Dom Vital: Maria, Mãe de Deus e a Paz

Maria disse sim ao plano do Senhor para a salvação da humanidade. Maria sendo percebida com o título de Mãe de Deus, aquela que gerou na carne o Filho de Deus, esta doutrina teve a sua origem na escola de Alexandria.


No início de cada ano, a liturgia coloca-nos a benção de Deus, para que ao longo do ano e em nossa vida, tudo ocorra conforme a vontade de Deus (cfr. Nm 6,24-26). É também ocasião para que a Igreja festeje Maria, como Mãe de Deus e também a graça e a responsabilidade humana para a construção da paz. Cristo é a paz (cfr. Ef 2,14), é o Príncipe da Paz (cfr. Is 9,5). Para o dia mundial da paz, ano de 2022, o Papa Francisco adverte à humanidade e a todos nós a necessidade da paz, ressaltando a educação, trabalho, diálogo entre as gerações: instrumentos para a construção de uma paz duradoura. Ele colocou a necessidade de que se aumentem os orçamentos à educação e à saúde e haja a diminuição dos orçamentos militares, com as armas, para que a paz ocorra em todas as nações e povos. Vamos construir um mundo diferente pelo reinado da paz e do amor.

Theotókos

Maria disse sim ao plano do Senhor para a salvação da humanidade. Maria sendo percebida com o título de Mãe de Deus, aquela que gerou na carne o Filho de Deus, esta doutrina teve a sua origem na escola de Alexandria. A partir do século IV em diante este título foi bastante usado pelos padres da Igreja, diante das polêmicas de Nestório, que preferia o Christotókos, Maria como aquela que gerou o Cristo, houve a sua definição no Concílio de Éfeso, 431. O fato foi que em Maria não se aludiu a ela um título de deusa, mas como aquela criatura, preservada do pecado original pelo Senhor, a qual colaborou com o plano de Deus na redenção da humanidade[1]. A seguir nós veremos como os padres da Igreja elaboraram uma doutrina a respeito de Maria, com o título de Mãe de Deus.

Na humanidade, Cristo Jesus nasceu da Virgem Maria

São Vicente de Lérins, escritor eclesiástico da Gália, França, século V, afirmou que a unidade da pessoa de Cristo se constituiu e se aperfeiçoou não após o parto da Virgem, mas no mesmo útero virginal e que Ele é um com o Pai e um com a Mãe. Nele Deus se uniu ao ser humano e é de unidade pessoal não após o batismo, a ressurreição ou na sua ascensão, mas sim na mãe, no útero, no momento mesmo da concepção virginal. Por esta unidade na pessoa do Senhor se dá a propriedade de Deus ao ser humano e as propriedades da carne se atribuem a Deus. Desta forma o Verbo de Deus nasceu da Virgem Maria. Por isso devemos professar que Maria pela graça de Deus, é Mãe de Deus, pelo dom do nosso Senhor Deus, que é o seu Filho, Jesus Cristo[2].

Hino à mãe de Deus e a paz

Rábula de Edessa, bispo na Síria, século V, compôs um hino à Virgem Maria como mãe de Deus. Ela é santa, mas Maria é também tesouro maravilhoso e esplêndido, dado a todo o mundo, luz irradiante do Incompreensível, templo puro do Criador de todas as coisas. Através dela foi anunciado Aquele que tirou os pecados do mundo e os redimiu. Fortalece a nossa fé e doa a paz para o mundo inteiro. O bispo teve presente que os fieis supliquem à Maria para que a nossa maldade não leve para a ruína e Maria volta-se ao seu povo, enquanto ela reza ao seu Unigênito, o Filho saído dela, para que tenha piedade de todos os fiéis, pela sua santa oração[3].

Eva e a Virgem Maria

São Justino de Roma, padre da Igreja, século II, teve presentes às duas mulheres em relação com o Senhor Deus. Se Eva enquanto era ainda virgem e incorrupta, tendo concebido a palavra que a serpente lhe disse, deu à luz a desobediência e a morte, a virgem Maria concebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel lhe comunicou que o Espírito Santo viria sobre ela e a força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, de modo que o santo que nasceu será o Filho de Deus (cfr. Lc 1,35). Por isso ela respondeu à proposta do Senhor de uma forma positiva colocando-se a disposição de sua palavra (cfr. Lc 1,38)[4].

