“Entre no Clima”: campanha convida fiéis a participarem da climatização da Catedral da Luz

Com o objetivo de proporcionar mais conforto aos fiéis e preservar o patrimônio histórico e espiritual, a Catedral de Nossa Senhora da Luz lançou a campanha “Entre no Clima”, que visa arrecadar recursos para a instalação de um moderno sistema de climatização da Igreja Mãe da Diocese de Guarabira.

A iniciativa surgiu a partir da escuta atenta da comunidade e da necessidade de oferecer um ambiente mais acolhedor para as celebrações litúrgicas, especialmente em dias de forte calor, cada vez mais frequentes. Além do conforto térmico, a climatização também contribuirá para a conservação dos elementos artísticos e arquitetônicos da Catedral, que é um dos mais importantes marcos religiosos e culturais da cidade.

A campanha está aberta a doações de qualquer valor. Os fiéis podem contribuir de forma presencial, diretamente na secretaria paroquial, ou por meio de transferência PIX. Toda a arrecadação será destinada exclusivamente à instalação dos equipamentos de climatização e às adaptações necessárias para garantir eficiência e sustentabilidade no uso do sistema.

Além das doações financeiras, a Catedral também incentiva a divulgação da campanha nas redes sociais, entre amigos, familiares e grupos da Igreja. Segundo os organizadores, a força da comunhão pode transformar o projeto em realidade.

Campanha “Entre no Clima” – Climatização da Catedral da Luz
📍 Catedral de Nossa Senhora da Luz
📞 Informações: (83) 3271-4828
💳 Doações via PIX: 08.298.416/0002-20 (CNPJ)
🔗 Redes sociais: @catedraldaluz

 

Tem diferença entre ser cristão e ser católico?

Ser cristão não é apenas dizer que acredita em Jesus, ou que acha interessante o que Ele fez e falou. A fé em Jesus deve levar a um testemunho dele, numa comunidade que também acredita nele, como disse Jesus: “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20). Sendo assim, ser cristão é seguir Jesus e identificar-se com Ele.

Então, o que realmente é ser cristão?

Em Atos dos Apóstolos 11, 26, vemos que foi na cidade de Antioquia que os discípulos de Jesus foram, pela primeira vez, chamados de cristãos. Então percebemos que ser cristão não é um título, mas sim uma forma de viver, uma conduta pautada na pessoa de Jesus Cristo.

Ser cristão é estar comprometido com a Verdade que é Cristo. A fé em Jesus deve gerar comprometimento com a causa do Reino de Deus. Ser cristão é querer ser continuador de sua missão e do seu jeito de amar no mundo. A pessoa se torna cristã no dia do seu batismo, quando passa a deixar o Espirito Santo de Deus conduzir sua vida.

Todo católico é cristão, mas nem todo cristão é católico

Isto porque alguns seguidores de Jesus não pertencem à Igreja Católica. Muitos seguidores de Jesus se identificam como cristãos, mas não como católicos, como é o caso dos protestantes e ortodoxos.

O cristão católico aceita a plenitude da fé revelada por Cristo e contida na Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja e na Tradição. O Católico participa dos Sacramentos e reconhece a autoridade do Papa (sucessor de Pedro) e dos Bispos (sucessores dos apóstolos).

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Igreja constituída pelos cristãos católicos é Una, Santa, Católica e Apostólica. Essas quatro características são tomadas da Profissão de Fé dos concílios de Nicéia e Constantinopla, e mostram os 4 aspectos fundamentais da Igreja Católica: sua unidade, sua santidade, sua universalidade e sua base apostólica (com base nos discípulos que viram e tocaram Cristo).

A Igreja se chama Católica porque acolhe, em seu interior, todos os seguidores de Cristo, de todos os tempos e lugares. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todos os povos” (Mc 16,15).

Então, muito mais do que falar de diferenças, devemos olhar nossa semelhança, que está na fé em Jesus Cristo e no desejo de continuar levando seu Evangelho a todas as pessoas.

Que Cristãos e Católicos, em todos os tempos e lugares, possam realmente dar testemunho de pertença a Cristo e de sinceridade em fazer a vontade do Pai, vivendo sempre o mandamento do amor e do respeito ao próximo, pois Jesus disse que nossa maior identidade de discípulos está na vivência do amor: “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

.:: Quer se aprofundar mais sobre o assunto? Assista ao vídeo abaixo!

:: Mudei de religião, mas quero voltar para a Igreja Católica. O que fazer?

Fonte: A12

Onde está a riqueza

É uma questão emblemática, porque pode ser entendida por diversos âmbitos da vida humana. A riqueza não se limita a bens materiais, porque o pano de fundo é o bem da pessoa, que atinge também a ordem sobrenatural, a plenitude da vida em Deus, hoje e na eternidade. Normalmente, fruto de esforços efetivos e diários, não imediatos e comprometidos com a construção daquilo que conta. 

Não podemos entender o acúmulo desnecessário de bens materiais como riqueza. Aliás, acumulado através de ações injustas e sem função social, é verdadeira pobreza.  Para muitos, aí está o sucesso de bens e status, que provoca sofrimento daqueles que estão na realidade inversa, quase sempre impossibilitados de vida digna. Para Jesus, a verdadeira riqueza é a da partilha, com generosidade. 

