Dia de Todos os Santos

Celebramos três momentos de santidade: o momento passado, o momento presente e o momento futuro.


«Fomos criados à imagem do Santo, isto é, de Deus. Sendo assim nosso modo de ser e de pensar é afinado com o modo de pensar e de agir de Deus. O contrário é aberração, é antinatural. A natureza humana foi feita para receber a divina.

Quando falamos de santos, estamos tendo como referencial o Santo, Deus. É santa aquela pessoa que amou, que fez o bem, que foi feliz. Exatamente por isso soube perdoar, interessou-se pelos demais. Podemos ter como ideário dos santos as Bem-Aventuranças. Viveram seu agir especialmente a partir dos valores apontados nesse discurso de Jesus.

Celebramos três momentos de santidade: o momento passado, o momento presente e o momento futuro.

A Santidade do tempo presente é medida pela vivência das Bem-Aventuranças. Por isso hoje é nosso dia também, dia daqueles que tem em cada uma das bem-aventuranças de Jesus os mandamentos de seu dia a dia.

Quando homenageamos alguém e o intitulamos santo, queremos reconhecer nele a ação da Graça Divina que se concretizou na configuração da imagem do Criador nessa criatura.

E nossa devoção vai muito além do que colocar flores e acender velas. Nossa devoção será imitar suas virtudes, seu testemunho de seguir Jesus Cristo.

Pouco importa a época em que tenham vivido e qual a vocação que Deus lhes tenha dado. Importa como viveram, como responderam aos chamados, como enfrentaram as dificuldades, como superaram seus próprios limites, como vivenciaram a fé, a esperança e o amor.

Fomos feitos à imagem do Santo, para sermos santos: “Sede santos porque eu sou Santo!”» (Lev 11, 44).

Fonte: Vatican News

DIA DE FINADOS

No Dia de Finados nos reunimos para lembrar e orar pelas almas daqueles que partiram deste mundo e para refletir sobre a vida eterna à luz das Escrituras Sagradas. 

É natural que, em uma ocasião como esta, nossos corações se encham de saudades e nossos olhos de lágrimas. A perda de entes queridos é uma experiência profundamente emocional e desafiadora, mas a fé nos oferece consolo e esperança. 

Nas palavras de Jesus, em João (11,25-26), Ele nos diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês isto?” Essas palavras nos lembram que, para aqueles que creem em Cristo, a morte não é o fim, mas sim uma transição para a vida eterna. 

Além disso, encontramos conforto nas palavras do Salmo (23,4): “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” O Senhor está sempre ao nosso lado, mesmo nos momentos mais sombrios, e Sua presença nos conforta. 

No Dia de Finados, lembramos não apenas aqueles que já partiram, mas também do nosso próprio destino. Como está escrito em Hebreus (9,27): “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo.” A morte é inevitável para todos nós e é uma chamada à reflexão sobre a maneira como vivemos nossas vidas. 

É um momento para lembrar que nossas ações e relacionamentos têm um impacto eterno. Como cristãos, somos chamados a viver uma vida de amor, compaixão e justiça, seguindo o exemplo de Jesus. Conforme Mateus (25,40), Jesus nos diz: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Nossas boas ações em favor dos outros perduram na eternidade. 

Neste Dia de Finados, recordamos aqueles que partiram com carinho e respeito. Mas também lembramos que, ao enfrentarmos nossa própria mortalidade, podemos nos preparar espiritualmente para a vida eterna. Este é o momento de renovar nossa fé em Cristo e comprometer nossas vidas a seguir Seus ensinamentos, sabendo que Ele é a ressurreição e a vida, e que Nele encontramos esperança e consolo. 

Que neste dia, possamos encontrar paz e conforto nas promessas da Escritura Sagrada e renovar nossa fé em Jesus Cristo, que venceu a morte para nos dar a esperança da vida eterna. Amém. 

Fonte: CNBB

O Papa: a teologia deve ser capaz de interpretar o Evangelho no mundo de hoje

Com o Motu Proprio “Ad theologiam promovendam”, Francisco atualiza os Estatutos da Pontifícia Academia de Teologia, chamando-a a “uma corajosa revolução cultural” para ser profética e dialogante à luz da Revelação.


“Uma Igreja sinodal, missionária e ‘em saída’ só pode corresponder a uma teologia ‘em saída'” que possa “interpretar profeticamente o presente” prevendo “novos itinerários para o futuro, à luz da Revelação”. Nessa perspectiva, o Papa Francisco, com a Carta Apostólica na forma de Motu Proprio Ad theologiam promovendam, datada de 1º de novembro de 2023, decidiu atualizar os estatutos da Pontifícia Academia de Teologia. Instituída canonicamente por Clemente XI em 23 de abril de 1718, com o breve Inscrutabili, para “colocar a teologia a serviço da Igreja e do mundo”, a Academia evoluiu ao longo dos anos como um “grupo de estudiosos chamados a investigar e aprofundar temas teológicos de particular relevância”.

Agora, para o Pontífice, é hora de revisar as normas que regulam suas atividades “para torná-las mais adequadas à missão que nosso tempo impõe à teologia”. Abrindo-se ao mundo e ao homem, “com seus problemas, suas feridas, seus desafios, suas potencialidades”, a reflexão teológica deve abrir espaço para “um repensar epistemológico e metodológico”, sendo, portanto, chamada a “uma corajosa revolução cultural”. O que é necessário é “uma teologia fundamentalmente contextual”, escreve o Papa, “capaz de ler e interpretar o Evangelho nas condições em que os homens e as mulheres vivem diariamente, nos diferentes ambientes geográficos, sociais e culturais”.