Maria, a segunda Eva

Santo Ireneu de Lyon, bispo, séculos II e III afirmou que Maria é a segunda Eva, a sua advogada, porque enquanto a primeira Eva deixou-se seduzir de modo a desobedecer a Deus, a segunda deixou-se persuadir a obedecer a Deus, para que, da virgem Eva, a Virgem Maria se tornasse advogada. Se o gênero humano submeteu-se à morte por uma virgem, ele libertou-se dela por uma outra virgem, porque a desobediência de uma virgem foi contrabalançada pela obediência de uma outra virgem. O pecado do primeiro ser humano foi curado pela correção de conduta do Primogênito[5].

Ainda em Santo Ireneu encontra-se o dado que Maria contribuiu para a salvação vinda ao mundo com Jesus Cristo. Se pela desobediência de Eva tornou-se para si e para todo o gênero humano causa da morte, Maria, pela sua obediência se tornou para si e para todo o gênero humano, causa de salvação[6].

O Verbo veio ao mundo pelo seio de Maria

Santo Atanásio, bispo de Alexandria, século IV disse que o Senhor assumiu um corpo semelhante ao nosso de modo que Maria entrou presente neste mistério. Foi dela que o Verbo assumiu aquele corpo, que se ofereceu pelos seres humanos. A Sagrada escritura teve presentes que no nascimento do Senhor, o menino foi envolto em panos (Lc 2,7). Ele é o Filho de Deus na carne, de modo o anjo Gabriel disse para Maria que o Santo que nascer dela, será Filho de Deus (Lc 1,35). Desta forma o Verbo de Deus, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-se em sacrifício, assumiu-a em sua totalidade, para que a humanidade fosse revestida da sua natureza divina[7].

Maternidade divina de Maria

São Cirilo de Alexandria, bispo, séculos IV e V afirmou contra Nestório, bispo de Constantinopla, a maternidade divina de Maria. Para ele causava admiração que alguns duvidassem em dar à Virgem Santíssima, o título de Mãe de Deus. De fato, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem que o gerou? O bispo de Alexandria lembrou que Santo Atanásio, também escreveu que a Virgem recebeu o titulo de Mãe de Deus. Desta forma, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades isto é, a divindade e a humanidade, sendo um só Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho natureza, e ao mesmo tempo, Deus e homem[8].

Maria gerou o Senhor

Santo Agostinho bispo de Hipona, séculos IV e V também teve presente Maria com o título de Mãe de Deus. O bispo defendeu a expressão que Maria deu ao nascimento o Senhor na natureza humana. O Senhor do céu e da terra nasceu de Maria. Ele também disse que Deus nasceu de uma mulher na realidade humana[9].

Maria recebeu o título de Mãe de Deus. Ela gerou na carne o Filho de Deus, de modo que a ela lhe é dado este título. Como disse São Cirilo de Alexandria, o fato de que o Filho de Deus é também Filho de Maria, gerado por ela pela realidade humana, Maria leva este titulo. A sua comemoração é dada no inicio do ano. Ela leve os nossos pedidos ao seu Filho Jesus Cristo. A Paz esteja presente em nossas relações e o mundo se preocupe com a paz, construindo educação, trabalho, diálogo, como nos fala o Papa Francisco de modo que haja mais investimentos na educação, na paz e menos em armas, as quais destroem vidas. Nós devemos lutar pela vida, porque Deus é paz, é vida, é amor.

[1] Cfr. E. Peretto. Theotokos. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristianediretto da Angelo Di Berardino, P-Z. Marietti, Genova, 2008, pg. 5346.

[2] Cfr. Vincenzo di Lérins. Commonitorio, 15. In: La teologia dei padri, v. 2. Città Nuova Editrice, Roma, 1982, pgs. 159-160.