A Sagrada Escritura usa a expressão “Vaidade das vaidades” (Ecl 1,2) para destacar o nível de transitoriedade e de vazio numa vida centrada no supérfluo da acumulação. Não está aí a verdadeira riqueza da pessoa. Todo esforço que não leva em conta os valores espirituais e eternos, acaba provocando vazio e angústia existencial, porque o coração das pessoas não se satisfaz sem Deus. 

A verdadeira riqueza da vida humana se consolida quando a pessoa coloca Jesus Cristo no centro de sua história. Às vezes nem necessita de bens materiais. Na visão do apóstolo Paulo, o mais importante é aspirar as “coisas do alto” (cf. Cl 3,1), evitando ficar preso aos bens terrenos, porque são todos passageiros. Não significa desprezá-los, mas usá-los como caminho que conduz a Deus. 

Não é fácil identificar com precisão onde está a riqueza, principalmente quando não se tem conhecimento, formação e nem assentimento aos indicativos do Evangelho e da vida em Deus. O mundo passa, a matéria fica, a vida acaba na sepultura, sem levar nada a não ser os frutos da fé, da esperança e da caridade praticada a favor do próximo na construção do bem comum na sociedade. 

 Infelizmente, muitas famílias são divididas por causa de herança. Há aqueles que não se conformam com o tipo de partilha e não se abrem para um diálogo frutuoso, preferindo ficar mergulhados numa insensibilidade e sofrimento egoísta. Isto revela juntar tesouro na terra sem ser rico diante de Deus. Importa busca a riqueza da generosidade, do amor e da comunhão com Deus e com o irmão. 

Fonte: CNBB

CNBB realiza coletiva dia 1º de julho sobre documento a ser entregue ao Papa com posição da Igreja sobre a COP30

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida para uma coletiva a ser realizada às 10h30, do dia 1º de julho, em sua sede – Setor de Embaixadas Sul Quadra 801 Conjunto B – Asa Sul, em Brasília (DF), na qual apresentará o documento “Um chamado por justiça climática e a Casa Comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”.

O documento, que expressa uma visão da Igreja Católica do Sul Global sobre a COP30, contém os principais pontos de incidência política, propostas e denúncias da Igreja com respeito à crise climática e às pautas em debate no contexto da Conferência das Organizações Nações Unida (ONU) sobre o Clima que acontecerá no Brasil, em novembro.

O texto será entregue ao Papa Leão XIV, em Roma, também no próximo dia 1ª de julho pelo presidente da CNBB e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), o cardeal Jaime Spengler, pelo representante das Conferências Episcopais da África, o cardeal Fridolin Ambongo Besungu, e pelo representante das Conferências Episcopais da Ásia, cardeal Felipe Neri.

Etapa preparatória à COP30

O documento foi utilizado pela Igreja Católica como instrumento de diálogos bilaterais na Conferência de Bonn (Alemanha, 16 a 26 de junho), etapa preparatória à COP30. Será entregue à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda dia 1º de julho, e apresentando em audiência pública na Câmara dos Deputados, no próximo dia 3 de julho.

Participam da coletiva, o primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros, e o presidente da Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente de Paula Ferreira. O presidente da CNBB, cardeal Spengler, enviará um vídeo, de Roma, contando sobre como foi a entrega e a recepção do documento pelo Santo Padre, Leão XIV.

A ação faz parte ainda das celebração do Junho Verde, campanha em defesa da Casa Comum e por mais sustetanbilidade. Pede-se as jornalistas a  gentileza de confirmar presença, pelo e-mail imprensa@cnbb.org.br ou pelo telefone (61) 2103-8300.

Fonte: CNBB

Domingo de Pentecostes

Hoje celebramos Pentecostes, o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, transformando-os de homens temerosos em mensageiros ousados do Evangelho. Os textos litúrgicos de hoje nos mostram a ação poderosa do Espírito, que não apenas dá vida à Igreja, mas também nos convida a participar dessa missão de unidade e testemunho. 

Na 1.⁠ª (Atos 2,1-11), vemos o Espírito descer como um vento impetuoso e línguas de fogo, capacitando os discípulos a falar em diversas línguas. Povos de diferentes nações ouvem a mensagem do Evangelho em sua própria língua. Esse milagre não é apenas linguístico, mas um sinal da universalidade da Igreja. O Espírito Santo derruba as barreiras da divisão, como as da Torre de Babel, e cria uma nova unidade na diversidade. Ele nos ensina que a verdadeira comunhão não elimina as diferenças, mas as harmoniza em torno de Cristo. 

Na 2.⁠ª (1 Coríntios 12,3b-7.12-13), São Paulo nos lembra que o Espírito Santo concede dons variados, mas todos para o bem comum. Assim como o corpo humano é uno, mas composto por muitos membros, a Igreja é uma na sua diversidade. Cada um de nós recebe dons do Espírito – sejam talentos, carismas ou vocações – para edificar a comunidade. O Espírito nos une como um só corpo, independentemente de nossas origens ou condições, porque todos fomos “batizados num só Espírito”. 

