mãe da Luz, nos tornemos fecundos, sendo presença de Cristo no mundo e encontremos o caminho para a nossa salvação no serviço e na entrega diária.

 

 

A Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora

Se na Quaresma recordamos as sete dores de Maria, contemplando as espadas que lhe atravessaram a alma, no tempo da Páscoa meditamos as suas alegrias. Conheça esta bela e antiga devoção, propagada pelos franciscanos e bastante enraizada no Brasil.

Se na Quaresma nós recordamos as sete dores de Nossa Senhora, contemplando as espadas que lhe atravessaram a alma neste vale de lágrimas, o tempo pascal serve para meditarmos as suas alegrias.

Pode soar estranho, mas é isso mesmo: como há a devoção às sete dores de Maria, há também a devoção às suas sete alegrias; assim como celebramos Nossa Senhora das Dores, também a honramos com o título de Nossa Senhora das Alegrias (ou dos Prazeres).

E não é uma devoção recente esta que a Igreja nos põe diante dos olhos na Páscoa. Basta lembrar que a imagem mais antiga que há no Brasil, retratando a Virgem das Alegrias, chegou-nos no longínquo ano de 1558, pelas mãos do Frei Pedro Palácios. Foi ele o fundador do Convento da Penha, em Vila Velha (ES). Lá e em todo o estado capixaba, é na segunda-feira após a Oitava de Páscoa que se celebra esse título mariano.

Por que nessa data? Porque, segundo uma antiga e piedosa tradição, Nossa Senhora teria sido a primeira a receber a visita de seu Filho Ressuscitado — muito antes de todas as aparições relatadas nos Evangelhos. Não se trata de um artigo de fé católica, deve-se dizer, e o próprio Pe. Paulo Ricardo já teve a oportunidade de explicar por que a Santíssima Virgem não precisava desse consolo por parte de seu Filho, dado não ter perdido em nenhum momento a fé na ressurreição dele. Mas, ao mesmo tempo, inúmeros autores piedosos defendem a tese, como Santa Brígida da Suécia, São Vicente Ferrer, Santo Inácio de Loyola e São João Paulo II. A questão está longe de ser “caso encerrado”, portanto.

Quanto à Coroa das Sete Alegrias propriamente dita, parece ter se originado no seio da própria Ordem franciscana:

Em 1442, no tempo de São Bernardino de Siena, se difundiu a notícia de uma aparição da Virgem a um noviço franciscano. Este, desde pequeno, tinha o costume de oferecer à bem-aventurada Virgem uma coroa de rosas. Quando ingressou entre os Irmãos Menores, sua maior dor foi a de não poder seguir oferecendo à Santíssima Virgem esta oferenda de flores. Sua angústia chegou a tal ponto que decidiu abandonar a Ordem Seráfica. A Virgem apareceu para consolá-lo e lhe indicou outra oferenda diária que lhe seria mais agradável. Sugeriu-lhe recitar a cada dia sete dezenas de Ave Marias intercaladas com a meditação de sete mistérios gozosos que ela viveu em sua existência. Desta maneira teve origem a coroa franciscana, Rosário das sete alegrias.

Para os que quiserem se unir à Mãe de Deus em suas sete alegrias, eis o modo tradicional de meditá-las.


1. No primeiro mistério, consideramos a alegria de Nossa Senhora ao ouvir, de São Gabriel Arcanjo, que Deus a escolhera para Mãe do Salvador.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

2. No segundo mistério, consideramos a alegria de Nossa Senhora na casa de sua prima, Santa Isabel, quando esta a saudou pela primeira vez como Mãe de Deus.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

3. No terceiro mistério, consideramos o gozo inefável de Nossa Senhora, no estábulo de Belém, quando seu divino Filho nasceu milagrosamente.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

4. No quarto mistério, consideramos a alegria de Nossa Senhora quando os três magos vieram de longe adorar o Menino Jesus e oferecer-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

5. No quinto mistério, consideramos a alegria de Nossa Senhora ao reencontrar o seu divino Filho no Templo, entre os doutores da Lei.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

6. No sexto mistério, consideramos a alegria e o júbilo da Santa Mãe de Deus, quando, na manhã de Páscoa, foi a primeira a ver seu Filho ressuscitado e glorioso.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

7. No sétimo mistério, consideramos a maior de todas as alegrias de Nossa Senhora, quando morreu santamente e foi elevada aos céus, em corpo e alma, acima dos coros angélicos e à direita de seu divino Filho, que a coroou Rainha de todos os anjos e santos.
— Rezam-se um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

Oração final. — Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem das virgens, como a Mãe recorro; de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

 

Fonte: Padre Paulo Ricardo

Por que rezamos o Regina Coeli e não o Ângelus no tempo Pascal?