[3] Cfr. Rabbula di Edessa. Inni liturgici, 1-4. In: Idem, pg. 163.

[4] Cfr. Justino de Roma. Diálogo com Trifão, 100,5. Paulus, São Paulo, 1995, pg. 265.

[5] Cfr. Ireneu de Lião. Livro V,19,1. Paulus, São Paulo, 1995, pg. 569.

[6] Cfr. Idem. Livro III, 22,4, pg. 352.

[7] Cfr. Das Cartas de Santo Atanásio, bispo. In: Liturgia das horas, I. Editora Vozes, Paulinas, Paulus, Editora Ave-Maria, 1999, Aparecida, SP, 1999, pgs. 435-436.

[8] Cfr. Das Cartas de São Cirilo de Alexandria, bispo. In: Idem, III, pgs. 1381-1382.

[9] Cfr. Sant´Agostino. Serm. 51,12,20; De Trin. 8,5,7. Maria “Dignitas terrae,. Introduzione e note a cura di Agostino Trapè, revisione a cura di Oreste Campagna. Nuova Biblioteca Agostiniana, Città Nuova Editrice, Roma, 1995, pg. 32.

Fonte: Vatican News

Alegria: Necessidade de todos os homens

Você sabia que você também tem a necessidade de ser alegre para o bem da saúde da sua alma?

IMAGEM/ TATIANA SYRIKOVA

A alegria é uma experiência do coração humano e fruto da felicidade que ele tanto busca. Esta alegria depende das opções que o homem faz livremente e, mais ainda, do reconhecimento do seu Criador. E de onde vem esta alegria? Podemos dizer que quem busca a felicidade busca a Deus e quem O encontra, encontra a verdadeira felicidade?

“Deus, antes mesmo de manifestar-se pessoalmente a ele [homem] mediante a revelação divina, dispôs a inteligência e o coração da sua criatura para o encontro da alegria, e ao mesmo tempo, da verdade.” Por isso é que dizemos que a sua alegria depende do reconhecimento de Deus como seu Criador, pois se foi Ele quem a dispôs ao coração do homem, somente nele poderemos encontrá-la. Com razão Santo Agostinho, no livro das Confissões, diz: “Por que me criaste para Ti, inquieto estará o meu coração enquanto não repousar em Ti”.

A nossa alegria está em Deus e a cada dia precisamos descobrir e abraçar esta verdade. Não basta apenas reconhecer, não é suficiente saber que Deus existe, é preciso acolhê-lo em nossas vidas. O nosso coração muitas vezes se encontra cheio de planos, e isso não é mal, porém, não podemos esquecer o que diz a Palavra de Deus: “O coração do homem planeja o seu caminho, mas é o Senhor quem firma os seus passos (Pr 16,9). Nunca deveremos esquecer que o Senhor firma nossos passos. Nossos planos somente serão bons se estiverem firmados nele.

Angustiado, triste, amargurado, infeliz e sem sentido estará o nosso coração enquanto não descobrirmos que a alegria verdadeira não está nas coisas passageiras, naquilo que podemos conseguir de imediato ou naquilo que podemos sentir. Aquilo que se consegue com facilidade, facilmente se perde.

A alegria é espiritual

A expressão máxima da felicidade é a alegria. Será que nós cristãos somos felizes? O que tem alegrado a nossa vida? Onde encontramos alegria? Somente nos prazeres? Nas coisas fáceis? Seria possível encontrar alegria no sofrimento? Onde encontraremos resposta para tantas perguntas?

Paulo VI, na sua exortação apostólica sobre a alegria cristã, diz que “esse paradoxo e essa dificuldade em alcançar a alegria tornam-se pungentes de modo especial nos dias de hoje. É essa a razão da nossa mensagem. A sociedade tecnológica teve a possibilidade de multiplicar ocasiões de prazer; no entanto, ela também encontra grandes dificuldades em experimentar alegria. Pois esta provém de outra fonte. A alegria é espiritual. Assim, o dinheiro, o conforto, o bem estar e a segurança material muitas vezes não faltam e, apesar disso, o tédio, o mau humor e a tristeza, infelizmente, continuam sendo a sorte de muitos.