No Evangelho (João 20,19-23), Jesus aparece aos discípulos, ainda tomados pelo medo, e sopra sobre eles o Espírito Santo, dizendo: “Recebei o Espírito Santo”. Esse sopro recorda o momento da criação, quando Deus insuflou o sopro da vida em Adão. Agora, Jesus, o novo Adão, dá o Espírito para uma nova criação: a Igreja, enviada ao mundo para perdoar pecados e levar a paz. O Espírito Santo é o dom da vida nova, que nos liberta do medo e nos capacita para a missão. 

Santo Agostinho, em um de seus sermões, reflete sobre o Espírito Santo como o vínculo de amor entre o Pai e o Filho, dizendo: “O Espírito Santo é a caridade que une e santifica. Ele é o dom de Deus que nos faz viver em comunhão com Ele e com os irmãos”. Para Agostinho, o Espírito é a alma da Igreja, que a vivifica e a move para a missão. Sem o Espírito, nossa fé seria apenas palavras; com Ele, torna-se vida e testemunho. 

Pentecostes, portanto, é a festa da Igreja missionária, unida e renovada pelo Espírito. É um convite para que cada um de nós se abra à ação do Espírito Santo, permitindo que Ele transforme nossos medos em coragem, nossas divisões em unidade, e nossos dons em serviço. 

Ideias Práticas para Viver a Solenidade de Pentecostes  

Oração ao Espírito Santo: Reserve um momento diário para invocar o Espírito Santo, pedindo sua luz e força para suas decisões e desafios.  

Vida comunitária: Participe ativamente de sua comunidade paroquial, valorizando a diversidade de dons e contribuindo com os seus.  

Reconciliação: O grande dom do Espírito Santo inclui a reconciliação da humanidade com Deus e entre si. Busque o sacramento da confissão sempre que necessário, recordando que o Espírito Santo é dado para perdoar pecados e renovar a vida.  

Testemunho: Compartilhe sua fé com gestos concretos de amor e serviço, especialmente com aqueles que estão distantes ou desanimados.  

Abertura aos dons do Espírito: Reflita sobre os dons que Deus lhe deu (sabedoria, fortaleza, piedade, etc.) e coloque-os a serviço dos outros.  

Que o Espírito Santo, derramado em Pentecostes, continue a nos guiar, unir e enviar em missão. Amém. 

Fonte: CNBB

Igreja: comunidade em oração e missão!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A Ascensão do Senhor Jesus ao céu marca a sua volta para a casa do Pai e incide diretamente na vida dos discípulos. O mundo é o mesmo de antes da sua encarnação, morte e ressurreição, mas passa a ser visto com olhos renovados a partir da luz da fé. As alegrias e as dores, as desilusões e as esperanças adquirem um novo significado. A luz do ressuscitado abre aos homens e mulheres de fé novos horizontes, que lhes oferecem a possibilidade de encontrar um novo sentido em tudo aquilo que acontece ao longo da vida, mesmo vivendo num mundo assolado por guerras e injustiças que ferem e destroem o sagrado dom da vida de tantas pessoas inocentes.

A Igreja tem como missão anunciar o Reino de Deus ao mundo. Podemos dizer que é uma missão sublime, mas ao mesmo tempo árdua, em que os discípulos devem empenhar as próprias forças sem desprezarem a graça de Deus. “Não tenhas medo, porque eu estarei contigo e ninguém procurará fazer-te mal” (At 18,9-10). A promessa de Jesus ressuscitado, feita aos discípulos que iniciam o anúncio e a missão junto às primeiras comunidades, não pode ser esquecida pela comunidade cristã: “Eis, que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 1,22,23).

Não podemos esquecer que a Igreja, mesmo sendo uma comunidade ferida e frágil é, ao mesmo tempo, portadora de uma mensagem de esperança para todos os seus filhos. Todos os fiéis podem encontrar na Igreja um espaço de crescimento espiritual, porque essa não é constituída por uma elite de puros, mas uma comunidade de santos e pecadores, que acolhem e caminham para a santidade na casa do Pai.

Não queremos negar a fragilidade da Igreja, mas queremos também fazer conhecer a sua missão e a sua dignidade. E a primeira e fundamental dignidade da Igreja é ser comunidade convocada por Jesus Cristo. A Igreja é, portanto, uma comunidade frágil, mas que foi beneficiada por Jesus através da sua revelação, no seu corpo glorioso da ressurreição. A Igreja é, então, uma realidade histórica e teológica, comunidade de santos e pecadores, investida de uma dignidade altíssima, sujeita às misérias dos homens e, por isso, testemunha da misericórdia do Pai, da qual é a primeira beneficiada, e, portanto, pode e deve anunciá-la ao mundo na sua ação missionária e evangelizadora.

Quantas alegrias e dores acompanharam a vida daqueles que deixaram tudo para responder ao convite do Senhor: “vem e segue-me”. Eles aprenderam a conhecer o Mestre, percorrendo com ele o caminho do amor serviço pela causa do Reino; aprenderam a ser discípulos, esvaziando-se das ambições temporais, das seguranças do mundo, para serem peregrinos do Evangelho, entregando a vida e confiando nas palavras de Jesus, na sua proximidade, na ressurreição e na vida eterna.

