Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio

“Extra omnes”. A histórica fórmula em latim que marca o início do fechamento à chave da Capela Sistina será pronunciada pelo mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias na próxima quarta-feira, 7 de maio. Esse é o dia de início do Conclave. A data foi definida na manhã desta segunda-feira (28/04) pelos cerca de 180 cardeais presentes (pouco mais de 100 eleitores) reunidos na quinta Congregação Geral no Vaticano.

“Extra omnes”, portanto. “Fora todos” aqueles que não são admitidos na reunião dos cardeais convocados para eleger o próximo Pontífice da Igreja universal. Os purpurados eleitores, com menos de 80 anos de idade, ficarão isolados do resto do mundo dentro da Capela Sistina até a fumaça branca e o “Habemus Papam”, a outra famosa fórmula latina pronunciada da Loggia delle Benedizioni pelo cardeal protodiácono para anunciar ao mundo a escolha do novo Papa.

Não há previsão de conclusão, naturalmente, e entre os próprios cardeais eleitores há aqueles que esperam um Conclave curto, considerando também o Jubileu em andamento, e aqueles que, ao contrário, preveem tempos mais longos para permitir que os cardeais “se conheçam melhor”, tendo Francisco, em seus 10 Consistórios, agregado ao Colégio Cardinalício purpurados de todos os cantos do globo.

As normas da Universi Dominici Gregis

O cronograma para o início do Conclave é estabelecido pelas normas da constituição apostólica de João Paulo II, Universi Dominici Gregis, atualizada por Bento XVI com o Motu Proprio de 11 de junho de 2007 e com a mais recente de 22 de fevereiro de 2013. De acordo com a Constituição, o Conclave – do latim cum clave, que significa fechado à chave – começa entre o 15º e o 20º dia após a morte do Papa, depois dos Novendiali, os 9 dias de celebrações em sufrágio do Pontífice falecido. Mais detalhadamente, a partir do momento em que a Sé Apostólica é legitimamente vacante, os cardeais eleitores presentes devem esperar 15 dias completos pelos ausentes, até um máximo de 20 dias, se houver motivos sérios. O Motu Proprio Normas nonnullas, além disso, dá ao Colégio de Cardeais a faculdade de antecipar o início do Conclave se todos os eleitores estiverem presentes.

Cardeais das partes mais distantes do mundo ainda são esperados em Roma nestes dias. Na Cidade Eterna, eles serão hospedados na Casa Santa Marta, a Domus do Vaticano onde Francisco decidiu morar, renunciando ao apartamento papal.

A missa “pro eligendo Pontifice” e a procissão para a Sistina

Na manhã da quarta-feira, 7 de maio, todos concelebrarão a solene missa “pro eligendo Pontifice”, a celebração eucarística presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, que convidará os irmãos a se dirigirem à Sistina à tarde com estas palavras: “toda a Igreja, unida a nós na oração, invoca constantemente a graça do Espírito Santo, para que seja eleito por nós um digno Pastor de todo o rebanho de Cristo”.

Dali, então, a evocativa procissão até a Capela Sistina, dentro da qual os cardeais entoarão o hino Veni, creator Spiritus e farão o juramento. Será necessária uma maioria qualificada de dois terços para eleger o Papa. Haverá quatro votações por dia, duas pela manhã e duas à tarde, e após a 33ª ou 34ª votação, no entanto, haverá um segundo turno direto e obrigatório entre os dois cardeais que receberam mais votos na última votação. Mesmo nesse caso, no entanto, sempre será necessária uma maioria de dois terços. Os dois cardeais restantes não poderão participar ativamente da votação. Se os votos para um candidato atingirem dois terços dos eleitores, a eleição do Papa será canonicamente válida.

A eleição do novo Papa

Nesse momento, o último da ordem dos Cardeais diáconos convoca o mestre das Celebrações Litúrgicas e o secretário do Colégio Cardinalício. Ao recém-eleito será questionado: Acceptasne electionem de te canonice factam in Summum Pontificem? (Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice?) e, em caso afirmativo, será perguntado: Quo nomine vis vocari? (Como quer ser chamado?), pergunta à qual responderá com seu nome pontifício. Após a aceitação, as cédulas são queimadas, de modo que a clássica fumaça branca poderá ser vista da Praça São Pedro. No final do Conclave, o novo Pontífice se retira para a “Sala das Lágrimas”, ou seja, a sacristia da Capela Sistina, onde vestirá pela primeira vez os paramentos papais – preparados em três tamanhos – com os quais se apresentará à multidão de fiéis na Praça São Pedro.

Após a oração pelo novo Pontífice e a homenagem dos cardeais, o Te Deum é entoado, marcando o fim do Conclave. Em seguida, o anúncio da eleição, o Habemus papam e a aparição do Papa que dará a solene bênção Urbi et Orbi.

 

Fonte: Vatican News

Curiosidades sobre a história dos Conclaves: entre o passado, o presente e o futuro

Por alguns dias, a Capela Sistina se abre ao olhar da história e se fecha aos olhos do mundo. A partir do dia 7 de maio próximo, os cardeais eleitores são chamados a eleger o Pontífice. O Conclave, agora iminente, é o septuagésimo sexto na história da Igreja; o vigésimo sexto realizado sob os auspícios do Juízo Final de Michelangelo.

Cum-clave

O termo Conclave, que deriva do latim “cum-clave”, referia-se a um espaço reservado na casa, precisamente “fechado a chave”. Na linguagem da Igreja, é usado para indicar tanto o local fechado onde se realiza a eleição do Pontífice quanto o conjunto do Colégio Cardinalício chamado a eleger o novo Papa.

A eleição do Papa

O que está prestes a se iniciar é o septuagésimo sexto Conclave, estruturado na forma que conhecemos hoje, partindo do que foi estabelecido por Gregório X em 1274. No período anterior a essa data, falava-se simplesmente da eleição do Pontífice. Durante os primeiros 1.200 anos, aproximadamente, da história da Igreja, o Sucessor de Pedro, como Bispo de Roma, era de fato eleito com o envolvimento da comunidade local. O clero examinava os candidatos propostos pelos fiéis e o Papa era escolhido pelos bispos. Do século IV ao XI, a eleição também foi marcada pela questão das influências externas: imperadores romanos, carolíngios e outros tentaram de várias maneiras controlar o processo de designação do Pontífice.

As raízes do Conclave

Ao longo dos séculos, sucederam-se mudanças que moldaram a estrutura do Conclave até o atual. O primeiro a intervir, nesse sentido, foi o Papa Nicolau II, em 1059, com a bula “In nomine Domini”. Nesse documento, estabeleceu-se, em particular, que somente os cardeais poderiam eleger o Romano Pontífice. Essa bula foi definitivamente ratificada pela Constituição Licet de vitanda, promulgada por Alexandre III em 1179. Ela introduziu a necessidade da maioria de dois terços dos votos, um elemento importante da eleição do Papa que chegou até os dias atuais.

A eleição de 1268

Em 1268, realizou-se um capítulo descrito por muitas fontes históricas. Dezoito cardeais se reuniram no Palácio Papal de Viterbo para eleger o Papa. Foi o “Conclave” mais longo da história. O Papa foi eleito após dois anos e nove meses. Eram tempos difíceis. Durante esse longo período, a população de Viterbo, exasperada, decidiu trancar os cardeais no Palácio. As portas foram fechadas com tijolos e o telhado removido. Por fim, Gregório X, arquidiácono de Liège, que na época se encontrava na Terra Santa, foi eleito. Em 1274, ele promulgou a Constituição Ubi periculum, que instituiu oficialmente o Conclave. Entre outras coisas, estabeleceu-se que ele deveria ser realizado num local precisamente “fechado a chave” por dentro e por fora.