E não raro isto chega ao ponto de tornar-se angústia e desespero, que a aparente ausência de cuidados, o frenesi da felicidade e os paraísos artificiais não conseguem eliminar. Será que o mundo se sente importante para dominar o progresso industrial e para planificar de maneira humana a sociedade? Ou será, talvez, o futuro que se apresenta por demais incerto e a vida humana ameaçada? Ou não se tratará, sobretudo de solidão, de uma sede de amor e de presença não satisfeita, de um vazio mal definido?”.

Como viver a alegria em meio a tantos sofrimentos, desigualdades sociais, em um mundo marcado pela dor, onde os valores morais, até mesmo o direito à vida, se tornam conveniências?

Vida na presença de Deus

Apesar das injustiças e calamidades atuais, sobretudo do sofrimento dos jovens – que com sua pouca idade são forçados pelas circunstâncias a enfrentar um mundo de amarguras e de tristezas – nada nos impedirá de falar e esperar pela alegria que homem algum é capaz de oferecer, da alegria que brota da esperança em um Deus que ama e jamais abandona a sua criatura. Diz o sumo Pontífice: “…pelo contrário, é na infelicidade que as pessoas do nosso tempo precisam conhecer a alegria e ouvir o seu cântico…”. Seria necessário um paciente esforço de educação para aprender ou então reaprender a saborear, simplesmente, as múltiplas alegrias humanas que o Criador coloca, já agora, ao longo dos nossos caminhos: alegria exultante da existência e da vida; alegria do amor honesto e santificado; alegria pacificadora da natureza e do silêncio; alegria por vezes austera do trabalho feito com diligência; alegria e satisfação do dever cumprido; alegria transparente da pureza, do serviço e da partilha; alegria exigente do exercício.

Sou testemunha ocular das dores, sofrimentos e angústias que muitos jovens vivem atualmente. No entanto, quero animá-los e dizer que é possível encontrar esta alegria e comunicá-la com a própria vida a todo cristão e a todo homem que queira afastar-se da amizade com o mundo e com o pecado, motivo de toda tristeza e angústia.

A vida na presença de Deus é plena de alegria, mesmo que comporte grandes sofrimentos. Estes deverão sempre nos lembrar que somos discípulos de Cristo, que diz: “Aquele que quiser me seguir renuncie a si mesmo, tome a cada dia sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Com alegria, corramos ao Seu encontro.

Fonte: Comunidade Shalom

Nossa Senhora, a mulher mais poderosa do mundo

A Virgem Maria está em todo lugar, e é inconfundível sua influência no mundo, se vista como um todo através da história da salvação. Ela é a obra-prima de Deus, e isso explica por que, onde floresce a devoção mariana, floresce também a cultura.


Na Itália, se você perguntar o nome de uma igreja relativamente desconhecida, a resposta tende a ser Santa Maria della Qualcosa, isto é, “Santa Maria de alguma coisa”, atestando o [alto] número de igrejas na Itália com o nome de Nossa Senhora. Aparentemente, em cada cidadezinha — de Sevilha a São Petersburgo, e em todo recanto de catolicismo entre as duas — há, senão uma, várias igrejas dedicadas a Nossa Senhora. Só Roma tem, por alto, noventa delas. Muitas estão cheias de ofertas, votivas ou de ação de graças, atestando as orações atendidas pela intercessão de Maria. Entre as ofertas há muletas e óculos, fotografias e pinturas.