Essa confiança na proximidade do Senhor, que partiu para o céu mas continua presente no mundo, alimentando a nossa caminhada de discípulos e discípulas, com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia, é fundamental na vida do cristão e das comunidades que se reúnem para celebrar a fé no Senhor Jesus.

Fonte: CNBB

Leão XIV: sem pressa e como o Bom Samaritano, ter compaixão e parar para ajudar o próximo

O Pontífice continuou o ciclo de catequeses sobre as parábolas do Evangelho e nesta quarta-feira (28/05), dia de Audiência Geral, refletiu sobre aquela do Bom Samaritano para nos lembrar das experiências diárias em que nós encontramos a fragilidade do outro e podemos decidir “crescer em humanidade” cuidando das feridas ou passar longe: “quando seremos capazes de parar a nossa viagem e ter compaixão?”, pois “aquele homem ferido na estrada representa cada um de nós” que Jesus sempre tem cuidado.


Mais um dia de sol e calor em Roma para colaborar com a participação dos peregrinos na Audiência Geral na Praça São Pedro. Nesta quarta-feira (28/05), cerca de 40 mil fiéis ouviram o Papa Leão XVI meditar mais uma vez sobre as parábolas do Evangelho, uma forma para “nos abrirmos à esperança. A falta de esperança, por vezes, deve-se ao fato de estarmos fixados numa certa forma rígida e fechada de ver as coisas, e as parábolas nos ajudam a vê-las de outro ponto de vista”, disse o Pontífice logo no início da sua reflexão.

Cerca de 40 mil pessoas estiveram na Praça São Pedro para a Audiência Geral   (@Vatican Media)

O Bom Samaritano

A parábola usada desta vez por Leão XVI foi uma das mais famosas de Jesus, aquela do Bom Samaritano (ver Lc 10,25-37), quando um doutor da Lei que, centrado em si mesmo e sem se preocupar com os outros, interroga Jesus sobre quem é o “próximo” a quem deve amar. O Senhor procura mudar a ótica contando a parábola que “é uma viagem para transformar a questão”: não se deve perguntar quem é o próximo, mas fazer-se próximo de todos os que necessitam.

O cenário da parábola é “o caminho percorrido por um homem que desce de Jerusalém, a cidade sobre o monte, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar”, um caminho “difícil e intransitável, como a vida”, comentou o Pontífice. Durante o percurso, aquele homem “é atacado, espancado, roubado e deixado meio morto”. Uma experiência vivida diariamente, quando nos encontramos com o outro, com a sua fragilidade, e podemos decidir cuidar das suas feridas ou passar longe:

“A vida é feita de encontros, e nesses encontros nos revelamos quem somos. Encontramo-nos perante o outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada acontece.”

A compaixão é uma questão de humanidade

Um sacerdote e um levita, que “vivem no espaço sagrado”, passam pelo mesmo caminho. No entanto, “a prática do culto não leva automaticamente à compaixão”, recordou Leão XVI, porque “antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos”.

Muitas vezes a pressa, “tão presente nas nossas vidas”, também pode nos impedir de experimentar a compaixão, que deve ser expressa em gestos concretos. “Aquele que pensa que a sua própria viagem deve ter prioridade não está disposto a parar por um outro”, alertou o Pontífice, diversamente do samaritano que se fez próximo daquele que estava ferido.

“Este samaritano para simplesmente porque é um homem perante um outro homem que precisa de ajuda. A compaixão é expressa através de gestos concretos. O evangelista Lucas detém-se nas ações do samaritano, a quem chamamos ‘bom’, mas que no texto é simplesmente uma pessoa: o samaritano se aproxima, porque se se quer ajudar alguém não se consegue pensar em manter a distância, é preciso envolver-se, sujar-se, talvez contaminar.”

O Bom Samaritano toma conta dele, “porque realmente se ajuda quem está disposto a sentir o peso da dor do outro”, ressaltou Leão XIV, porque “o outro não é um pacote para ser entregue, mas alguém para cuidar”. Como Jesus faz conosco, assim devemos fazer com nossos irmãos necessitados de auxílio:

“Queridos irmãos e irmãs, quando é que nós também seremos capazes de parar a nossa viagem e ter compaixão? Quando compreendermos que aquele homem ferido na estrada representa cada um de nós. E então a recordação de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós, vai nos tornar mais capazes de sentir compaixão. Rezemos, então, para que possamos crescer em humanidade, para que as nossas relações sejam mais verdadeiras e ricas em compaixão.”

Fonte: Vatican News

Domingo da Ascensão do Senhor

A Solenidade da Ascensão do Senhor é um momento de contemplação e ação. Celebramos a glorificação de Jesus, que, após cumprir sua missão terrena, retorna ao Pai, levando consigo a nossa humanidade redimida. Este mistério não é somente o fim da presença visível de Cristo, mas o início de uma nova forma de sua presença entre nós, através do Espírito Santo e da Igreja. Como nos recorda o Evangelho de Lucas, Jesus envia seus discípulos como testemunhas, prometendo a força do Espírito para guiá-los (Lucas 24,46-53). A Ascensão nos desafia a não ficarmos “olhando para o céu” (Atos 1,11), mas a sairmos em missão, anunciando o Evangelho com coragem e alegria. Hoje, também somos chamados a refletir sobre nossa responsabilidade de comunicar a fé, especialmente no contexto do 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais. 