O primeiro Conclave da história

De acordo com essas disposições, o primeiro Conclave da história, após a promulgação da Constituição Ubi periculum, foi o de Arezzo, em 1276, com a eleição de Inocêncio V. Em 1621, Gregório XV introduziu a obrigação do voto secreto e escrito. Em 1904, Pio X proibiu o suposto direito de exclusividade, sob qualquer forma. Também foi introduzida a obrigação de sigilo sobre o que acontecia no Conclave, mesmo após a eleição, e a regra de manter a documentação disponível apenas ao Papa.

Mudanças do Século XX até os dias atuais

Após a guerra, em 1945, Pio XII promulgou a Constituição “Vacantis Apostolicae Sedis”, que introduziu algumas inovações. Em particular, a partir do início da Sede Vacante, todos os cardeais – incluindo o Secretário de Estado e os prefeitos das Congregações – cessam seus cargos, com exceção do Camerlengo, do Penitencieiro e do Vigário de Roma. Com o Motu Proprio ‘Ingravescentem Aetatem’, Paulo VI decidiu então que os cardeais poderiam ser eleitores apenas até completarem 80 anos.

As regras para a eleição do Papa

A legislação atualmente em vigor para a eleição do Pontífice é a ‘Universi Dominici Gregis‘, promulgada por João Paulo II em 1996 e modificada por Bento XVI em 2013. Ela estabelece, entre outras coisas, que o Conclave deve ser realizado na Capela Sistina, definida como Via Pulchritudinis, o caminho da beleza capaz de guiar a mente e o coração em direção ao Eterno. O Motu Proprio de Bento XVI, De Aliquibus Mutationibus in Normis de Electione Romani Pontificis, também prevê que, após 34 escrutínios em que não tenha ocorrido eleição, os cardeais sejam chamados a votar nos dois nomes que receberam mais votos no último escrutínio, mantendo-se, no entanto, mesmo no segundo turno, a regra da maioria de dois terços, necessária para eleger o novo pastor da Igreja universal.

À espera do 267º Sucessor de Pedro

São, portanto, os afrescos de Michelangelo que velam pela eleição do Romano Pontífice. Na Capela Sistina, um novo capítulo na história da Igreja está prestes a se abrir. Os olhos e as esperanças do mundo estão voltados para esta “Via Pulchritudinis”, que permanece fechada para o Conclave, aguardando para vislumbrar o rosto do novo Bispo de Roma e para conhecer o nome do 267º Sucessor de Pedro.

Fonte: CNBB

Seis santos que viveram o exemplo da Divina Misericórdia de Cristo

A devoção à Divina Misericórdia, que será celebrada no domingo (7), reúne milhares de católicos de todo o mundo, que, além de se entregarem ao amor misericordioso de Deus, se esforçam como os santos para imitar esta virtude com o próximo.

Em um artigo no jornal National Catholic Register, da rede EWTN, à qual pertence ACI Digital, Joseph Pronechen, escritor católico e autor do livro Fruits of Fatima – Century of Signs and Wonders, recordou que na história da Igreja Católica destacam-se alguns santos que em várias épocas e situações de vida viveram a misericórdia de Cristo.

“Os santos nos ensinam que todos podemos seguir as instruções de Jesus para praticar a misericórdia: entre os pobres, nos hospitais e entre os aflitos, no confessionário, em um claustro ou na porta de um convento”, disse.

A seguir, seis santos que viveram a misericórdia e que podem ajudá-lo em seu caminho para a santidade:

1. Santa Faustina Kowalska

Pronechen lembrou que Cristo se revelou em visões a santa Faustina Kowalska, chamada de “Mensageira da Misericórdia”, e pediu a ela que mostrasse ao mundo sua Divina Misericórdia para a salvação das almas.

Ela narrou em seu diário que Cristo, “disfarçado de um jovem pobre”, se revelou a ela e depois de pedir e comer um prato de sopa, revelou a ela “que ele era o Senhor do céu e da terra” e desapareceu. Mais tarde, a santa escreveu que ouviu as seguintes palavras de Jesus em seu coração:

“Minha filha, as bênçãos dos pobres que me abençoam ao sair desta porta chegaram aos meus ouvidos. E sua compaixão, dentro dos limites da obediência, me agradou, e por isso desci do meu trono: para saborear os frutos da sua misericórdia”, escreveu.

Pronechen disse que a santa serviu ao próximo com misericórdia fazendo uma atividade muito simples: ser porteira na porta do convento; e que Jesus lhe ensinou que “é possível fazer o bem sempre e em todos os lugares e em todos os momentos” através de três formas concretas: com obras, palavras e oração.

“A plenitude da misericórdia está contida nesses três graus, e é uma prova inquestionável de amor por mim. Por este meio uma alma é glorificada e reverencia a minha misericórdia”, disse Jesus a santa Faustina.

2. São João Paulo II

Pronechen disse que nas últimas décadas, junto com santa Faustina Kowalska, são João Paulo II é uma das “duas grandes luzes que espalham o fogo da Divina Misericórdia pelo mundo”.

São João Paulo II, que era muito devoto da Divina Misericórdia, publicou em 1980 a sua carta encíclica intitulada Dives in Misericordia, na qual exorta os fiéis a voltarem o olhar para o mistério do amor misericordioso de Deus. Além disso, beatificou e canonizou santa Faustina Kowalska e instituiu o Domingo da Divina Misericórdia.

Na homilia para a canonização de santa Faustina, em 30 de abril de 2000, são João Paulo II disse que Cristo “inclinou-se sobre toda a miséria humana, material e espiritual” e que seu exemplo “levou às ‘obras de misericórdia’ espirituais e corporais”, que são “uma forma concreta de fazer-se ‘próximo’ dos irmãos e irmãs mais necessitados”.

Cristo ensinou que “o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a ‘ter misericórdia’ para com os demais. ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’”, disse o santo.

3. Santa Teresa de Calcutá

Pronechen disse que santa Teresa de Calcutá viveu a misericórdia de Jesus em seu serviço aos mais pobres do mundo, por exemplo, costumava “recolher os moribundos e os pobres literalmente dos esgotos” e fazia tudo com alegria.

A santa chamava todos os pobres a quem servia de “Jesus disfarçado”; ela sempre “tratou-os com grande bondade e dignidade, alimentou-os e cuidou deles enquanto morriam, e realmente colocou em ação as obras de misericórdia corporais”, disse Pronechen.

Além disso, costumava animar os outros a fazerem a mesma coisa à sua maneira. “As calcutás estão em todas as partes, se tivéssemos olhos para ver. Encontre sua Calcutá”, disse. “Fale com elas com ternura. Que haja bondade em seu rosto, em seu olhar, em seu sorriso, no calor de sua saudação. Tenha sempre um sorriso alegre. Não dê apenas o seu cuidado, mas também o seu coração”, disse.

Santa Teresa de Calcutá costumava dizer que “Jesus deixou bem claro: tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis. Você dá um copo de água e me dá a mim. Você recebe uma criança pequena, e você me recebe”.

4. Santa Catarina de Sena

Pronechen disse que santa Catarina de Sena, declarada doutora da Igreja pelo papa são Paulo VI, serviu aos pobres com grande misericórdia aos 33 anos, a mesma idade em que santa Faustina Kowalska morreu.