Diálogo com diferentes tradições e disciplinas

A teologia deve “desenvolver-se em uma cultura do diálogo e do encontro entre as diversas tradições e os diversos saberes, entre as diversas confissões cristãs e as diversas religiões”, especifica a Carta Apostólica, deve confrontar-se “abertamente com todos, crentes e não crentes”. “É a abordagem da transdisciplinaridade”, especifica Francisco, que deve ser pensada – esclarece a Constituição Apostólica Veritatis gaudium – “como a colocação e a fermentação de todo conhecimento no espaço de Luz e Vida oferecido pela Sabedoria que emana da Revelação de Deus”. Por essa razão, a teologia deve “fazer uso de novas categorias desenvolvidas por outras formas de conhecimento, a fim de penetrar e comunicar as verdades da fé e transmitir o ensinamento de Jesus nas linguagens de hoje, com originalidade e consciência crítica”.

O “selo pastoral”

Depois, há a contribuição que a teologia pode dar “ao debate atual de ‘repensar o pensamento’, mostrando-se ser um verdadeiro saber crítico na medida em que é um conhecimento sapiencial”, um saber que não deve ser “abstrato e ideológico, mas espiritual”, enfatiza Francisco, “elaborado de joelhos, grávido de adoração e oração; um saber transcendente e, ao mesmo tempo, atento à voz do povo”. É uma “teologia popular” que o Papa pede, “misericordiosamente dirigida às feridas abertas da humanidade e da criação e dentro das dobras da história humana, para a qual profetiza a esperança de uma realização final”. Na prática, para Francisco, a teologia, como um todo, deve assumir um “selo pastoral” e, portanto, a reflexão teológica deve partir “dos diferentes contextos e situações concretas em que os povos estão inseridos”, colocando-se “a serviço da evangelização”.

Dom Staglianò: uma nova missão que envolve todo o povo de Deus

É uma nova missão, diz o presidente da Pontifícia Academia de Teologia, dom Antonio Staglianò, “promover, em todas as esferas do saber, o confronto e o diálogo para alcançar e envolver todo o povo de Deus na pesquisa teológica, de modo que a vida do povo possa se tornar vida teologal”.

Fonte: Vatican News

Vaticano publica Relatório Síntese do Sínodo

Documento está disponível apenas em italiano e aborda temas como o papel das mulheres, leigos e a missão digital da Igreja.

vaticano

Após quatro semanas de trabalhos, foi concluída a primeira sessão do Sínodo da Sinodalidade. Para preparar o caminho para a próxima sessão, que será realizada em 2024, a Santa Sé publicou o Relatório Síntese dos trabalhos desenvolvidos.

O documento, disponível por enquanto apenas em italiano, aborda temas como o papel das mulheres e leigos, o ministério dos bispos, o sacerdócio e diaconato, a importância dos pobres e migrantes, a missão digital da Igreja, ecumenismo e abusos.

São cerca de 40 páginas, dividas em três partes. A assembleia sinodal reafirmou “a abertura para ouvir e acompanhar todos, inclusive aqueles que sofreram abusos e ferimentos na Igreja”.

Defesa da vida

Um amplo espaço no Relatório é dedicado aos pobres. “Para a Igreja, a opção pelos pobres e descartados é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica”, apresenta o documento.

O texto da assembleia também reforça o valor da vida desde a sua concepção. “Os mais vulneráveis dos vulneráveis, para os quais é necessária uma defesa constante, são as crianças no ventre materno e suas mães”.

Unidade em vista da evangelização

Sobre o ecumenismo, o documento indica uma “renovação espiritual” que requer “processos de arrependimento” e “cura da memória”. Cita-se também a expressão do Papa Francisco de um “ecumenismo do sangue”, ou seja, “cristãos de diferentes pertenças que juntos dão a vida pela fé em Cristo”.

Protagonismo do Espírito

No encerramento dos trabalhos, o Santo Padre reiterou que o protagonista do processo sinodal é o Espírito Santo e recomendou aos participantes “que levem consigo os textos de São Basílio e continuem meditando-os, porque isso pode ajudá-los”.

 

Fonte: Comunidade Shalom

O pesar do Papa pelas vítimas e danos causados pelo furacão em Acapulco

Telegrama de Francisco, assinado pelo cardeal Parolin: condolências às famílias dos falecidos e feridos pela calamidade que atingiu a costa sul do México nos últimos dias.


O Papa Francisco está “profundamente entristecido” pelo furacão que atingiu nos últimos dias Acapulco, no Estado de Guerrero, na costa sul do México, causando mortos, feridos e numerosos danos materiais. Num telegrama assinado pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, enviado ao arcebispo de Acapulco, dom Leopoldo González González, nesta sexta-feira (27/10), o Papa “oferece fervorosas orações pelo descanso eterno dos defuntos, enquanto pede ao Senhor que conceda o seu consolo aos que sofrem os efeitos devastadores do furacão”.