Durante o tempo pascal, a Igreja Universal se une em alegria por meio da oração do Regina Coeli ou Rainha do Céu, junto à Mãe de Deus, pela ressurreição de seu Filho Jesus Cristo, acontecimento que marca o maior mistério da fé católica.

A oração da antífona do Regina Coeli foi estabelecida pelo Papa Bento XIV em 1742 e substitui durante o tempo pascal, da celebração da ressurreição até o dia de Pentecostes, a oração do Ângelus cuja meditação central é o mistério da Encarnação.

Assim como o Ângelus, o Regina Coeli é rezado três vezes ao dia: ao amanhecer, ao meio dia e ao entardecer como uma forma de consagrar o dia a Deus e à Virgem Maria.

Não se conhece o autor desta composição litúrgica que remonta ao século XII e era repetido pelos Frades Menores Franciscanos depois das completas na primeira metade do século seguinte popularizando-a e difundindo-a por todo mundo cristão.

A oração:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!

R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!

V. Ressuscitou como disse, Aleluia!

R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!

V. Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, Aleluia!

R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos:

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio agora e sempre. Amém. (Três vezes).

 

Fonte: ACI Digital

O milagre em que Jesus se faz nosso alimento, literalmente

“Quero me unir a ti inseparavelmente e que me descubras em teu ser de modo que nada e ninguém nos possa mais desunir”

Via rede social, o pe. José Eduardo Oliveira compartilhou uma breve meditação sobre o dom da Eucaristia, em forma de palavras do próprio Jesus:

Já pensaste que a minha entrega por ti chegou ao ponto de eu me fazer realmente teu alimento? Haveria união mais profunda do que a que há entre o manjar e o comensal? Quando digerido, o pasto e o deglutidor se unem de tal modo que não há quem possa separá-los.

Este é o meu desejo de amor a teu respeito. Quero me unir a ti inseparavelmente e que me descubras em teu ser de modo que nada e ninguém nos possa mais desunir. Arranca todo pecado de tu’alma e avança rumo ao amor consumado.

O milagre da Eucaristia é o documento permanente de que eu, o teu Deus, amo-te de tal modo que me entreguei em tuas mãos, pus-me aos teus cuidados, a fim de que entendas, de uma vez para sempre, que o meu anseio por ti é real e tem a duração da eternidade.

Fonte: Aleteia

 

O que a Ressurreição nos ensina

A importância de nossa vida corpórea e seus sofrimentos não deveria ser exagerada nem subestimada. Temos um corpo por natureza, não por acidente. Sem o corpo, a alma não está completa. Os sofrimentos desta vida não serão esquecidos, mas redimidos.

A Ressurreição nos ensina que a importância de nossa vida corpórea e seus sofrimentos não deveria ser exagerada nem subestimada. Isso significa enxergar o meio-termo entre materialismo e platonismo. Em nossa época decadente e sensualista, a mensagem antimaterialista talvez seja a mais óbvia. O secularista não concebe destino pior do que ambições mundanas insatisfeitas, casamentos infelizes, contas não pagas, saúde precária e o próprio leito de morte. E não há para ele bem maior do que fugir dessas coisas. Woody Allen expressa bem essa mentalidade: “A vida é feita de penúria, solidão e sofrimento — e tudo acaba muito rápido”.

Isso é patético. Quer seu herói seja Sócrates, São Policarpo ou aquela gloriosa síntese dos dois, São Justino Mártir, você sabe que ninguém é tão cego quanto aquele que não consegue enxergar a eternidade que está além de algumas décadas de vida. A morte só interrompe o tempo que passamos na sala de espera. Algumas são terrivelmente aborrecidas e desconfortáveis. Outras têm tantas formas de divertimento, que nos deixam desapontados quando chega a hora de ir. Em ambos os casos, são apenas salas de espera, e assim é esta vida.