Ela costumava dar conselhos pacientemente e rezar “por filas intermináveis ​​de pessoas com problemas”. Sua fama era tão grande que “três padres foram designados em tempo integral para ouvir as confissões daqueles que ela aconselhava”. E ela foi até “conselheira dos papas”.

Como outros santos, santa Catarina cuidava dos doentes e alimentava os idosos. Ela cuidou destemidamente daqueles atingidos por uma praga em 1374, “consolando os moribundos e enterrando os mortos”, disse Pronechen. “Muitas vezes seus atos de misericórdia incluíam o milagroso: Deus multiplicou a comida em suas mãos”, acrescentou.

Pronechen contou que a santa uma vez cuidou de uma mulher leprosa que havia sido “banida da cidade” por causa de sua doença, e que mais tarde foi “convertida pela oração e assistência paciente de Catarina”. Como ela, “muitos outros se converteram” graças às suas orações e sacrifícios”, acrescentou.

5. São Pio de Pietrelcina

Pronechen disse que são Pio de Pietrelcina foi um exemplo de “misericórdia no perdão”, pois confessava incansavelmente inúmeros pecadores arrependidos que o procuravam. O santo absolvia penitentes no confessionário “por 12 horas” todos os dias, disse ele.

No dia da canonização de são Pio, em 16 de junho de 2002, são João Paulo II disse em sua homilia que “padre Pio foi um generoso dispensador da misericórdia divina”, ao mesmo tempo que sabia que precisava da misericórdia de Cristo. Ele costumava dizer: Jesus “esqueceu meus pecados, e eu diria que Ele só se lembra de sua própria misericórdia”, disse Pronechen.

6. Santa Teresinha do Menino Jesus

Pronechen lembrou que santa Teresinha do Menino Jesus gostava da misericórdia de Cristo e praticava essa virtude em pequenas tarefas diárias. “Como estou feliz por me ver imperfeita e necessitada da misericórdia de Deus”, costumava dizer a jovem freira.

No livro “História de uma alma”, escrito pela santa, ela disse que se dedicava a praticar “pequenos atos de virtude que estão bem escondidos”, por exemplo, gostava de “dobrar os mantos esquecidos pelas irmãs, e buscava mil oportunidades para prestar-lhes serviço”.

“Devo procurar a companhia daquelas irmãs de quem, segundo a natureza, menos me agradam. Devo cumprir com elas o ofício do Bom Samaritano”, escreveu. “Uma palavra, um sorriso gentil, muitas vezes será suficiente para alegrar um coração ferido e aflito”, acrescentou.

A santa prometeu que do céu deixaria cair “uma chuva de rosas sobre a terra” e assim foi, porque hoje “ela continua a realizar atos de misericórdia por inúmeras almas”, disse Pronechen.

 

Fiéis se despedem do papa Francisco na basílica de São Pedro

Milhares de fiéis se despediram ontem (23) do papa Francisco e prestaram homenagem a ele na basílica de São Pedro, no Vaticano.

Longas filas de enlutados, muitos esperando mais de quatro horas sob o sol quente de Roma, contornavam a praça de São Pedro ontem, no primeiro dia de exibição do corpo. Autoridades da Santa Sé estenderam o horário de funcionamento da basílica para até 5h30 da manhã de hoje (24) para acomodar o grande número de pessoas.

Muitos dos presentes foram inicialmente a Roma para celebrar a Páscoa, participar do Jubileu 2025, ou testemunhar a canonização do beato Carlo Acutis, e acabaram fazendo parte de uma despedida histórica inesperada.

“As multidões são grandes… mas no geral foi lindo”, disse Arianne Gallagher-Welcher, peregrina de Washington, D.C., EUA.

“Você podia sentir como era especial para todos… uma chance muito boa de dizer adeus ao papa Francisco”, disse ela.

Gallagher-Welcher falou sobre o significado do Ano Jubilar da Esperança.

“Estivemos aqui no Jubileu em 2000. Agradecer e celebrar a vida do papa Francisco no Ano Jubilar da Esperança é um presente incrível”, disse ela.

Enquanto as pessoas se dirigiam lentamente para a basílica, algumas rezavam o rosário enquanto outras cantavam hinos. Lá dentro, as pessoas puderam passar um momento em oração diante do caixão aberto do papa em frente ao altar-mor e ao túmulo de São Pedro.

Vestido com vestes vermelhas, uma mitra de bispo na cabeça e um rosário nas mãos, Francisco foi vigiado em silêncio por quatro guardas suíços em vigília.

“À medida que nos aproximávamos do corpo de nosso Santo Padre, foi muito emocionante vê-lo”, disse o padre Fabian Marquez, da diocese de El Paso, Texas, EUA. “Mas sou muito grato por todas as grandes coisas que ele fez pela comunidade, unindo as pessoas”.

“E minha oração pessoal era que agora ele intercedesse para que o próximo Pedro viesse, para que o próximo Pedro possa nos levar aonde o Senhor deseja que vamos”, disse Márquez.

“Tudo mudou desde a notícia de que nosso Santo Padre morreu”, disse Márquez. “Decidimos continuar a vir … só para estar aqui com ele”.

“Pudemos rezar o rosário com as pessoas e foi muito emocionante estar aqui fora da basílica hoje… quando transferiram o corpo de Santa Marta para a basílica”, disse o padre.

Monsenhor Humberto González, da Pontifícia Comissão para a América Latina, falou sobre uma memória pessoal do papa Francisco em 2020, quando concelebrou uma missa em homenagem a Nossa Senhora de Guadalupe junto com o papa depois da perda de sua mãe.

O significado do momento se estendeu até mesmo a não-católicos. Jai Agarwal, estudante americano de 21 anos da Universidade John Cabot, em Roma, juntou-se à fila para prestar suas homenagens.

“Ele sempre defendeu a paz. Ele é uma das poucas pessoas que tinha empatia genuína”, disse Agarwal.

Raissa Fortes, peregrina do Brasil, havia viajado originalmente para a Itália para a canonização de Acutis, mas mudou seus planos ao saber da morte do papa.

“É uma mistura de sentimentos. Estou triste, mas, ao mesmo tempo, estou feliz por estar aqui neste momento especial”, disse ela.

“Quando recebi a triste notícia sobre o papa Francisco, meu marido e eu decidimos vir mais cedo para dizer um último adeus e fazer parte deste momento com o papa Francisco”, disse também a peregrina.

Fonte: ACI Digital

Morre o Papa Francisco

Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta: “Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Igreja”

Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras:

“Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja.

Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.”

Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo.

 

 

Fonte: Vatican News

Torna-se Venerável o brasileiro José Antônio Maria Ibiapina

Serão canonizados Inácio Choukrallah Maloyan, arcebispo de Mardin dos Armênios, martirizado, em 1915, durante o genocídio armênio, e o leigo Pedro To Rot, mártir que viveu na Papua Nova Guiné no século passado. Também será canonizada Maria do Monte Carmelo, fundadora das Irmãs Servas de Jesus. A religiosa será a primeira santa da Venezuela. Será beatificado o pe. Carmelo De Palma e o sacerdote brasileiro José Antônio Maria Ibiapina se torna Venerável.


A Igreja terá três novos santos, um novo beato e também um novo venerável. Os decretos foram autorizados pelo Papa Francisco nesta segunda-feira, 31 de março.

Serão canonizados Choukrallah Maloyan, bispo de Mardin dos Armênios, martirizado em 1915 durante o genocídio armênio; o leigo Pedro To Rot, da ilha de Rakunai – Rabaul, na atual Papua Nova Guiné, catequista, que viveu no século passado, também mártir, morto por ter continuado seu apostolado não obstante a proibição imposta pelos japoneses durante a II Guerra Mundial; e Maria do Monte Carmelo, religiosa fundadora das Servas de Jesus da Venezuela, que desempenhou com amor o seu serviço nas paróquias e escolas, dedicando-se em particular aos mais necessitados.