Condolências às famílias dos falecidos

As orações do Pontífice são feitas também para aumentar “os sentimentos de ardente caridade na comunidade cristã a fim de colaborar na reconstrução das áreas afetadas”. Ainda no telegrama, Francisco envia as suas sentidas condolências aos familiares dos falecidos, bem como “a sua preocupação paterna e proximidade espiritual aos feridos e vítimas do querido povo de Acapulco”.

Vítimas e danos graves

O furacão Otis, classificado como categoria 5 (o máximo na escala Saffir-Simpson) chegou à costa do México, Oceano Pacífico, entre quarta-feira, 25, e quinta-feira, 26 de outubro. É um dos furacões mais fortes que já atingiu a costa mexicana. Neste momento há cerca de trinta vítimas, vários desaparecidos e na cidade costeira de Acapulco, o maior centro da região, edifícios e infraestruturas foram gravemente danificados.

Fonte: Vatican News

Câmara aprova projeto que cria o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria

 

O deputado Luiz Gastão e a deputada Simone Marquetto na Câmara dos Deputados em Brasília (DF). | Cláudio Araújo

A Câmara dos Deputados aprovou ontem (25) o projeto de Lei 4943/23, que cria o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria, a ser celebrado anualmente em 7 de outubro, festa de Nossa Senhora do Rosário. A proposta será enviada ao Senado.

“Esta data irá unir todos os católicos apostólicos romanos de nosso país e iremos resgatar nossa fé”, disse a deputada Simone Marquetto (MDB-SP), autora do projeto.

O deputado Luiz Gastão (PSD -CE), relator do projeto de lei, disse que o rosário “é uma prática de devoção amplamente difundida na cultura religiosa do Brasil”. Segundo ele, “por séculos”, o rosário “tem sido um símbolo de fé, esperança e proteção para os crentes, proporcionando conforto espiritual e orientação em momentos de adversidade”.

 

Fonte: ACI Digital

Vocação e Missão de Frei Galvão

A Igreja Católica recorda hoje Frei Galvão, que faleceu em 1822, com 83 anos, no Mosteiro da Luz, onde está sepultado. Foi canonizado em 2007, pelo Papa Bento XVI, em São Paulo. Não é preciso muito esforço para imaginar o coração de Frei Galvão ardendo por sua vocação. Uma vida totalmente voltada para as coisas do alto. Conheça um pouco da história vocacional do primeiro Santo brasileiro.


Já muito cedo o pequeno guaratinguetaense Antônio Galvão (1739-1822) descobriu junto de seus pais a grandeza de servir a Deus e sua Igreja. Sua família tinha uma rotina de práticas cristãs que impelia seu filho a ter a mesma prontidão e sensibilidade. Há um relato da infância de Frei Galvão que narra o dia em que ele passou a doar a uma senhora alguns dos utensílios domésticos àquela que lhe batia a porta. Uma ousadia evangélica que já era uma demonstração do que seria o servo de Deus.

Casa de Frei Galvão – Guaratinguetá

 

Aos treze anos, foi enviado ao Colégio dos Padres Jesuítas no distrito de Belém. Uma pequena cidade de Cachoeira, no Estado da Bahia. Neste internato permaneceu de 1752 a 1756. Este contato com os jesuítas não era necessariamente o início da sua vocação à vida consagrada ou aos ministérios ordenados. Era um esforço de seus pais por uma educação de qualidade aos seus filhos. Neste internato já estava um de seus irmãos mais velhos.

Voltando a sua cidade natal em 1756 passou a viver com sua família, mas agora sem a presença materna. Em 1755 Dona Isabel Leite, sua mãe, partiu para junto de Deus. Mais maduro e decidido se convenceu que sua vocação talvez seria a vida religiosa. Nessa busca de responder a essa inquietação, ele vai ao Convento Santa Clara na cidade de Taubaté – SP, cerca de 50 km de distância de Guaratinguetá, para ter contato com os frades franciscanos (OFM) que atuavam naquela fraternidade.

Tomado pelo espírito dos antigos profetas e surpreendido pela fala de Deus, responde:“Eis-me aqui, Senhor…”. Apressa os passos e com o coração desejoso de cumprir o mandato do Senhor, aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, passou a viver no noviciado do Convento de São Boaventura, na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro.

Durante o noviciado distinguiu-se pela piedade e pela prática das virtudes, conforme consta no livro “Religiosos Brasileiros”. Depois da profissão religiosa, Frei Antônio foi admitido à ordenação sacerdotal aos 11 de julho de 1762. Os Superiores permitiram a sagrada ordenação porque julgaram suficientes os estudos teológicos feitos anteriormente.

Frei Galvão

 

Em 1762 foi transferido para São Paulo. Lá, ele trabalhou como pregador, confessor e também porteiro do Convento de São Francisco (centro da cidade). Da cidade de São Paulo partia para muitos outros lugares. Além do estado de São Paulo, o missionário se fez presente no Rio de Janeiro e também no estado do Paraná,  “Pés pressurosos e sempre a caminho anunciando Jesus Cristo”.