Mas isso ocorre não porque tenhamos uma alma imortal, nem porque as coisas terrenas sejam irrelevantes. Nós de fato temos uma alma imortal, e as coisas terrenas realmente não têm valor em si. Mas uma alma imortal não é uma pessoa. Ponto final. É o resquício de uma pessoa, e a perda de seu corpo é um terrível sofrimento, não uma libertação. A perpétua condição póstuma da alma é determinada pelo que fizemos e sofremos nesta vida.

Aqui entra a mensagem antiplatônica. Temos um corpo por natureza, não por acidente. Sem o corpo, a alma não está completa. Ela também não está destinada a ser purificada de todos os traços do indivíduo que viveu, respirou, sofreu e morreu, como o atma impessoal do hinduísmo. A Ressurreição não ensina que a morte não é o fim de sua alma, mas que a morte não é o seu fim como indivíduo dotado de corpo. Ela nos diz não que os sofrimentos desta vida serão esquecidos, mas que serão redimidos. Um bem eterno será tirado de um mal finito, como o vinho que foi tirado da água.

Santo Tomás nos diz que o Cristo ressuscitado carrega suas chagas perpetuamente como se fossem troféus. São como a cicatriz que um atleta não ousaria corrigir por meio de uma plástica, para não perder uma lembrança do que conquistou. Do mesmo modo, a Ressurreição nos ensina que o seu coração partido, a destruição de suas esperanças terrenas, a dor pela morte de um ente querido ou por seu corpo débil — a lembrança de todas essas coisas será como uma das chagas de Cristo após a morte. Ela assumirá uma característica totalmente diferente, e de fato será vista como aquilo que sempre foi: parte da purificação e do aperfeiçoamento de um atleta espiritual.

Para aqueles que amam a Deus, afinal. Pois existe um terrível lado negativo da Ressurreição, na medida em que os corpos dos perversos — assim como os dos justos — também lhes serão restituídos, e sua condição também será definida eternamente pelo que alimentaram em seus corações nesta vida. A memória de seus prazeres ilícitos, de sua fixação por Mamon, de seu desejo irrefreado por fama e poder, doerá como uma ressaca perpétua, uma lembrança sem fim de sua estupidez e miopia. “Com certeza terão sua recompensa”.

Essa recompensa deve ser mais temida do que a morte. Mas esta é, de fato, assustadora. Como todo filósofo deveria fazer, eu amo e venero Sócrates. Mas sua morte, por nobre que tenha sido, não foi a morte de um homem que sabia realmente o que era a morte. Não há dúvida de que sua verdade parcial está muito mais próxima da verdade integral que a verdade parcial do materialista. É muito melhor ser um pagão de tipo platonista do que aquela coisa triste e desprezível que Nietzsche chamou o Último Homem, o individualista da modernidade secular liberal que só pensa em buscar o próprio conforto.

Mesmo assim, a julgar pelo Fédon [um dos principais diálogos de Platão], você poderia pensar que em sua essência a morte significa adormecer durante uma conversa filosófica com amigos. Mas a realidade dela é refletida de modo mais adequado em outras imagens — a de Santo Inácio de Antioquia nos dentes de leões, ou a de São Policarpo no meio das chamas.

Contudo, surpreendentemente, eles enfrentaram esses fins sinistros com o mesmo otimismo de Sócrates. O Último Homem nos diz: “A morte é horrível, então tenha medo dela!” Sócrates nos diz: “A morte não é horrível, então não tenha medo dela!” O cristianismo nos diz: “A morte é horrível, mas não tenha medo dela!

 

Fonte: Padre Paulo Ricardo

O que é a Oitava de Páscoa na Liturgia?

Após o domingo de Páscoa, a Igreja vive o Tempo Pascal. São sete semanas em que a Liturgia celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At 1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus teve a Sua ascensão ao Céu e, ao final dos 49 dias, enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.
O Tempo Pascal compreende esses cinquenta dias (em grego = “pentecostes”) vividos e celebrados “como um só dia”. Dizem as “Normas Universais do Ano Litúrgico” que “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, “como se fosse um único dia festivo”, como um grande domingo” (n. 22).