Será beatificado Carmelo De Palma, sacerdote diocesano que exerceu seu ministério na Puglia entre o final do século XIX e o século XX. Foram reconhecidas as virtudes heroicas do servo de Deus José Antônio Maria Ibiapina, sacerdote brasileiro que viveu no século XIX, que se torna venerável.

Arcebispo armênio, mártir durante o genocídio de seu povo

Choukrallah Maloyan nasceu em 1869, em Mardin, na atual Turquia. Desde a infância, demonstrou inclinação para a oração e em 1883 ingressou no convento de Bzommar, no Líbano, sede do Instituto do Clero Patriarcal Armênio. Foi ordenado sacerdote, em 1896, e foi chamado de Inácio. Enviado para Alexandria, no Egito, destacou-se por suas pregações, em árabe e turco, e dedicou-se ao ministério paroquial e ao estudo dos textos sagrados. Nomeado vigário patriarcal do Cairo, continuou o cuidado pastoral dos armênios, mas no ano seguinte retornou a Alexandria devido a problemas nos olhos. Mais tarde, foi chamado a Constantinopla pelo Patriarca Boghos Bedros XII Sabbagghian, que lhe confiou seu secretariado pessoal, mas em julho de 1904 retornou a Alexandria para buscar tratamento e continuar seu apostolado lá. Seis anos depois, ele tornou-se vigário patriarcal de Mardin. Em 1911, participou do Sínodo dos Bispos Armênios em Roma, convocado para estudar a situação criada na Turquia depois que o movimento dos Jovens Turcos chegou ao poder. Foi eleito arcebispo de Mardin. Em seguida, empreendeu uma visita à sua diocese, dedicando-se particularmente à formação do clero. Após o atentado de Sarajevo em 28 de junho de 1914, quando a Turquia se preparava para entrar na guerra, alistamentos forçados e perseguições contra cristãos, especialmente armênios, Maloyan colaborou com as autoridades, mas as igrejas continuaram recebendo ameaças e ataques, tanto que todas foram revistadas. Em 3 de junho, festa de Corpus Christi, Maloyan foi preso junto com 13 sacerdotes e outros 600 cristãos. Recusando-se a renunciar à sua fé, todos foram executados em 11 de junho de 1915. Choukrallah Maloyan foi beatificado por João Paulo II em 7 de outubro de 2001, ano do centenário da cristianização da Armênia, e a fama de seu martírio se espalhou rapidamente pelo mundo. Suas palavras e ensinamentos, especialmente sua caridade e perdão aos perseguidores, são considerados por toda a Igreja, em seus diversos ritos, um exemplo válido e precioso para viver a fidelidade ao Evangelho, mesmo nos momentos mais difíceis. Por isso, reconhecendo a atualidade de seu testemunho, Raphaël Bedros XXI Minassian, patriarca da Cilícia dos Armênios, pediu sua canonização com a dispensa do milagre.

O primeiro santo da Papua Nova Guiné

Pedro To Rot nasceu em 5 de março de 1912 na ilha de Rakunai-Rabaul, na atual Papua Nova Guiné. Criado numa família numerosa, recebeu educação cristã e se tornou catequista. Dedicou-se ao serviço pastoral com humildade e solicitude, movido também por grande caridade para com o próximo: dedicou-se sobretudo aos pobres, aos doentes e aos órfãos. Aos 23 anos, casou-se com Paula La Varpit, com quem teve três filhos. Quando os japoneses ocuparam Papua Nova Guiné durante a II Guerra Mundial, todos os missionários foram presos, mas inicialmente a atividade pastoral não foi impedida. Pedro, portanto, limitou-se ao que é permitido para não abandonar a comunidade cristã, continuou a catequese e preparou os casais para o matrimônio, depois foi obrigado a restringir suas atividades que, por fim, foram todas proibidas. Pedro continuou seu apostolado em segredo, com extrema cautela, para não colocar em risco a vida dos fiéis, mas com plena consciência de estar colocando em risco a sua própria vida. Defensor corajoso do vínculo sacramental do matrimônio cristão, ele se opôs à poligamia que os japoneses tinham permitido para ganhar as tribos locais e chegou ao ponto de contestar seu irmão mais velho, que a havia escolhido. Foi por este motivo que este último o denunciou à polícia, que o prendeu em 1945. Condenado a dois meses de prisão, morreu no cárcere em julho, vítima de envenenamento. Beatificado por João Paulo II em 17 de janeiro de 1995 em Port Moresby, ele também foi dispensado de um milagre no caminho para a canonização.

A primeira santa da Venezuela

Nascida Carmen Elena Rendíles Martínez, Maria do Monte Carmelo é natural de Caracas, Venezuela. Ela nasceu em 11 de agosto de 1903 e desde pequena ajudou sua mãe a administrar a família, após a morte de seu pai, e se dedicou ao apostolado na paróquia. Sentiu vocação religiosa e se aproximou de vários institutos até escolher, em 1927, a Congregação das Servas de Jesus do Santíssimo Sacramento. Em 8 de setembro de 1932, ela fez seus votos perpétuos e foi nomeada mestra de noviças. Em 1946, tornou-se superiora provincial da Congregação, que mais tarde se tornou um instituto secular, mas muitas religiosas latino-americanas decidiram criar uma nova família religiosa: a Congregação das Servas de Jesus. Após um acidente de carro em 1974, Carmen passou os últimos anos de sua vida numa cadeira de rodas e morreu em 9 de maio de 1977. Beatificada em 16 de junho de 2018, para a canonização, a cura milagrosa, atribuída à sua intercessão, de uma jovem que em 2015 foi diagnosticada com hidrocefalia triventricular idiopática, que exigiu a colocação de uma válvula de bypass, foi apresentada para exame ao Dicastério das Causas dos Santos. Após passar por diversas cirurgias e internações, o estado de saúde da jovem piorou. Mas um dia uma tia, participando de uma celebração eucarística em frente ao túmulo de Madre Carmen, rezou por sua cura. Outros fiéis também pediram a intercessão da religiosa e a própria jovem doente participou de uma missa no local do sepultamento, na capela do Colégio Belén, em Caracas. Após tocar num quadro da religiosa, a doente melhorou rapidamente, tanto que no dia 18 de setembro começou a andar e a se comunicar, expressando o desejo de ir agradecer à Madre Carmen. A recuperação da jovem foi completa, estável e duradoura e o evento foi considerado cientificamente inexplicável.