Em sua vocação e missão, Frei Antônio de Sant’ Anna Galvão destacou-se por muitas virtudes. Tornou-se um dos grandes pregadores e confessores da cidade de São Paulo. Defendeu as vidas mais frágeis (moribundos, enfermos, condenados, pobres). Reformou o estilo de vida das Monjas Concepcionistas (Ordem Santa Beatriz). Fundou o Convento de Luz na cidade de São Paulo. Fomentou a piedade do Povo, fazendo nascer um Santuário dedicado a Maria, na cidade de Piraí do Sul (PR). Colaborou como uma espécie de interventor na Ordem dos Frades Menores, zelando pela vida e o bom testemunho dos irmãos de sua ordem. E deixou, por fim, um grande sacramental de fé às pessoas. Estas são algumas realidades da vida de Frei Galvão que justificam sua santidade.

Convento de São Francisco – São Paulo

 

No ano de 1822 faleceu o frade franciscano com fama de santo. A invocação e confiança das pessoas em sua intercessão atravessaram os séculos até chegar o ano de 2007, quando o Papa Bento XVI proclamou o culto oficial em toda Igreja. Depois de mais mais de quinhentos anos os católicos brasileiros passam a ter o santo de sua casa.

Mosteiro da Luz – São Paulo

 

Somente alguém com o coração ardente é capaz de se colocar em missão. Assim foi Frei Galvão. Sua fama é conhecida por todos nós.

Somente alguém com o coração ardente é capaz de se colocar em missão. Assim foi Frei Galvão. Sua fama é conhecida por todos nós. Que ele interceda por muitos diante de suas necessidades. Que a sua vida encante os corações de outros jovens para a santidade, para a vocação e  missão.

Fonte: Vatican News

A “Carta ao Povo de Deus”: a sinodalidade é o caminho do terceiro milênio

A Carta da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus foi publicada nesta quarta-feira. A leitura do esboço da Carta foi recebida com aplausos pela assembleia na manhã de terça-feira.


Publicada nesta quarta-feira a Carta da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus. Eis a integrada da mesma:

Queridas irmãs e irmãos,

ao chegar ao fim dos trabalhos da primeira sessão da XVIa Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, queremos, com todos vós, dar graças a Deus pela bela e rica experiência que tivemos. Vivemos este tempo abençoado em profunda comunhão com todos vós. Fomos sustentados pelas vossas orações, trazendo conosco as vossas expectativas, os vossos questionamentos, e também os vossos receios. Já passaram dois anos desde que, a pedido do Papa Francisco, iniciámos um longo processo de escuta e discernimento, aberto a todo o povo de Deus, sem excluir ninguém, para “caminhar juntos”, sob a guia do Espírito Santo, discípulos missionários no seguimento de Jesus Cristo.

A sessão que nos reuniu em Roma desde 30 de setembro foi um passo importante neste processo. Em muitos aspectos, foi uma experiência sem precedentes. Pela primeira vez, a convite do Papa Francisco, homens e mulheres foram convidados, em virtude do seu batismo, a sentarem-se à mesma mesa para participarem não só nos debates mas também nas votações desta Assembleia do Sínodo dos Bispos. Juntos, na complementaridade das nossas vocações, carismas e ministérios, escutámos intensamente a Palavra de Deus e a experiência dos outros. Utilizando o método do diálogo no Espírito, partilhámos humildemente as riquezas e as pobrezas das nossas comunidades em todos os continentes, procurando discernir aquilo que o Espírito Santo quer dizer à Igreja hoje. Assim, experimentámos também a importância de promover intercâmbios mútuos entre a tradição latina e as tradições do Oriente cristão. A participação de delegados fraternos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais enriqueceu profundamente os nossos debates.

A nossa assembleia decorreu no contexto de um mundo em crise, cujas feridas e escandalosas desigualdades ressoaram dolorosamente nos nossos corações e conferiram aos nossos trabalhos uma gravidade peculiar, tanto mais que alguns de nós provinham de países onde a guerra deflagra. Rezámos pelas vítimas da violência assassina, sem esquecer todos aqueles que a miséria e a corrupção atiraram para os perigosos caminhos da migração. Comprometemo-nos a ser solidários e empenhados ao lado das mulheres e dos homens que operam em todo lugar do mundo como artesãos da justiça e da paz.

A convite do Santo Padre, demos um importante espaço ao silêncio para favorecer entre nós a escuta respeitosa e o desejo de comunhão no Espírito. Durante a vigília ecuménica de abertura, experimentámos o quanto a sede de unidade cresce na contemplação silenciosa de Cristo crucificado. “A cruz é, de facto, a única cátedra d’Aquele que, dando a sua vida pela salvação do mundo, confiou os seus discípulos ao Pai, para que ‘todos sejam um’ (Jo 17,21)”. Firmemente unidos na esperança que a Sua ressurreição nos dá, confiámos-lhe a nossa Casa comum, onde o clamor da terra e o clamor dos pobres ressoam cada vez com mais urgência: “Laudate Deum! “, recordou o Papa Francisco logo no início dos nossos trabalhos.

Dia após dia, sentimos um apelo premente à conversão pastoral e missionária. Com efeito, a vocação da Igreja é anunciar o Evangelho não se centrando em si mesma, mas pondo-se ao serviço do amor infinito com que Deus ama o mundo (cf. Jo 3,16). Quando lhes perguntaram o que esperam da Igreja por ocasião deste Sínodo, alguns sem-abrigo que vivem perto da Praça de S. Pedro responderam: “Amor! “. Este amor deve permanecer sempre o coração ardente da Igreja, o amor trinitário e eucarístico, como recordou o Papa evocando a mensagem de Santa Teresa do Menino Jesus a 15 de outubro, a meio da nossa assembleia. É a “confiança” que nos dá a audácia e a liberdade interior que experimentámos, não hesitando em exprimir livre e humildemente as nossas convergências e as nossas diferenças, os nossos desejos e as nossas interrogações, livre e humildemente.