Vivamos a ressurreição de Jesus intensamente na Oitava de Páscoa

É importante não perder o caráter unitário dessas sete semanas. A primeira semana é a  “Oitava da Páscoa”. Ela termina com o domingo da oitava, chamado “in albis”, porque, neste dia, os recém-batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do batismo. Esse é o Tempo Litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes, a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí para frente, o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja em sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia, a Parusia.

Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Ele simboliza o Cristo ressuscitado no meio da Igreja. Ele deve nos lembrar que todo medo deve ser banido, porque o Senhor ressuscitado caminha conosco, mesmo no vale da morte (Sl 22). É tempo de renovar a confiança no Senhor, colocar em Suas mãos a nossa vida e o nosso destino, como diz o salmista: “Confia os teus cuidados ao Senhor e Ele certamente agirá” (Salmo 35,6).

A alegria e as bênçãos do Tempo Pascal

Este é, portanto, um tempo de grande alegria espiritual, onde devemos viver intensamente na presença do Cristo ressuscitado, que transborda sobre nós os méritos da Redenção. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios,  renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo batizado: levar o mundo para Deus através de Cristo. É tempo de anunciar o Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

Então, a Igreja deseja que nos “oito dias de Páscoa” (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do Domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que “o tempo especial de graças”, que significa a Páscoa, estenda-se por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre ela suas bênçãos copiosas.

Só pode beneficiar-se dessas graças abundantes e especiais aqueles que têm sede, que conhecem, acreditam e pedem. É uma lei de Deus, e quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com , esperança, confiança e humildade.

Viva este tempo de graça

As mesmas graças e bênçãos da Páscoa se estendem até o final da Oitava. Não deixe passar esse tempo de graças em vão! Viva oito dias de Páscoa e colha todas as suas bênçãos. Não tenha pressa! Reclamamos tanto de nossas misérias, mas desprezamos tanto os salutares remédios que Deus coloca à nossa disposição tão frequentemente.

Muitas vezes, somos miseráveis sentados em cima de grandes tesouros, pois perdemos a chave que podia abri-los. É a chave da fé que, tão maternalmente, a Igreja coloca em nossas mãos todos os anos. Aproveitemos esse tempo de graça, para renovarmos nossa vida espiritual e crescer em santidade.

O significado do Círio Pascal

O Círio Pascal estará aceso por 40 dias, lembrando-nos que a grande vela acesa simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra “círio” vem do latim  “cereus“, de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascal, como símbolo de Cristo – Luz, e fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado.

O Círio Pascal é já, desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso, ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a  Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

O Círio Pascal ficará aceso na Oitava da Páscoa e em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, ou seja, no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

Viver intensamente a Oitava da Páscoa é uma grande graça que Deus nos dá através da Igreja. Cultive esse tempo, com oração, meditação e vida sacramental, agradecendo ao Senhor tantas bênçãos.

 

Fonte: Canção Nova

 

Inscrições abertas para novas turmas da Catequese Luz 2023

A Paróquia Nossa Senhora da Luz abre, nesta segunda-feira (10), as inscrições para novas turmas da Catequese Luz do ano de 2023 – formação para Primeira Eucaristia, Crisma de Jovens e de Adultos.

A catequese tem como finalidade de estudar o primeiro anúncio do Evangelho. Busca levar o catequizando a conhecer, acolher e vivenciar o mistério de Deus, manifestado em Jesus Cristo, que nos revela o Pai e nos envia o Espírito Santo, trilhando à comunhão com a igreja.

O prazo de inscrição vai até o dia 21 de abril, e acontece no Salão Paroquial (ao lado da Matriz), das 19h às 20h, de acordo com a idade abaixo:

  • Primeira Eucaristia: 8 anos completos ou completar até junho de 2023.
  • Crisma de Jovens: 13 anos completos.
  • Crisma de Adultos: a partir dos 15 anos.

“A Eucaristia está no coração da iniciação cristã, junto ao batismo e à crisma. É possível experimentar, já na terra, a comunhão com o Pai.” (Papa Francisco)

Para mais informações, entre em contato: (83) 3271-4828

O que aconteceu na primeira Sexta-feira Santa?

Em que horas exatas se deram os acontecimentos da Paixão de Cristo? O que dizer da escuridão que tomou a Terra enquanto Jesus pendia da Cruz? Confira a resposta a estas e outras questões, à luz do que dizem os Evangelhos.