Um sacerdote da Puglia será beatificado

Próximo à beatificação, Carmelo De Palma nasceu em 27 de janeiro de 1876, em Bari, na Itália. Depois de entrar no seminário, foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1898 em Nápoles. De volta à sua cidade natal, ocupou vários cargos na Basílica de São Nicolau e também se tornou assistente diocesano da juventude feminina da Ação Católica, assistente diocesano das Mulheres da Ação Católica, diretor espiritual das Irmãs Beneditinas de Santa Escolástica de Bari e dos Oblatos e Oblatas de São Bento, além de ser o animador da União Apostólica do Clero de Bari. Sua espiritualidade de inspiração beneditina o levou a visitar frequentemente o mosteiro de Montecassino, onde conheceu o cardeal Alfredo Ildefonso Schuster, beneditino e arcebispo de Milão, com quem manteve correspondência epistolar. Quando a Basílica de São Nicolau foi confiada aos Padres Dominicanos em 1951, pe. Carmelo dedicou-se incansavelmente à direção espiritual de sacerdotes, religiosas e seminaristas e ao Sacramento da Reconciliação, tanto que foi definido como um “herói do confessionário”. Afligido por diversas enfermidades, continuou a exercer seu ministério sacerdotal com fidelidade e humildade até sua morte em 24 de agosto de 1961. Para sua beatificação, a postulação apresentou ao Dicastério das Causas dos Santos para exame a cura milagrosa, atribuída à sua intercessão, de uma monja beneditina do mosteiro de Santa Escolástica de Bari, acometida em 8 de dezembro de 2001 por uma febre inicialmente considerada causada por uma gripe. Manifestou-se então um enfraquecimento progressivo dos membros superiores e inferiores, foram detectados problemas neurológicos a nível cervical e uma estenose do forame magno com consequente compressão das estruturas bulbo-medulares que tiveram então consequências graves incapacitantes. Em fevereiro de 2003, os restos mortais de Carmelo De Palma foram transferidos para o mosteiro de Santa Escolástica e a abadessa convidou as religiosas a pedirem a intercessão do venerável Servo de Deus pela cura da religiosa. Em 1º de junho de 2003, a religiosa teve uma melhora repentina e na manhã seguinte conseguiu se levantar e andar. Embora testes repetidos tenham confirmado a persistência da pressão na medula, nenhum efeito patológico foi encontrado e a monja recuperou a funcionalidade total de seus membros.

Um novo venerável para o Brasil

Brasileiro, natural de Sobral, no Estado do Ceará, José Antônio Maria Ibiapina, hoje venerável, nasceu em 5 de agosto de 1806. Ingressou no seminário de Olinda (Pernambuco) em 1823, onde permaneceu apenas três meses devido à morte prematura de sua mãe. Quando eclodiu a revolta antilusitana em 1824, durante a qual seu pai e seu irmão foram presos como rebeldes, o primeiro executado e o segundo condenado ao exílio, José foi obrigado a dedicar-se aos estudos jurídicos para poder exercer uma profissão e sustentar suas irmãs que continuavam na pobreza. Após se formar em Direito, tornou-se professor e depois magistrado e delegado de Polícia da Prefeitura de Quixeramobim-Ceará. Em 2 de maio de 1834, foi eleito para o Parlamento Nacional e lhe foi confiada a presidência da Comissão de Justiça Criminal. Em 1835, ele apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos vindos da África em território brasileiro. Mas como suas tentativas de melhorar o sistema judiciário não tiveram sucesso, ele renunciou ao cargo de juiz e, uma vez encerrado seu mandato, não renovou sua candidatura ao Parlamento e mudou-se para Recife a fim de exercer a advocacia ao lado dos mais pobres. Em 1850, ele abandonou sua carreira jurídica, retirou-se para a solidão e voltou a cultivar sua vocação inicial e, em 1853, foi ordenado sacerdote. Foi-lhe confiada várias tarefas na diocese da Paraíba e durante a epidemia de cólera entregou-se sem reservas, tanto que o povo o chamava de “peregrino da caridade”. Fundou várias casas de acolhimento e assistência à saúde, educação cultural e moral, formação religiosa e profissionalizante nas regiões da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ele também organizou missões populares e fez construir igrejas, capelas, hospitais e orfanatos. No final de 1875, ele foi acometido por uma paralisia progressiva dos membros inferiores e foi obrigado a se locomover numa cadeira de rodas. Tendo piorado irreversivelmente, faleceu em 19 de fevereiro de 1883. Foi reconhecido como venerável por sua existência exemplar, por ter vivido uma fé intensa, alimentada pela oração constante e pela Eucaristia e evidenciada por sua constante confiança em Deus e em sua Providência em cada escolha de vida. A fama de santidade que o acompanhou durante sua vida continuou após sua morte, acompanhada de testemunhos de graças.

Fonte: Vatican News

Quaresma: hora de fazer upgrade na alma

Quaresma é bem antiga. Na Igreja primitiva era o tempo de 40 dias de preparação dos catecúmenos para os sacramentos de iniciação que eram recebidos na Vigília Pascal. Esse tempo era encarado como um grande momento de conversão que mudaria a vida toda.

Na Bíblia, vamos encontrar similaridades nos 40 dias de dilúvio que antecederam um mundo totalmente novo, nos 40 dias de Moisés no Sinai que antecederam a nova Lei de Deus, nos 40 dias de Cristo no deserto que antecederam a sua vida pública.

Em todos esses casos temos 40 dias como tempo de preparação para uma grande mudança. Daí entendemos que a Quaresma não pode ser só o momento do ano em que postamos foto com cinzas na testa, compartilhamos calendários de orações que não fazemos e corremos atrás de comprar ovos de chocolate.

Quaresma precisa ser um tempo de mudança. Não podemos sair dela do mesmo jeito que entramos. Precisamos aproveitar estes 40 dias para crescer espiritualmente. Por isso, este tempo tem dois deveres:

  • ordenar as vontades da carne ao espírito;
  • direcionar minha espiritualidade corretamente.

A primeira coisa a fazer é saber ONDE SE QUER CHEGAR. Qual é a sua meta? Analise a sua vida espiritual e veja como você está e onde quer chegar. Seja realista. Não vai sair da perdição à santidade em 40 dias. Mas pode dar passos firmes em direção à Salvação.

Depois, é hora de fazer a carne ficar quieta… e aí entra a forma de penitência que chamamos de MORTIFICAÇÃO. Escolhemos uma penitência que seja contra as nossas vontades da carne, que nos cause algum incômodo.

Pode ser cortar um hábito de que se goste muito, deixar de comer sua comida preferida, usar sapatos mais apertados do que devia pra sentir aquela dor de leve… você que sabe. Mas escolha algo que te incomode.

Esse incômodo tem dois motivos: o primeiro, oferecer reais sacrifícios a Deus, participando de forma mínima da sua Paixão e Morte, que são o caminho para a glória da Ressurreição. Não podemos olhar só para a Páscoa e pular a parte difícil. É preciso participar de tudo.

O segundo motivo é mais didático: o incômodo vai lhe ajudar a lembrar-se de Cristo durante o dia. Você vai se lembrar dEle sempre que tiver que se controlar pra não comer, para não ver seu programa favorito ou quando sentir aquela dorzinha chata. E essas são ocasiões para introduzir um segundo esforço de Quaresma (que nem chamo de penitência): uma nova rotina de oração.

Aproveite esses momentos de lembrança de Cristo para rezar. Assim, você sairá da quaresma rezando de uma maneira nova. Criando um hábito novo de oração. E, aliás, porque não abrir mais espaço no seu dia para uma nova devoção, para a oração do terço, para a Liturgia da Horas, para ir diariamente à Missa? É uma outra forma de renunciar ao mundo e crescer espiritualmente.

Essas duas práticas – mortificação e oração – vão lhe ajudar a chegar na sua meta. A primeira coloca seus desejos carnais em ordem, a segunda direciona o seu espírito e o coloca no rumo certo.

Mesmo que a Quaresma já tenha começado, não perca a chance! Você passa o ano inteiro preocupado em melhorar seu currículo. Agora é hora de fazer um upgrade na sua alma.

Fonte: O Catequista

Caridade: amar com o amor de Cristo!