E agora? Gostaríamos que os meses que nos separam da segunda sessão, em outubro de 2024, permitam a todos participar concretamente no dinamismo de comunhão missionária indicado pela palavra “sínodo”. Não se trata de uma questão de ideologia, mas de uma experiência enraizada na Tradição Apostólica. Como o Papa reiterou no início deste processo, “Comunhão e missão correm o risco de permanecer termos algo abstractos se não cultivarmos uma práxis eclesial que exprima a concretude da sinodalidade (…), promovendo o envolvimento real de todos e de cada um” (9 de outubro de 2021). Os desafios são muitos, as questões numerosas: o relatório de síntese da primeira sessão esclarecerá os pontos de acordo alcançados, destacará as questões em aberto e indicará a forma de prosseguir os trabalhos.

Para progredir no seu discernimento, a Igreja precisa absolutamente de escutar todos, a começar pelos mais pobres. Isto exige, de sua parte, um caminho de conversão, que é também um caminho de louvor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21)! Trata-se de escutar aqueles que não têm direito à palavra na sociedade ou que se sentem excluídos, mesmo da Igreja. Escutar as pessoas que são vítimas do racismo em todas as suas formas, especialmente, nalgumas regiões, os povos indígenas cujas culturas foram desprezadas. Acima de tudo, a Igreja do nosso tempo tem o dever de escutar, em espírito de conversão, aqueles que foram vítimas de abusos cometidos por membros do corpo eclesial e de se empenhar concreta e estruturalmente para que isso não volte a acontecer. A Igreja precisa de escutar os leigos, mulheres e homens, todos chamados à santidade em virtude da sua vocação batismal: o testemunho dos catequistas, que em muitas situações são os primeiros anunciadores do Evangelho; a simplicidade e a vivacidade das crianças, o entusiasmo dos jovens, as suas interrogações e as suas chamadas; os sonhos dos idosos, a sua sabedoria e a sua memória.

A Igreja precisa de colocar-se à escuta das famílias, as suas preocupações educativas, o testemunho cristão que oferecem no mundo de hoje. Precisa de acolher as vozes daqueles que desejam se envolver em ministérios leigos ou em órgãos participativos de discernimento e de tomada de decisões. Para progredir no discernimento sinodal, a Igreja tem particular necessidade de recolher ainda mais a palavra e a experiência dos ministros ordenados: os sacerdotes, primeiros colaboradores dos bispos, cujo ministério sacramental é indispensável à vida de todo o corpo; os diáconos, que com o seu ministério significam a solicitude de toda a Igreja ao serviço dos mais vulneráveis. Deve também deixar-se interpelar pela voz profética da vida consagrada, sentinela vigilante dos apelos do Espírito. Precisa ainda de estar atenta a todos aqueles que não partilham a sua fé, mas que procuram a verdade e nos quais o Espírito, que “a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido” (Gaudium et spes 22), também está presente e atua.

“O mundo em que vivemos, e que somos chamados a amar e a servir mesmo nas suas contradições, exige da Igreja o reforço das sinergias em todos os âmbitos da sua missão. É precisamente o caminho da sinodalidade que Deus espera da Igreja do terceiro milénio” (Papa Francisco, 17 de outubro de 2015). Não tenhamos medo de responder a este apelo. A Virgem Maria, a primeira no caminho, nos acompanha em nossa peregrinação. Nas alegrias e nas fadigas, ela mostra-nos o seu Filho que nos convida à confiança. É Ele, Jesus, a nossa única esperança!

Cidade do Vaticano, 25 de outubro de 2023

Fonte: Vatican News

Vestir-se bem ou não: isso realmente importa?

Nosso corpo está ligado à nossa alma. Isso significa que a maneira como vestimos nossos corpos é importante porque nossas almas também são importantes

 

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Um dos muitos momentos de risada em O Código dos Woosters é quando Bertie Wooster opina ao seu mordomo: “Há momentos, Jeeves, em que alguém se pergunta: ‘As calças importam?’”

Sempre adorei assistir à essa séries de televisão. Em primeiro lugar porque ela é hilária, e também porque gosto de ver como estão todos vestidos. Por exemplo: ternos, gravatas-borboleta e chapéus criam um ar de gentileza e cultura em torno de Wooster enquanto ele avança pela vida. É ótimo ver que vestir-se bem não significa arrogância, mas sim parte de uma herança cultural.

É claro que, hoje em dia, um olhar para as pessoas no supermercado deixa bem claro que a nossa atual tendência social não é vestir-se bem. Jeeves ficaria extremamente desapontado conosco. Já se foi o tempo em que os homens usavam ternos e chapéus para uma tarde casual pela cidade. Já se foram os dias dos vestidos bem feitos e dos chapéus elegantes para mulheres. Hoje em dia vejo muitos moletons desalinhados, shorts folgados e até gente de pijama em locais públicos. O autor Tom Wolfe, que era conhecido por se vestir bem, lamentou esse tipo de pessoa que “aperta o casual até gritar por misericórdia”.