O livro dos Atos (Atos 1,1-11), escrito por São Lucas, começa com a narrativa da Ascensão, conectando a vida de Jesus à missão da Igreja. Jesus, após sua ressurreição, passa quarenta dias preparando os discípulos, falando do Reino de Deus e prometendo o Espírito Santo. A pergunta dos apóstolos — “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” — revela uma visão ainda limitada, focada em expectativas políticas. Jesus, porém, redireciona o foco para a missão universal: “Sereis minhas testemunhas… até os confins da terra” (Atos 1,8). A Ascensão, simbolizada pela nuvem que o oculta, é um ato divino que aponta para a glória de Cristo e o início do tempo da Igreja, guiada pelo Espírito. Somos desafiados a deixar de lado nossas visões estreitas e a abraçar a missão de levar o Evangelho a todos. 

São Paulo, em sua carta aos Efésios (Efésios 1,17-23), nos convida a pedir a Deus um “espírito de sabedoria e revelação” para compreender a esperança à qual fomos chamados. Ele destaca a supremacia de Cristo, elevado acima de todo poder e colocado como cabeça da Igreja, a qual é seu corpo. A Ascensão não é apenas um evento celestial, mas a garantia de que Cristo governa a história e a Igreja, enchendo-a com sua presença. Esta leitura nos lembra que nossa missão como Igreja está fundamentada na certeza de que Cristo está vivo e atua em nós, capacitando-nos a sermos seus instrumentos no mundo. 

No Evangelho de Lucas (Lucas 24,46-53), Jesus resume sua missão: sofrer, ressuscitar e enviar os discípulos a pregar o arrependimento e o perdão dos pecados em seu nome. Ele promete o Espírito Santo, que os revestirá de força, e os abençoa antes de ser elevado ao céu. Os discípulos, longe de ficarem tristes, retornam a Jerusalém “com grande alegria”, louvando a Deus no templo. Este trecho nos ensina que a Ascensão não é uma despedida melancólica, mas uma fonte de alegria e missão. Jesus não nos abandona; Ele nos confia a tarefa de continuar sua obra, sustentados pela promessa do Espírito Santo. 

A mensagem do então Papa Francisco para o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais, intitulada Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações” (1 Pedro 3,15-16), nos convida a comunicar o Evangelho com autenticidade, humildade e respeito. O Papa destacava que a comunicação cristã deve ser marcada pela mansidão, refletindo a esperança que brota da fé em Cristo ressuscitado. Em um mundo marcado por polarizações e conflitos, somos chamados a ser pontes, anunciando a Boa Nova com palavras e ações que promovam a paz e o diálogo. Esta mensagem ecoa o chamado da Ascensão: assim como os discípulos foram enviados a proclamar o Evangelho, nós também somos chamados a usar os meios de comunicação — sejam eles tradicionais ou digitais — para partilhar a esperança que vem de Cristo, sempre com caridade e verdade. 

Santo Agostinho, em seu Tratado sobre o Evangelho de João, oferece uma reflexão profunda sobre a Ascensão:  

Se Ele não se afastasse corporalmente, veríamos sempre seu Corpo através de olhos carnais e não chegaríamos a crer espiritualmente; e esta fé é necessária para que, justificados e beatificados por ela e tendo o coração limpo, mereçamos contemplar esse mesmo Verbo de Deus em Deus” (In Ioannis Evangelium, Tractatus XCIV, n.5).  

Agostinho nos ensina que a Ascensão de Jesus não é uma perda, mas uma graça. Ao subir ao céu, Cristo nos liberta da visão meramente física e nos convida a uma fé mais profunda, que enxerga sua presença espiritual na Igreja, nos sacramentos e na missão. Essa reflexão nos desafia a viver a Ascensão como um chamado à maturidade espiritual, confiando na promessa de Jesus: “Eu estarei sempre convosco até o fim dos tempos” (Mateus 28,20). 

Irmãos e irmãs, a Ascensão nos convida a sermos uma Igreja missionária. Não podemos ficar parados, “olhando para o céu”, mas devemos descer às realidades do mundo, levando a mensagem de esperança e salvação. Como comunicadores da fé, somos chamados a usar nossas palavras, ações e até mesmo as redes sociais para partilhar a alegria do Evangelho com mansidão. Que o Espírito Santo, prometido por Jesus, nos ilumine e fortaleça para sermos testemunhas fiéis de Cristo em nossa família, trabalho e comunidade. 

Nesta Solenidade da Ascensão, celebramos a vitória de Cristo e nossa vocação de sermos seus missionários. Que a reflexão de Santo Agostinho nos inspire a viver uma fé espiritual e madura, e que a mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais nos motive a comunicar a esperança com mansidão. Peçamos ao Espírito Santo que nos guie, para que, como os discípulos, possamos voltar de cada Eucaristia com “grande alegria”, louvando a Deus e anunciando sua Boa Nova. Amém. 