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”. (2Cor 6,1-2) 

O período quaresmal é o tempo favorável para nos indagarmos: como cumpro os mandamentos de Deus? Para onde a minha vivência pessoal e comunitária está me levando? Rever os próprios passos, examinar atitudes pessoais e comunitárias é essencial para chegarmos à Páscoa  renovados na fé e nas atitudes. Na Quaresma nos é dada a oportunidade de vivermos um verdadeiro retiro espiritual, onde, sob a unção do Espírito Santo, possamos nascer de novo para uma vida mais santa. Entre o saber o que devemos fazer e a pratica dessas atitudes há que se dar um passo corajoso para mudança de hábitos. Jesus nos ensina a prática da caridade e faz dela, a caridade, um novo mandamento de amor! Ele, o Filho de Deus, nos manifesta, caridosamente, o Amor do Pai que Ele recebeu! E, nos diz: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). A caridade é fruto do Espírito Santo e da plenitude da lei. “A caridade é paciente, prestativa e não é invejosa, não se ostenta nem se incha de orgulho. A caridade não procura seus próprios interesses e não guarda rancor. A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13,4-7).

A prática da Caridade implica em fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem conosco. Não é apenas dar algo ao outro, mas é dar-se ao outro! É olhar para o próximo, entender quais são suas necessidades:  materiais ou espirituais? É muito fácil dar algo: um dinheiro, uma comida ou roupas, porém, o mais difícil é dar nosso tempo, nossa palavra e um pouco de aconchego. Caridade é olhar nos olhos do mais necessitado e, com amor, dar-lhe um pouco de nossa essência. Ao olharmos para Jesus na Cruz, vemos que Ele se deu por inteiro a todos, Ele não selecionou alguns para serem beneficiados pela sua morte! Porque então, nós deveríamos escolher a quem ajudar? Quaresma é tempo de renovação, de autoavaliação e discernimento. O que eu aprendi de jesus, eu coloco em prática? Ou simplesmente doo o que me sobra para aliviar minha consciência? Aprender e exercitar a prática da caridade neste tempo quaresmal, nos fará chegarmos à Pascoa definitiva, à vida eterna, com as mãos carregadas daquilo que ofertamos aqui, aos nossos irmãos. A oração, o jejum, a penitência e a caridade são meios de crescimento espiritual e conversão. Olhemos para a Quaresma como uma excelente oportunidade de purificação interior, para que façamos escolhas que favoreçam a obra que Deus quer realizar em nós e através de nós. “Para onde irei, longe do vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar? ”  (Sal 138, 7). Caminhamos para onde dirigimos nossos passos. Que a Virgem Maria, Mãe de Lourdes e  Senhora da Quaresma interceda por nossa conversão. 

Fonte: CNBB

A conversão pessoal é urgente!

Nesta nossa peregrinação neste tempo quaresmal somos tocados pela misericórdia do Senhor, que nos quer pessoas melhores, produzindo frutos de bondade, compaixão, acolhida e ações humanizadas. O Senhor é paciente, bondoso e compassivo, e o seu coração respeita o tempo de cada pessoa, para que entremos no caminho da vida!

Na terceira etapa da caminhada da Quaresma, a liturgia convida-nos, uma vez mais, a tomar consciência do projeto que Deus tem para nós. Decidido a conduzir-nos em direção à vida verdadeira, Deus caminha ao nosso lado, aponta-nos caminhos de liberdade e de vida nova, convida-nos a derrubar tudo aquilo que nos escraviza, nos limita e nos encerra em fronteiras fechadas de egoísmo, de sofrimento e de morte.

Na primeira leitura – Ex 3,1-8a.13-15 – Deus apresenta-se a Moisés e aos hebreus que vivem como escravos no Egito. Ele não olha com indiferença para o sofrimento dos seus filhos escravizados e maltratados; mas está ao lado deles, ajuda-os a libertarem-se das cadeias de morte que os prendem, condu-los em direção à liberdade e à vida plena. A libertação dos escravos hebreus do Egito oferece-nos o modelo que o Deus salvador vai usar, em todas as épocas da história, para salvar o seu povo. Temos, nesta leitura, um texto significativo de toda a história da salvação. Deus se revela a Moisés em uma sarça que ardia, mas que não se consumia, e chama-o. O Senhor revela sua fidelidade ao indicar que cumpriu as promessas feitas a Abraão (Ex 3,6), e confia a Moisés uma missão: libertar o povo da escravidão do Egito e conduzi-lo à terra de liberdade, em que corre leite e mel (Ex 3,8a). Deus tem paciência com nossa demora em nos converter, porém, nesse tempo quaresmal, procuremos refletir se temos nos empenhado, apesar da nossa fragilidade e dos nossos limites, em mudar nosso coração e mentalidade. Perdoamos o suficiente? Criamos e geramos ambientes de paz e concórdia? Empenhamo-nos na preservação da natureza, não desperdiçando água, por exemplo? Acolhemos nossos irmãos e irmãs, cuidamos de nossos doentes e das pessoas idosas com solicitude e misericórdia? Todos esses são pontos de reflexão e conversão para quem se prepara para a Páscoa que se aproxima e para a Páscoa definitiva, nosso encontro pessoal e universal com o Cristo Ressuscitado.

Na segunda leitura – 1Cor 10,1-6.10.12 – ensina que uma experiência religiosa que se traduz em meros rituais externos e vazios não nos assegura a vida e a salvação; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus, a vontade de aceitar a sua proposta de salvação, o seguimento radical de Jesus.

No Evangelho – Lc 13,1-9 – apresenta-nos um apelo veemente de Jesus à conversão, à transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um recentrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida terá sido uma perda de tempo, um projeto falhado.

A primeira parte do Evangelho quer demonstrar-nos que Deus não nos castiga pelos acidentes e dificuldades. Contudo, estes não devem ser ignorados, pois podem servir-nos de advertência para nos mantermos no caminho do arrependimento. A segunda parte do Evangelho, parábola da figueira estéril, nos remeter à demora da Parusia – algo que marcava a vida das primeiras comunidades que esperavam o retorno iminente de Jesus. Ao trazer essa temática, o texto ressalta a grandiosidade de Deus, que deseja a salvação de todos.

Estamos chegando na metade do tempo favorável da Quaresma. Este tempo é de conversão, mudança de vida, penitência, caridade e compromisso com os mais pobres. Fica a indagação: você já se confessou de maneira auricular? Já pediu a Deus e a Igreja perdão de seus pecados? Como têm vivido a sua Quaresma? Por isso o apelo de Jesus é para uma mudança radical de vida. Vamos abandonar o pecado e viver a graça santificante!

Fonte: CNBB

São Nicolau de Flüe afirmava: a misericórdia é maior que a justiça

Origens
Filho de camponeses, Nicolau nasceu na cidadezinha de Flüe, por isso “Nicolau de Flue” onde hoje é a Suíça. Mesmo sem aprender a ler e a escrever, foi considerado um dos maiores místicos da Igreja católica. Entre 1440 e 1444, foi soldado e, depois, oficial militar nas guerras que os confederados declararam aos Habsburgos. Casou com Doroteia, com quem teve dez filhos.

Atitude extraordinária
Passaram-se 20 anos, mas, em Nicolau de Flue, a voz de Deus, que o chamava a uma vida de entrega total, jamais se apagou, muito pelo contrário, pois ele chamava essa voz de “lima que aperfeiçoa e aguilhão que estimula”.

Enfim, o Senhor lhe concedeu as três graças que ele queria:

  1. o consentimento de sua esposa e filhos para partir;
  2. a ausência de tentação de voltar;
  3. a possibilidade de viver sem beber e sem comer.