O direito de ser casual

Wolfe realmente coloca o dedo na questão quando usa a palavra “casual”. Há uma obsessão na modernidade com o nosso direito individual de ser casual. O argumento é que, se estou confortável, isso é tudo que importa. Outras pessoas não devem me dizer o que vestir. A formalidade de vestir-se bem é artificial e desnecessária, então vamos todos nos vestir como quisermos.

Antes de nos rendermos a tal opinião, penso que há algumas considerações a ter em mente.

A conexão entre corpo e alma

A primeira é a ligação da alma com o corpo. É um erro desconectar os dois, presumindo que a pessoa real é apenas a alma invisível enterrada em algum lugar em toda aquela carne desnecessária. Seria igualmente um erro presumir que um ser humano não tem alma e que somos apenas criaturas físicas. A verdade é que nossos corpos e almas estão inextricavelmente ligados. Isso significa que a maneira como vestimos nossos corpos é importante, pois nossas almas são importantes. O exterior reflete o interior.

Somos ícones de Cristo por dentro e por fora. São Gregório Narek faz esta conexão quando pede a Deus: “Limpe o templo do meu corpo / O vaso da minha alma”. Quando nos vestimos bem, fazemos isso porque adornamos a beleza harmoniosa e proporcional da figura humana de uma forma que traz dignidade à nossa humanidade, e também adornamos o templo corporal que abriga a alma.

Em Introdução ao Espírito da Liturgia, o Papa Bento XVI diz algo fascinante sobre o vestuário quando observa que São Paulo “não quer descartar o seu corpo, não quer ser incorpóreo…Ele não quer a fuga, mas a transformação. Ele espera pela ressurreição. Assim, a teologia do vestuário torna-se uma teologia do corpo. O corpo é mais do que uma vestimenta externa do homem – é parte do seu próprio ser, da sua constituição essencial.”

Esta é uma afirmação forte, para conectar a nossa crença na ressurreição corporal à maneira como vestimos esses mesmos corpos. Acho que é uma afirmação que vale a pena ponderar.

Para quem estou me vestindo?

A segunda consideração a ter em mente é perguntar-nos para quem estamos nos vestindo bem. É só para mim? GK Chesterton tem uma visão perspicaz. Em Ortodoxia, ele escreve: “As vestes de Becket são muito ricas e suas refeições muito pobres. Mas então o homem moderno foi realmente excepcional na história; nenhum homem jamais teve jantares tão elaborados com roupas tão feias”.

Após sua morte, um segredo foi descoberto sobre Thomas Becket enquanto seu corpo estava sendo preparado para o enterro: por baixo de todas as suas roupas elegantes, ele usava um cilício.

O cilício de Becket era uma forma de penitência, invisível para todos os demais, que coçava e lhe causava irritação constante. Chesterton diz: “Becket se beneficiou do cilício, enquanto as pessoas na rua se beneficiaram do carmesim e do dourado”.

Em outras palavras, as roupas bonitas eram por respeito a Deus e às outras pessoas. Becket se vestia bem, não para si, mas para os outros. As roupas eram um reflexo da glória de Deus. Acho que esse ainda é um bom princípio para nós hoje.

Vestimo-nos bem para mostrar respeito pelos que nos rodeiam e pelo nosso Criador. A roupa não tem a ver com o nosso conforto individual.

O resgate do vestir-se bem

Eu diria que, mesmo que haja controvérsias públicas em curso sobre como se vestir em certas instituições, a conveniência dos códigos de vestimenta e o sempre presente debate sobre a modéstia, noto um resgate voluntário entre os frequentadores das missas da minha paróquia ao vestir-se tão bem quanto possível.

Ao fazerem isso, eles não estão se exibindo ou demonstrando uma formalidade rígida – eles estão tentando mostrar a Deus o quanto o amam. Eles estão sinalizando através de suas roupas que este é um evento importante.

Há uma grande variedade de roupas que se enquadram na categoria das melhores roupas de domingo. Pode variar de um belo par de jeans com suas melhores botas de cowboy até um terno de algodão com gravata borboleta. Certos minimalistas ou religiosos que praticam o ascetismo podem possuir pouquíssimas roupas, e tudo bem! Mas lembre-se de que até São Francisco de Assis usava belas vestimentas quando era diácono na missa.

A questão não é quem tem o terno mais caro ou o vestido mais chamativo e, certamente, não é julgar uns aos outros com base na aparência exterior. A questão é que todos nós, à nossa maneira, somos chamados a dar o nosso melhor.

Adornamos o corpo para revelar a sua beleza, para reconhecer que somos, de fato, feitos à imagem de Cristo. Somos suas melhores criações.

 

Fonte: Aleteia

EM COLETIVA DE IMPRENSA FOI EXPRESSO UM APELO DO SÍNODO: “TRAFICANTES DE ARMAS REDESCUBRAM O SENTIDO DE HUMANIDADE”

A autoridade – que na Igreja é “serviço” que se “exerce descalço” – e a questão dos abusos foram alguns dos temas abordados nas intervenções da Décima Terceira (341 presentes) e da Décima Quarta (343 presentes) Congregação Geral, realizadas na tarde desta quinta (19) e na manhã desta sexta (20), sempre com a modalidade das intervenções dos Círculos Menores seguidas das intervenções livres.  O anúncio foi feito por Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação e presidente da Comissão de Informação, na coletiva de imprensa que contou com a apresentação da vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé, Cristiane Murray.