 Fonte: CNBB

Leão XIV: com o coração na mão, peço para dialogarmos pela paz

Em audiência com 5 mil pessoas na Sala Paulo VI, o Pontífice fez um discurso por ocasião do Jubileu das Igrejas Orientais que termina nesta quarta-feira (14/05). Leão XVI alertou para o risco de se perder o patrimônio dos cristãos orientais devido à diáspora “por causa da guerra e perseguições, da instabilidade e da pobreza” e fez mais um apelo pelo silêncio das armas: “os povos querem a paz, e eu, com o coração na mão, digo aos líderes das nações: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos!”.


O Papa Leão XIV, há quase uma semana da sua eleição como Sucessor de Pedro, encontrou os 5 mil participantes do Jubileu das Igrejas Orientais na Sala Paulo VI, no Vaticano. A audiência nesta quarta-feira (14/05) marcou o dia de encerramento de mais um jubileu temático, o de número 13 deste Ano Santo da esperança, que desde terça-feira (12/05) reuniu fiéis e representantes das Igrejas Orientais Católicas, patriarcas e metropolitas de mais de 10 países, inclusive do Brasil, presentes na audiência com bandeiras do país. Durante dois dias, os participantes celebraram a Divina Liturgia em diferentes ritos, como aquele etíope, armeno, copto e siríaco-oriental. Durante a tarde desta quarta-feira (14/05), os peregrinos concluem o jubileu com aquela em rito bizantino na Basílica de São Pedro.

Fiéis provenientes inclusive do Brasil estiveram presentes na audiência na Sala Paulo VI (@VATICAN MEDIA)

 

E uma das primeiras audiências do Pontificado, Leão XIV acolheu os fiéis orientais com uma saudação que o “Oriente cristão repete incasavelmente neste tempo pascal” de fé e esperança sobre a Ressureição de Jesus – “o fundamento indestrutível”: “Cristo ressuscitou. Ressuscitou verdadeiramente!”. O Papa direcionou o olhar, assim, aos “irmãos e irmãs do Oriente, onde nasceu Jesus”, descrevendo-os como “preciosos” pela diversidade de proveniência, história e sofrimentos.

O perigo de se perder o patrimônio das Igrejas Orientais

“São Igrejas que devem ser amadas”, citando o Papa Francisco, pelos “tesouros inestimáveis”, pela “vida cristã, sinolidade e liturgia”; com “um papel único e privilegiado”, como escreveu também João Paulo II. Já Leão XIII, recordou ainda o Papa, “foi o primeiro a dedicar um documento específico à dignidade das Igrejas” Orientais pela “legítima diversidade da liturgia e da disciplina orientais”. Na Carta Orientalium Dignitas (30 de novembro de 1894), Leão XIII também demonstrou uma preocupação que ainda é atual, pelo fato de muitos fiéis orientados serem “forçados a fugir dos seus território de origem por causa da guerra e perseguições, da instabilidade e pobreza”, correndo o risco de, “ao chegarem no Ocidente, de perder, além da pátria, também a própria identidade religiosa. E, assim, com o passar das gerações, se perde o inestimável patrimônio das Igrejas Orientais”.

Junto a Leão XIII, o Papa se uniu em um apelo  aos “cristãos — orientais e latinos — que, especialmente no Oriente Médio, perseverem e resistam nas suas terras, mais fortes do que a tentação de abandoná-las. Aos cristãos é preciso dar a oportunidade, não apenas com palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Peço a vocês que se empenhem para isso!”. Uma preservação dos ritos orientais que deve ser promovida “sobretudo na diáspora”, disse o Pontífice. Um pedido dirigido inclusive ao Dicastério para as Igrejas Orientais: “de me ajudar a definir princípios, normas e diretrizes por meio dos quais os Pastores latinos possam apoiar concretamente os católicos orientais da diáspora a preservar as suas tradições vivas e a enriquecer com a sua singularidade o contexto em que vivem”.

“A Igreja precisa de vocês. Quão grande é a contribuição que o Oriente cristão pode nos dar hoje! Como temos necessidade de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas liturgias de vocês, que envolvem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e inspiram o estupor pela grandeza divina que abraça a pequenez humana!”

Leão XIV enalteceu sobre a preservação dos ritos orientais que deve ser promovida “sobretudo na diáspora” (@VATICAN MEDIA)

Leão XIV e Santa Sé juntos para promover a paz

O discurso de Leão XIV, então, se dirigiu fortemente por mais um apelo pela paz: “não tanto aquele do Papa, mas o de Cristo, que repete: ‘a paz esteja convosco'”. Uma paz tão necessária “da Terra Santa à Ucrânia, do Líbano à Síria, do Oriente Médio ao Tigré e ao Cáucaso, quanta violência!”, lamentou o Papa, que também convidou a rezar “por essa paz, que é reconciliação, perdão, coragem para virar a página e recomeçar”. A Igreja, insistiu o Pontífice, “não se cansará de repetir: silenciem as armas”:

“Farei todo o possível para que essa paz se difunda. A Santa Sé está à disposição para que os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos, para que os povos redescubram a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz, e eu, com o coração na mão, digo aos líderes das nações: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos! A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem silenciar, pois não resolvem os problemas, mas os aumentam; porque entrará para a história quem semeará paz, não quem que criará vítimas; porque os outros não são, antes de tudo, inimigos, mas seres humanos: não vilões a serem odiados, mas pessoas com quem falar.”