Aparentemente irresponsável
Embora seu último filho fosse recém-nascido, Nicolau partiu, finalmente, com o objetivo de se retirar e entrar para a vida monacal das comunidades da Alsácia, com as quais estava em contato. Nicolau não foi muito além de Liestal, para não ficar muito longe de casa. Assim, estabeleceu-se em um lugar íngreme, chamado Ranft, onde construiu uma cela de tábuas, que, depois, se tornou capela pelos habitantes da localidade.

São Nicolau de Flüe e os vinte anos de austeridade

Cela
Naquela cela, viveu por 20 anos, vestido com roupas rudes, descalço, com o terço na mão, alimentando-se apenas de Jesus na Eucaristia.

Apostolado
Esta sua escolha despertou a curiosidade dos habitantes da região. Muitos o procuravam para conversar com ele, pedir conselhos, explicações sobre coisas religiosas e até espiá-lo. Eles o chamavam de Bruder Klaus, Irmão Klaus, que falava com simplicidade, sem comparações eruditas, porque seu conhecimento sobre Deus vinha do coração.

Homem da misericórdia
Não obstante sua sede de solidão, ele recebia a todos e transmitia a sua mensagem de paz, que provinha do Evangelho: “Em todas as coisas, a misericórdia é maior que a justiça”, dizia. Nicolau não deixava sempre seu refúgio e, se o fazia, era por uma boa causa. Por exemplo, em 1481, pediram para ele impedir uma guerra fratricida no país. Devido à sua intervenção junto à Assembleia de Stans, hoje o santo é recordado como “Pai da Pátria”.

“Se eu tiver humildade e fé, não erro a estrada” – São Nicolau de Flüe

Morte e canonização
Nicolau de Flüe faleceu em sua cela, em 1487, no dia em que completava 70 anos de idade. Foi canonizado por Pio XII, em 1947.

Minha oração
Encontra-se na Tradição da Igreja uma oração feita por São Nicolau de Flüe. Ouse rezar como ele: “Meu Senhor e meu Deus, afastai de mim tudo o que me distancia de vós! Meu Senhor e meu Deus, concedei-me tudo o que possa me aproximar de vós! Meu Senhor e meu Deus, livrai-me de mim mesmo e permiti-me de viver sempre na vossa presença!”

São Nicolau de Flüe, rogai por nós!


Outros beatos e santos que a Igreja faz memória em 21 de março:

  • São Serapião, anacoreta, no Egito († data inc.)
  • Santos mártires de Alexandria, que, no tempo do imperador Constâncio e do prefeito Filágrio, dentro das igrejas invadidas por arianos e pagãos, foram mortos na Sexta-Feira da Paixão do Senhor. († 339)
  • São Lupicino, abade, que, com o seu irmão São Romão, seguiu a observância da vida monástica nos montes Jura, na atual França († 480)
  • Santo Endeu, abade, que fundou na ilha de Aran um cenóbio tão célebre que, pela sua fama, era chamada ilha dos Santos, na Irlanda († c. 542)
  • São Tiago Confessor, que lutou arduamente pelo culto das sagradas imagens e terminou a sua vida com um glorioso martírio, onde hoje é Istambul, na Turquia († c. 824)
  • São João, bispo, anteriormente abade de Bonnevaux, que sofreu muitas adversidades pela defesa da justiça e ajudou com exímia caridade os camponeses, os pobres e os mercadores arruinados pelas dívidas, na França († c.1145)
  • Beato Tomás Pilchard, presbítero e mártir, que no reinado de Isabel I, foi condenado ao suplício da forca em ódio ao sacerdócio, na Inglaterra. Com ele comemora-se também Guilherme Pike, mártir. († 1591)
  • Beato Mateus Flathers, presbítero e mártir, que tendo sido aluno do Colégio dos Ingleses de Douai, no reinado de Jaime I foi dilacerado vivo pela sua fidelidade a Cristo, na Inglaterra († 1608)
  • Santo Agostinho Zhao Rong, presbítero e mártir, que, durante a perseguição, foi preso e morto pelo nome de Cristo num dia incerto de primavera, na China († 1815)
  • Santa Benedita Cambiágio Frassinello, que fundou o Instituto das Irmãs Beneditinas da Providência, para a formação das jovens pobres e abandonadas, na Itália († 1858)
  • Beato Miguel Gómez Loza, pai de família e mártir, no México († 1928)

Fontes:

  • vaticannews.va
  • Martirológio Romano
  • Liturgia das Horas

– Pesquisa e redação: Fernando Fantini – Comunidade Canção Nova

São José como inspiração para pais adotivos

São José é, para a Igreja e para cada um de nós, a representação de um pai. O protetor fiel da família de Nazaré, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, ele é modelo de humildade e trabalhador, é referência de amor fecundo. No decorrer dos séculos, o culto à São José ganhou lugar importante na sagrada liturgia e ele foi proclamado Padroeiro da Igreja Universal pelo Papa Pio IX, em 1870. Tão bela é sua figura para todos os fiéis, principalmente no que diz respeito a sua paternidade.

Neste dia em que celebramos sua memória, destacamos sua característica paternal e adotiva lembrando as palavras de Papa Francisco, em uma de suas audiências, de que vivemos uma época de orfandade notória e, por isso, refletir sobre o papel de José na Sagrada Família é tão importante.

Na simplicidade de seu lar, José sustentou Maria e acolheu decisivamente Jesus como seu filho. Ele teve coragem de assumir a paternidade legal do filho de Deus e como disse São João Crisóstomo, “colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico. Embora vivamos em um contexto, no Brasil e no mundo, de números elevados de crianças e adolescentes órfãos, precisamos lembrar que também são altos os números de casais na fila de espera para adotar uma criança. Isso é um exemplo vivo de esperança que podemos destacar neste Ano Jubilar.

Papa Francisco encoraja as pessoas que escolhem o caminho da adoção, “aqueles que se abrem a acolher a vida através da via da adoção que é um comportamento generoso, bonito” e ainda afirma que São José nos ensina que este tipo de vínculo não é secundário, que “essa escolha está entre as formas mais elevadas de amor”.

Adoção: um caminho de esperança a exemplo de São José

Como São José, são muitos que se abrem generosamente à missão de serem pais adotivos como aconteceu com a Rita Mendes e seu esposo Adeildo, pais adotivos do Jonas e casados há 15 anos.

Em entrevista ao A12, Rita conta que desde o casamento ela e seu esposo sonhavam com uma família grande, tanto com filhos biológicos quanto adotivos, mas não imaginavam que teriam dificuldades na concepção, como acontece com muitos casais. Com o passar do tempo, sem que pudessem gerar filhos biológicos, iniciaram a jornada rumo à adoção.

“Depois de 5 anos, entendemos que aquele desejo da Adoção, da época de solteiros ainda, estava florescendo. E decidimos então procurar a Vara da Infância para dar início ao processo da Adoção Legal”, afirmou Rita.

Desde que deram a entrada até a chegada do pequeno Jonas, passaram-se 1 ano e 9 meses de espera tempo que, comparado a muitos casos, foi relativamente curto. Jonas nasceu para nós com 5 meses de vida. Tê-lo nos braços pela primeira vez foi a maior emoção e a maior realização das nossas vidas. Era como se tudo que vivemos e sofremos antes, perdesse a importância diante daquele encontro”, exclamou Rita.

O caminho percorrido por São José, Rita e Adeildo, assim como por todos os casais que se abrem a adoção, possui suas exigências e alegrias. Para o casal, foi uma descoberta de que ser pai e mãe, é um processo contínuo de aprendizado e crescimento, e carrega consigo desafios como o da educação integral. “Como família adotiva procuramos falar sempre a verdade, e à medida que ele vai crescendo e entendendo melhor, vai descobrindo sua história (que também é nossa)”, afirmou Rita.