Jesus foi preso na noite de quinta-feira. As Escrituras relatam: “Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos” (Mc 14, 53).

De acordo com a cronologia de Marcos, houve um julgamento simulado, baseado em evidências falsas e distorções dos ensinamentos de Jesus.

Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos. Pedro o foi seguindo de longe até dentro do pátio. Sentou-se junto do fogo com os servos e aquecia-se. Os sumos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o condenar à morte, mas não o achavam. Muitos diziam falsos testemunhos contra ele, mas seus depoimentos não concordavam. Levantaram-se, então, alguns e deram este falso testemunho contra ele: “Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens”. Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos.

O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembleia e perguntou a Jesus: “Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti?”. Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: “És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?”

Jesus respondeu: “Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu”.

O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. “Para que desejamos ainda testemunhas?!” — exclamou ele —. “Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?” E unanimemente o julgaram merecedor da morte. Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: “Adivinha!” Os servos igualmente davam-lhe bofetadas (Mc 14, 53-65).

Segundo a tradição, Jesus passou o resto da noite sob a casa de Caifás, num calabouço que funcionava como uma cisterna para reter a água da chuva.

Os eventos da manhã de sexta-feira são bem agitados. Num espaço de três ou quatro horas, Jesus é enviado a Pilatos, depois a Herodes, depois de volta a Pilatos, interrogado, condenado à morte e levado para ser crucificado às 9h.

Os eventos começam por volta das 6h: “Logo pela manhã, se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos” (Mc 15, 1).

Pilatos não demonstra entusiasmo algum em sobrecarregar-se com tal interrogatório, mas, temendo uma rebelião, ele entra na briga. Sua atitude delata um espírito vacilante. De acordo com Lucas, ele tentou passar o caso para Herodes, que estava em Jerusalém (cf. Lc 23, 6-12). Mas Jesus não disse nenhuma palavra ao rei. Então, depois de zombar de Jesus, Herodes o manda de volta a Pilatos. Em outra tentativa de aplacar a multidão e evitar qualquer decisão, Pilatos apresenta-lhes o equivalente a um pseudo-messias, apropriadamente chamado Barrabás (que significa “filho do pai”). Barrabás pode salvar o dia? Não pode, pois não é o verdadeiro Filho do Pai. Aliás, somente Jesus pode libertar Pilatos, ou qualquer um de nós.

Não tratarei de todo o julgamento perante Pilatos. Ao cabo, ele reconhece que Jesus é inocente das acusações, e não obstante o entrega para ser crucificado. Com isso, é provável que busque salvar a própria carreira. Não toma partido por Jesus. Ao contrário, senta-se no tribunal, viola a própria consciência e condena Jesus à morte. Era por volta da hora terça (9h da manhã).

Há debates sobre a hora exata do dia [em que isso aconteceu] segundo os vários relatos bíblicos. Mc 15, 25 diz que Jesus foi crucificado à hora terça (9h). Em Jo 19, 14, a crucificação acontece à hora sexta (meio-dia). Tanto Mt 27, 45 quanto Lc 23, 44 sugerem um horário mais próximo do meio-dia pela referência a uma escuridão que tomou a Terra do meio-dia às 15h.

Ao considerarmos essas “questões”, devemos ter em mente que as pessoas da época não tinham relógios de pulso ou de bolso. Não falavam nem pensavam com a mesma precisão que nós, ocidentais modernos. O tempo era indicado de maneira geral; a menção à hora terça, à sexta ou ainda à nona poderia englobar um espaço de tempo mais amplo, relativamente próximo da hora declarada. É mais ou menos como nossas expressões “no meio da manhã” ou “no meio da tarde”, que podem abarcar um período de várias horas. Marcos não quis dizer precisamente às 9h da manhã, nem João quer dizer exatamente ao meio-dia.

Há no entanto muita coincidência nas referências ao horário, o que atenua o possível conflito entre os relatos. Seja como for, a necessidade de fixar em horas exatas os diferentes episódios [da Paixão] diz mais sobre as nossas obsessões modernas com o tempo do que sobre os relatos em si, que se aproximam, mesmo sem precisar todos os detalhes, a descrições dos eventos.