Fonte: Vatican News

Francisco e Leão: nome do novo Papa remonta a amizade profunda de São Francisco de Assis

 

Ainda não foram divulgados detalhes sobre o que inspirou o cardeal Robert Francis Prevost a escolher como nome papal Leão XIV. Mas algumas referências históricas e contextuais chamaram atenção de jornalistas, estudiosos e clérigos, que buscam ler como tudo isso vai ser relacionado com o ministério pretrino que terá início nos próximos dias.

Uma primeira referência que chama atenção é quanto aos Papas que escolheram o nome de Leão, um dos mais utilizados pelos pontífices na história. O primeiro, Papa Leão Magno, ficou marcado na história pela definição da Cristologia, quanto à natureza humana e divina de Cristo, durante o Concílio de Calcedônia, no ano de 451. O mais recente, Leão XIII, governou a Igreja por 25 anos, entre 1878 e 1903, e destacou-se por sua intensa produção de documentos, especialmente quanto ao pensamento social da Igreja, cujo expoente é a encíclica Rerum Novarum, de 1891. O documento lançou as bases da Doutrina Social da Igreja e ainda hoje é referência em debates sobre justiça social e direitos dos trabalhadores.

Já a outra referência diz respeito a uma amizade profunda de São Francisco de Assis com o frei Leão, considerado culto sacerdote e hábil calígrafo entre os franciscanos, que foi secretário pessoal e confessor do santo de Assis. A ele, São Francisco dedicou uma afetuosa bênção, contida no manuscrito “Bilhete a Frei Leão”:

“Irmão Leão, teu irmão Francisco te envia saúde e paz. Estou a falar-te, meu filho, como faria uma mãe. Toda conversa que tivemos no caminho a resumo aqui numa palavra de decisão e conselho. E, se depois te for preciso vir a mim, a tomar conselho, eis o que te recomendo:

Do modo que melhor te parecer agradar ao Senhor Deus, e seguir seus passos e sua pobreza, assim farás com a bênção do Senhor Deus e a minha obediência.”

Os franciscanos contam desse relacionamento bem equilibrado entre Francisco e Leão, sendo que “apenas Leão era capaz de preservar e proteger a intimidade de Francisco e por isso foi o único a estar perto do encontro chagado e ardente ao mesmo tempo entre Francisco e seu Deus no monte La Verna”.

Leão também aparece junto com São Francisco no famoso episódio da “perfeita alegria”. Enquanto caminhavam, Francisco pede para Leão tomar nota de algumas reflexões: em nenhuma das situações citadas de glória ou conquista ela é encontrada, mas sim na paciência e na postura de não perturbar-se diante das humilhações: “aí está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e salvação da alma”.

Ainda sem a certeza da escolha, mas lendo os fatos disponíveis, pode ser sintomático que, no início do Conclave, o cardeal Raniero Cantalamessa refletiu sobre “voltar a uma boa Cristologia e a consideração de Jesus Cristo na fé e no anúncio da Igreja”, como revelou o cardeal Odilo Pedro Scherer na coletiva realizada nesta sexta-feira, no Colégio Pio Brasileiro.

Cantalamessa também é autor de um livro “Francisco, o bobo de Deus”, no qual apresenta trechos da vida de Francisco e seus ensinamentos a outro frade, sobre alegria, evangelização e abandono em Deus. É bem possível que o ex-pregador da Casa Pontifícia possa ter apresentado esses exemplos franciscanos.

Prevost, por sua vez, pode ter escolhido seu nome papal a partir desses sinais: a vivência com o Papa que tomou do Santo de Assis o nome e a meditação dos significados presentes nos Leões da história da Igreja.

A revelação oficial dessa história deve ocorrer na próxima segunda-feira, quando ocorrerá o encontro do Papa Leão XIV com os jornalistas.

Fonte: CNBB

Fumaça preta na manhã desta quinta-feira no Vaticano; cardeais retomam votações à tarde

Para ser eleito, o novo Papa deve alcançar 2/3 dos votos dos cardeais eleitores. Ainda não foi desta vez. Reunidos para duas votações na Capela Sistina na manhã desta quinta-feira, segundo dia do Conclave, os 133 cardeais votantes ainda não chegaram a um consenso em torno do nome do próximo Sucessor de Pedro. A indicar, a fumaça preta que saiu da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina por volta das 11h50 (6h50 de Brasília), sob o olhar de milhares de pessoas reunidas na Praça São Pedro e das câmaras e lentes de jornalistas de todo o mundo.

Concluídas as votações da manhã, os cardeais retornam à Casa Santa Marta e às 15h45 novamente o traslado para o Palácio Apostólico, para mais uma rodada de votações na Capela Sistina.

Prováveis horários da fumaça: após as 17h30 (12h30 de Brasília) e por volta das 19h (15h de Brasília).

Fonte: CNBB

Ausência e vacância

Ausência de pessoas e vacância em instituições são realidades lidas pelo sentimento e registradas pela história. Com efeito, dada a natureza dos relacionamentos humanos, quando acontece a ausência de uma pessoa, física ou psicologicamente, por quaisquer motivos, a sensação de vazio faz-se sentir como saudade, como vazio, como dor na vida de quem a tem na condição de proximidade por vínculos de família e de amizade No contexto atual, essa realidade é vivida de forma intensa e especial pelo universo eclesial, no contexto da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, da enfermidade e morte do Papa Francisco e do estado de vacância da Santa Sé.  