A adoção é um gesto de amor, incentivado pela Igreja como um grande dom para a sociedade. Além dos desafios próprios do amor, na formação de uma nova família, se constrói novas histórias com muitas alegrias para compartilhar e inspirar outras pessoas, como a relatada pela mãe do Jonas:

“Algo que nós fazemos desde o primeiro ano do Jonas conosco, que torna a adoção ainda mais especial: nós celebramos 4 datas especiais. O dia do seu nascimento, o dia que o telefone tocou nos avisando que ele tinha chegado, o dia que nós nos vimos pela primeira vez e e o dia que ele foi para o nosso lar. Jonas está crescendo sabendo de sua história e todos os anos fazemos memória, celebrando cada momento até nossa família se completar. Estes pequenos gestos nos enchem de alegria e vão solidificando ainda mais o nosso amor”, concluiu a mãe.

Ao final da conversa, Rita aconselha as pessoas que desejam adotar a darem o primeiro passo, pois, “se há o desejo, a semente já está plantada e precisa florescer. É importante estar preparado para o processo burocrático, sem buscar “atalhos”, e para ser pais, investir em formação e conhecimento, pois “educar é uma tarefa séria e preciosa.

Peçamos a São José, neste dia especial, sua intercessão por todos que precisam viver o vínculo de amor que se realiza pela paternidade e maternidade, os órfãos e os casais!

Fonte: A12

A Confissão: um guia passo a passo

Neste breve guia encontramos uma ajuda para nos prepararmos para receber com fruto o sacramento da Reconciliação; inclui uma explicação dos passos para nos aproximarmos da Confissão, exames de consciência e textos para meditar na grandeza do perdão que Deus nos quer dar.

S. Josemaria costumava chamar à Confissão o sacramento da alegria, porque através dele se recuperam a alegria e a paz que traz a amizade com Deus, um dom que só o pecado é capaz de roubar às almas dos cristãos.

O que é a confissão?

«O sacramento da Reconciliação é um sacramento de cura. Quando me confesso é para me curar, para curar a minha alma, o meu coração e algo de mal que cometi»[1].

Porquê confessar-se?

Explica o Papa Francisco que «o perdão dos nossos pecados não é algo que possamos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão é pedido a outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, é um dom do Espírito Santo»[2].

É complicado confessar-se?

Não o é tanto: no Catecismo, a Igreja propõe-nos quatro passos para uma boa confissão[3]:

1) Exame de consciência;

2) Contrição (ou arrependimento), que inclui o propósito de não voltar a pecar;

3) Confissão;

4) Satisfação (ou cumprir a penitência).

São quatro passos que damos para poder receber o grande abraço de amor que Deus nosso Pai nos quer dar com este sacramento: «Deus espera-nos, como o pai da parábola, de braços estendidos, ainda que não o mereçamos. Não importa a nossa dívida. Como no caso do filho pródigo, apenas é preciso que abramos o coração»[4].

Explicamos a seguir estes quatro passos, que ajudarão a viver em toda a sua grandeza este sacramento da misericórdia de Deus.

1. Exame de consciência

exame de consciência consiste em refletir sobretudo aquilo que nos tenha podido afastar de Deus

«Que conselhos daria a um penitente para fazer uma boa confissão? – pergunta-se ao Papa Francisco – Que pense na verdade da sua vida frente a Deus, o que sente, o que pensa. Que saiba olhar com sinceridade para si mesmo e para o seu pecado. E que se sinta pecador, que se deixe surpreender, surpreendido por Deus»[5].

O exame de consciência consiste em refletir sobre aquelas ações, pensamentos ou palavras que nos tenham podido afastar de Deus, ofender os outros ou causar-nos dano interiormente.

É o momento de ser sinceros consigo próprio e com Deus, sabendo que Ele não quer que os nossos pecados passados nos oprimam, antes deseja libertar-nos deles para podermos viver como bons filhos seus.

Indicamos algumas perguntas para ajudar a refletir sobre aquilo de que podemos pedir perdão a Deus. Servem apenas como uma orientação: o mais importante é entrar no próprio coração e admitir as próprias faltas. Se queremos, durante a confissão podemos pedir ao sacerdote que nos ajude propondo-nos outras questões.

* * *

2. Contrição e propósito de não voltar a pecar.

A contrição, ou arrependimento, é uma dor da alma e uma rejeição dos nossos pecados, que inclui a resolução de não voltar a pecar.

A contrição, ou arrependimento, é uma dor da alma e uma rejeição dos nossos pecados, que inclui a resolução de não voltar a pecar. É um dom de Deus: por isso, se te parece que ainda estás apegado ao pecado – que, por exemplo, não te vês com forças para abandonar um vício, perdoar a uma pessoa ou emendar um dano causado – pede-lhe a Ele que atue no teu coração, para que rejeites o mal.

Por vezes, o arrependimento chega com um sentimento intenso de dor ou vergonha, que nos ajuda a emendar-nos. No entanto, não é indispensável sentir esse tipo de dor; o importante é compreender que agimos mal, ter desejos de melhorar como cristãos e fazer o propósito de não voltar a cometer essas faltas.

«A contrição – explica o Papa – é o pórtico do arrependimento, é essa senda privilegiada que leva ao coração de Deus, que nos acolhe e nos oferece outra oportunidade, sempre que nos abramos à verdade da penitência e nos deixemos transformar pela sua misericórdia»[6].

Existem várias orações que servem para manifestar a contrição, por exemplo, a seguinte:

Meu Deus, arrependo-me de todo o coração de todos os meus pecados e detesto-os, porque ao pecar, não só mereço as penas que causam, mas principalmente porque te ofendo a Ti, sumo Bem e digno de amor acima de todas as coisas. Por isso proponho firmemente, com a ajuda da Tua graça, daqui em diante não voltar a pecar e fugir de toda a ocasião de pecado. Amém.

3. Confessar os pecados.

Uma boa confissão é dizer os pecados ao sacerdote de forma clara, concreta, concisa e completa.

A confissão consiste na acusação dos pecados feita diante do sacerdote.

«Confessar-se com um sacerdote é um modo de pôr a minha vida nas mãos e no coração de outro, que nesse momento atua em nome e por conta de Jesus. (…) É importante que vá ao confessionário, que me ponha a mim mesmo frente a um sacerdote que representa Jesus, que me ajoelhe frente à Mãe Igreja chamada a distribuir a misericórdia de Deus. Há uma objetividade neste gesto, em ajoelhar-me frente ao sacerdote, que nesse momento é o canal da graça que me chega e me cura»[7].

Costuma dizer-se que uma boa confissão tem “4 C”:

1. Clara: indicar qual foi a falta específica, sem acrescentar desculpas.

2. Concreta: referir o ato ou pensamento preciso, não usar frases genéricas.

3. Concisa: evitar dar explicações ou descrições desnecessárias.

4. Completa: sem calar nenhum pecado grave, vencendo a vergonha.

A confissão é um sacramento, cuja celebração inclui certos gestos e palavras da parte do penitente e do sacerdote. A seguir vamos-te explicar como se desenvolve, com um gráfico que podes descarregar aqui:

4. Cumprir a penitência

O sacerdote indica uma penitência para reparar o dano causado.

A satisfação consiste no cumprimento de certos atos de penitência (orações, alguma mortificação, etc.), que o confessor indica ao penitente para reparar o dano causado pelo pecado.

É uma ocasião também para dar graças a Deus pelo perdão recebido e renovar o propósito de não voltar a pecar.

Fonte: Opus Dei