Referindo-se aos discursos da tarde desta quinta (19) e da manhã desta sexta (20) sobre a seção B3 do Instrumentum laboris – cujo título é “Participação, responsabilidade e autoridade” – Ruffini explicou que o compromisso de “evitar o autoritarismo” foi reafirmado e que “autoridade não é dominação, mas serviço”. Referindo-se em particular a uma das expressões mais significativas usadas na Sala, o prefeito disse precisamente que a autoridade é “exercida com os pés descalços”. Aquele que “tem autoridade”, foi dito na Sala, “não deve controlar tudo, mas ter a capacidade de delegar”; e o bispo, foi dito, “tem a última palavra, mas não a única”.

Entre os tópicos discutidos estavam “o papel dos pastores no serviço aos pobres”, justamente no estilo da oração presidida na noite desta quinta (19) pelo Papa na Praça de São Pedro em favor dos migrantes e refugiados. Deve-se prestar atenção – foi observado nas intervenções – “ao grito daqueles que sofrem nas ruas”. Além disso, “os bispos devem pedir a conversão do coração para que os sentimentos de humanidade sejam reavivados naqueles que, com o tráfico de armas, contribuem para a ‘terceira guerra mundial’ que causa sofrimento a milhões de pessoas”.

A corresponsabilidade na Igreja

“Corresponsabilidade” é uma das palavras que mais se repete nos discursos, e é entendida “como o envolvimento e a coordenação dos carismas”, relatou Ruffini. Nesse sentido, a importância de valorizar as figuras, as competências e, em particular, o compromisso dos leigos foi enfatizada nos trabalhos.

Em seguida, o prefeito quis esclarecer a questão do número de participantes no Sínodo: são 365 com o Papa. Lembrando as diferentes formas de participação, Ruffini destacou que, no total, outras dezenas de pessoas estão envolvidas – o que eleva o número para 464 – mas é uma presença que obviamente não é contada nas comunicações oficiais. Ele também informou que a Secretaria Geral dá precedência ao uso da palavra àqueles que não falaram até o momento.

Sheila Pires, secretária da Comissão de Informação, continuou a coletiva anunciando que havia na Sala quem alertasse sobre o clericalismo, mesmo entre os leigos, porque “tem levado a abusos de poder, de consciência, econômicos e sexuais”. E os abusos, insistiu Pires, fizeram com que a Igreja “perdesse credibilidade”, tanto de se fazer necessário um “mecanismo de controle”. A sinodalidade, informou Pires, “pode ajudar a evitar abusos porque é um processo que tem a ver com a escuta e o diálogo”.

As reformas necessárias na Igreja

No que diz respeito às reformas, falou-se sobre as mudanças necessárias para alcançar maior transparência nas estruturas financeiras e econômicas; da revisão do direito canônico e também de alguns “títulos” que se tornaram anacrônicos. Voltando à sinodalidade, foi observada a urgência de reforçar as estruturas já existentes, como os conselhos pastorais, tomando cuidado para não ceder aos desvios parlamentaristas. Por fim, Pires relatou sobre a questão de estar presente ao lado dos jovens no ambiente digital, um verdadeiro lugar de missão para aproximar os que estão nas periferias. Na realidade, concluiu, trata-se de encontrar esses jovens onde eles já estão, ou seja, nas diversas redes sociais.

Confira a íntegra abaixo:

Fonte: CNBB

Papa: não se acostumem com as guerras, são gravíssimos horrores contra Deus e o homem

O post na rede social “X” do Papa Francisco, no dia seguinte ao seu apelo no Angelus contra os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio: “a guerra é sempre uma derrota, é uma destruição da fraternidade humana”. Amanhã, 24 de outubro, a publicação do livro “Non sei solo” (“Você não está sozinho”), a edição italiana do livro-entrevista com os jornalistas Ambrogetti e Rubín que já foi publicado na Argentina em fevereiro, no qual o Pontífice denuncia a guerra como “fruto de uma série de loucuras”.


Horrores, “gravíssimos horrores”, contra Deus e contra o homem. Assim são as guerras para o Papa, que volta a condenar os conflitos que estão ocorrendo no mundo e que ontem, depois do Angelus na Praça São Pedro, reiterou como já havia definido: “são uma derrota”. Hoje o Papa faz isso no X, por meio de sua conta @Pontifex em nove idiomas, onde lê-se:

“Não devemos habituar-nos à guerra, a nenhuma guerra. Não devemos permitir que nosso coração e nossa mente fiquem anestesiados face à repetição destes gravíssimos horrores contra Deus e o homem.”

Um novo apelo

Um novo enésimo apelo, portanto, este do Papa que se junta às denúncias expressas desde o início do pontificado e reiteradas com maior vigor nos meses da agressão russa na Ucrânia e, agora, com as tensões no Oriente Médio, junto ao agravamento de ataques e violência. Um incômodo que o Pontífice também compartilhou no telefonema que fez ontem ao presidente dos EUA, Joe Biden, recentemente em visita a Israel, no qual foi reiterada a “necessidade de individuar caminhos de paz”.