Como ensina a Igreja, o mistério da Paixão, Morte e Ressureição de Jesus, fato histórico, é vivido e, portanto, atualizado sacramentalmente na Liturgia da Igreja. Na verdade, foi em favor de todos os homens e mulheres que Jesus derramou o seu sangue e morreu na cruz. O peso da cruz de Jesus o prostrou, o derrubou, três vezes, mas, a causa da salvação humana lhe deu forças para chegar ao Calvário. Na condição de seu discípulo e servidor de Jesus, o Papa Francisco viveu a caminhada para o Calvário, com a linguagem quaresmal, durante o longo período de internação hospitalar, como Peregrino da Esperança, sabendo, pela fé, que chegaria à manhã da Ressurreição. O Papa Francisco recebeu a graça de viver sua experiência de testemunha da Ressurreição de Cristo, no Domingo de Páscoa, com sua presença, sua oração e a bênção “Urbi et Orbi” que concedeu ao povo de Deus reunido na Praça de São de São Pedro. Na leitura dos textos bíblicos que se referem à Morte de Jesus, percebe-se, claramente, a constatação da sua ausência e a sensação de vazio, como revelam os discípulos de Emaús, porque ainda não haviam sido tocados pela graça da Ressurreição. Ao verem o Ressuscitado, seus discípulos, homens e mulheres, se refazem do vazio experimentado. Na segunda feira da Oitava da Páscoa, a Igreja e a própria humanidade tomaram conhecimento da Páscoa/“passagem”, “passagem da morte para a vida” do Papa Francisco e, assim, psicológica e espiritualmente, vivenciaram experiências profundas, marcantes: visitação pública de numerosas pessoas para ver o seu corpo e rezar por sua alma, no interior da Basílica de São Pedro, celebração da Missa das Exéquias, do Valedictio (adeus), “última homenagem e despedida”, na Praça e nas Ruas de Roma, sepultamento do seu corpo na Basílica de Santa Maria Maggiore. A morte do Papa Francisco falou ao coração das pessoas, graças às virtudes que cultivou e às qualidades humanas que tinham o toque da humildade, da bondade, da simplicidade. Tudo isso gerou proximidade, empatia, realidade testemunhada num outdoor: “Todos nós somos Francisco”. 

O período dos Novendiali, “nove dias de oração após o falecimento do Pontífice, uma tradição católica marcada pela esperança na vida eterna”, é celebrado como memória do Papa pranteado e como espera da eleição do seu sucessor. Embora aconteça no âmbito institucional, a vacância sempre envolve o ser humano, em razão do lugar, da função que exerce numa estrutura organizacional. Assim é compreendido o estado de vacância da Santa Sé que está sendo vivido segundo as disposições normativas e rituais, rigorosamente observadas pelo Colégio dos Cardeais e, particularmente, pelos Cardeais eleitores no Conclave que inicia no sete de maio. “Por conclave entendem-se aqueles lugares onde os cardeais elegem o Romano Pontífice (Capela Sistina) e onde estes e os outros oficiais, servidores e conclavistas permanecem dia e noite até a realização da eleição, sem contato com o exterior (Domus Sanctae Marthae) e onde se desenvolvem as celebrações litúrgicas […]. São dadas normas detalhadas sobre os membros do conclave, a entrada nele, o deslocamento da Domus Sanctae Marthae até a Capela Sistina, o juramento de observar segredo e seu objeto etc”. 

No período que antecede o Conclave, a Igreja reza, confiantemente, “Pro Eligendo Romano Pontifice” (Pela eleição do Romano Pontífice): “Ó Deus, pastor eterno, que governais o vosso rebanho com solicitude constante, no vosso amor de Pai, concedei à Igreja um pastor que vos agrade pela virtude e que vele solícito sobre nós.” Essa oração dos cristãos católicos deveria ser uníssona, unânime. Infelizmente, constata-se que essa desejada, esperada expressão de comunhão não está acontecendo, dado que, em alguns casos, pessoas/grupos/segmentos se posicionam de forma explicitamente discordante em relação a este assunto, eleição do Papa, e a tantos outros assuntos que visam o bem da comunidade cristã. Na verdade, quando ocorre, a eleição do Papa é assunto “da ordem do dia”, ultrapassando, assim, a instância eclesiástica. Daí, a diversificada manifestação de pontos de vista – olhar curioso de pessoas, palpite de grupos, manifesta/velada/pretensa influência de autoridades governamentais e eclesiásticas, interesse financeiro de “casas de aposta”, etc. Para os cristãos católicos, a eleição do Papa deve ser acompanhada, em espírito de oração, na fase de preparação e durante o Conclave, para que os Cardeais, iluminados pelo Espírito Santo, elejam o novo Papa que, em seu ministério, deve ser o “servo dos servos de Deus”, a fim de que possa cumprir sua missão, como sucessor do Apóstolo Pedro. 

Fonte: CNBB