A comparação dos textos conduz a uma margem geral de tempo. Parece que Jesus foi submetido a juízo diante de Pilatos e de Herodes no início da manhã (entre 6h e 9h da manhã). Foi condenado por Pilatos à crucificação em algum momento no meio da manhã. Foi ridicularizado e levado para ser crucificado no final da manhã. Perto do meio-dia, foi despido e pregado à Cruz. Do meio-dia até o início da tarde, uma escuridão tomou a Terra, enquanto Jesus pendia da Cruz. Ele morreu no meio da tarde, por volta das 15h.

O que dizer desta escuridão de cerca de três horas? Em Lc 23, 44, lemos: “Era quase a hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona” (ou seja, do meio-dia às 15 horas).

Embora pareça descrever um eclipse solar, não é apropriado dizer que foi um (pelo menos como o definimos hoje). Mateus, Marcos e Lucas falam das trevas daquele dia por meio do grego σκότος (skótos), que significa simplesmente “escuridão”. Somente Lucas declara a causa dela: “Escureceu-se o sol” (Lc 23, 45), usando inclusive a palavra grega ἐκλιπόντος (eklipóntos), da qual “eclipse” deriva. Em grego, porém, eklipóntos significa simplesmente “escurecer”, enquanto “eclipse” designa um escurecimento resultante do bloqueio da luz solar pela da Lua. Mas não é isso necessariamente (ou mesmo provavelmente) o que Lucas quis dizer aqui.

Como regra geral, não convém aplicar explicações científicas a um texto quando essa pode não ter sido a intenção do autor. Que houve escuridão sobre a Terra desde o meio-dia até as 15h é fato certo e atestado no textos sagrados, mas a causa declarada da escuridão não foi, definitivamente, um eclipse, pelo menos não no sentido que se dá hoje à palavra. Talvez Deus tenha feito uso de outras causas naturais, como nuvens pesadas, para diminuir a luz do Sol. Também é possível que a escuridão fosse de origem sobrenatural e tenha sido vista por apenas alguns dos presentes.

Quem tenta explicar essa escuridão em termos de leis científicas corre o risco de prestar um desserviço ao texto, perdendo seu significado mais profundo: a escuridão do pecado chegou então ao ápice. Qualquer que seja o “mecanismo” físico da escuridão, sua causa mais profunda foi o mal e o pecado.

Jesus disse noutro lugar: “Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más” (Jo 3, 19). Referindo-se à Paixão, também disse: “Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar” (Jo 9, 4). Quando Judas deixou o Cenáculo para trair Jesus, João observou com simplicidade mas profundidade: “E era noite” (Jo 13, 30). Sim, uma profunda escuridão pairava sobre o mundo.

Não é possível aqui comentar todos os detalhes da crucificação. Embora sejam acontecimentos históricos, também são de profundo significado espiritual. [Por exemplo:] Jesus falou sete vezes na Cruz: pediu ao Pai que nos perdoasse (cf. Lc 23, 34); concedeu misericórdia ao ladrão arrependido (cf. Lc 23, 43); deu-nos sua Mãe e pediu que a levássemos para a casa de nossos corações (cf. Jo 19, 26s); expressou sentimentos de abandono (cf. Mt 27, 46; Mc 15, 34); disse ter sede (cf. Jo 19, 28); anunciou a consumação de sua missão (cf. Jo 19, 30); entregou seu espírito ao Pai e então expirou (cf. Lc 23, 46).

A terra tremeu. Embora os terremotos fossem comuns na região, interpretar o terremoto apenas em termos científicos faz perder seu significado teológico. Cristo rasgou a terra e desceu ao sheol para pregar aos mortos (cf. Jo 5, 25). O véu do Templo rasgou-se de alto a baixo (cf. Mt 27, 51), dando-nos acesso ao Pai. Ele rasgou nossos corações e pôs a descoberto nossos pensamentos. Isso também prefigura o Juízo Final:

Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.

Pasmarão a natureza e o morrer,
Quando a criatura enfim se reerguer,
Com o fim de a Deus, o Juiz, responder (do hino Dies Iræ [tradução ao português nossa]).

São três horas da tarde; um grande silêncio reina sobre a Terra. O Verbo de Deus morreu na carne. Ele foi até os mortos para despertá-los.

 

Fonte: Equipe Christo Nihil Præponere