Guerra, “fruto de loucuras”

E, à luz da turbulência que o mundo está testemunhando, as palavras do Papa contra a guerra no também no livro “Non sei solo” (“Você não está sozinho”). Desafios, respostas, esperanças, o livro-entrevista é assinado pelos jornalistas Francesca Ambrogetti, ex-diretora da Ansa na Argentina, e Sergio Rubin, do jornal El Clarin. O livro já havia sido publicado em fevereiro na Argentina com o título El Pastor (O Pastor); amanhã a edição italiana estará nas livrarias com a editora Salani.

“No início do meu pontificado, afirmei que estávamos vivendo uma Terceira Guerra Mundial em pequenos pedaços, depois afirmei que esses pedaços tinham aumentado gradualmente e agora acho que é tudo um grande pedaço”, disse o Papa em um trecho da entrevista, divulgada pela Agência Ansa. “Eu ainda acredito que é uma enorme tragédia ter perdido a memória da Segunda Guerra Mundial. Certa vez, observando os governantes dos países que participaram do conflito durante uma comemoração dos desembarques na Normandia, achei que eles deveriam chorar. Só ali morreram quase 30.000 pessoas. A guerra é o resultado de uma série de loucuras”.

Fonte: Vatican News

As estatísticas da Igreja Católica em 2023

Por ocasião do 97º Dia Mundial das Missões, que será celebrado no domingo, 22 de outubro, a Agência Fides apresenta algumas estatísticas para oferecer uma visão geral da Igreja no mundo.

O rito do batismo de algumas crianças na Capela Sistina (Vatican Media)

As informações foram extraídas do último “Anuário Estatístico da Igreja” publicado (e atualizado até o dia 31 de dezembro de 2021) e dizem respeito aos membros da Igreja, às estruturas pastorais, às atividades no campo da saúde, do bem-estar e da educação.

A porcentagem mundial de católicos

Em 31 de dezembro de 2021, a população mundial era de 7.785.769.000, um aumento de 118.633.000 em relação ao ano anterior. O aumento global também afetou todos os continentes, exceto a Europa. Na mesma data o número de católicos era de 1.375.852.000, um aumento global de 16.240.000 em relação ao ano anterior. O aumento afeta todos os continentes, exceto a Europa (-244.000). Como no passado, é mais acentuado na África (+8.312.000) e na América (+6.629.000), seguido pela Ásia (+1.488.000) e Oceania (+55.000). A porcentagem mundial de católicos diminuiu ligeiramente (-0,06) em relação ao ano anterior, e é de 17,67%. Com relação aos continentes, as variações são mínimas.

Os dados sobre os bispos, sacerdotes, diáconos permanentes e seminaristas

O número total de bispos em todo o mundo diminuiu em 23, chegando a 5.340. O número de bispos diocesanos (-1) e de bispos religiosos (-22) diminuiu. Atualmente, há 4.155 bispos diocesanos e 1.185 bispos religiosos.

Já o número de sacerdotes diminuiu para 407.872 (-2.347). Mais uma vez, a Europa (-3.632) e a América (-963) registraram uma redução consistente. Aumentos foram registrados na África (+1.518), Ásia (+719) e Oceania (+11). Os padres diocesanos em todo o mundo diminuíram em 911, totalizando 279.610. Os sacerdotes religiosos diminuíram em um total de 1.436, registrando 128.262.

Os diáconos permanentes em todo o mundo continuam a crescer, 541 foram ordenados, atingindo o total de 49.176. Os aumentos ocorreram em todos os continentes: África (+59), América (+147), Ásia (+58), Europa (+268) e Oceania (+9).

O número de seminaristas maiores, diocesanos e religiosos, diminuiu em 1.960 este ano, para 109.895. Houve aumentos apenas na África (+187) e diminuições na América (-744), Ásia (-514), Europa (-888) e Oceania (-1). O total de seminaristas menores, diocesanos e religiosos, aumentou em 316, chegando a 95.714. As reduções foram registradas na América (-372), Ásia (-1.216), Europa (-144) e Oceania (-5), enquanto o único aumento consistente foi na África (+2.053).

Os percentuais de religiosos e religiosas no mundo

A contagem de religiosos que não são sacerdotes diminuiu em 795, chegando a 49.774. As reduções foram registradas na América (-311), Europa (-599) e Oceania (-115). Houve aumento na África (+205) e na Ásia (+25).

A tendência de longa data, de uma diminuição global no número de religiosas foi confirmada, dessa vez atingindo um número de 10.588 em comparação com a pesquisa anual anterior. O número total de religiosas é de 608.958. Os aumentos são novamente registrados na África (+2.275) e na Ásia (+366), e as diminuições na Europa (-7.804), América (-5.185) e Oceania (-240).

A atuação da Igreja nas áreas da educação e assistência social

No campo da educação e da formação, a Igreja administra 74.368 jardins de infância em todo o mundo, frequentados por 7.565.095 alunos; 100.939 escolas primárias para 34.699.835 alunos; 49.868 escolas secundárias para 19.485.023 alunos. Além disso, acompanha 2.483.406 alunos de ensino médio e 3.925.325 estudantes universitários.

As instituições de saúde, caridade e assistência administradas pela Igreja Católica no mundo incluem: 5.405 hospitais, 14.205 ambulatórios, 567 hospitais de hanseníase, 15.276 lares para idosos, doentes crônicos e deficientes, 9.703 orfanatos, 10.567 creches, 10.604 centros de aconselhamento matrimonial, 3.287 centros de educação ou reeducação social e totalizam 35.529 outros tipos de institutos sociais.

 

Fonte: Vatican News