Em 1900, Henry Adams (1838–1918), neto do presidente John Quincy Adams e bisneto do presidente John Adams, teve uma perspicaz intuição. Em seu trabalho The Education of Henry Adams, ele explica a admiração e ignorância que sentiu, quando jovem, na Feira Mundial, ao experimentar o poder das novas máquinas, especialmente do automóvel. Ao mesmo tempo que se viu impressionado pela invenção, ele ficou entusiasmado com o potencial e o significado dela para o futuro da ciência. De repente, no entanto, Adams recua um pouco de seu estupor e maravilhamento, e passa a compará-los com o poder exercido, ao longo dos séculos, pela noção de uma virgem. Ele começa por descrever aquelas que se acham entre os gregos e romanos, mas, por fim, suas descrições incluem a Virgem Maria. Nas palavras dele:

Nos séculos XII e XIII, os homens se encontravam no auge da força; nunca antes tinham eles demonstrado energia igual em direções tão variadas, ou aplicado inteligência tal nas próprias energias; e no entanto esses colossos da história — esses plantagenetas [a família dinástica de reis]; esses filósofos da Escolástica; esses arquitetos de Reims e Amiens; esses Inocêncios, e Robin Hoods, e Marco Polos; esses cruzados que plantaram suas enormes fortalezas por todo o Levante; esses monges que tornaram férteis desertos e regiões selvagens —, eles todos, aparentemente sem exceção, se curvavam ante a mulher.

Mesmo o poder em potencial do dynamo (o automóvel) não é nada, explica Adams, comparado ao poder da Virgem. O que Henry Adams reconheceu há mais de um século (como protestante, o que é ainda mais surpreendente), à medida que andava pelas cidades, igrejas, catedrais e cemitérios, era que o auge da cultura europeia estava centrado na devoção a Nossa Senhora. Nos lugares onde crescia a cultura europeia, crescia também a devoção a Nossa Senhora, e talvez vice-versa: onde crescia a devoção a Maria, igualmente crescia a cultura.

Henry Adams não é o único a apresentar tal intuição a respeito de Maria. Em 2015, a revista National Geographic a chamou de “a mulher mais poderosa do mundo”. Na explicação de Maureen Orth:

Maria está em todo lugar […]: a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, é uma das representações femininas mais reproduzidas de todos os tempos. Maria atrai milhões [de pessoas] todos os anos a santuários como o de Fátima, em Portugal, e de Knock, na Irlanda, sustentando um turismo religioso estimado em bilhões de dólares ao ano e gerando milhares de empregos. Ela inspirou a criação de muitas obras-primas de arte e arquitetura (a Pietà de Michelangelo, a Catedral de Notre-Dame), bem como de poesia, liturgia e música (as Vespro della Beata Virgine de Monteverdi). E ela é a confidente espiritual de bilhões de pessoas, não importando quão isoladas ou esquecidas elas estejam.

Maria está em todo lugar — às vezes escondida ao olhar de muitos —, e é inconfundível sua influência no mundo, se vista como um todo através da história da salvação.

São João Diego, com a imagem milagrosa de Guadalupe. Quadro de Raúl Berzosa.

Já vimos que as minorias criativas são responsáveis por colocar as civilizações nos trilhos [i]. O que tem passado despercebido por séculos, no entanto, é o papel de Maria nas minorias criativas. Ela não só tem um papel nelas, como tem sido a força por trás das minorias criativas mais bem sucedidas da história. Lançando um olhar retrospectivo, desde quando a devoção a ela se disseminou na Igreja — isto é, a partir do século XIII, quando São Domingos divulgou o Rosário (ainda que se possa indicar um tempo ainda mais distante para tal fato) —, Maria tem sido a fonte por trás das minorias criativas da Igreja que deram início a maciças mudanças geopolíticas. Em batalha atrás de batalha contra os inimigos da fé cristã, aqueles que se deixam conduzir por ela têm saído vitoriosos. A Espanha católica, por exemplo, lutando sob o seu estandarte, é um dos únicos países a ter reconquistado amplas porções de território, tomando-as ao islã. Alhures, cristãos em número reduzido venceram os turcos otomanos nas Batalhas de Lepanto e de Viena, depois de implorarem o auxílio de Maria através do Rosário. Nas Américas, Nossa Senhora de Guadalupe transformou de modo dramático a história do continente convertendo pelo menos quatro milhões de nativos à fé católica (algumas estimativas chegam a dez milhões). E na Polônia assolada pela Guerra Fria, um padre desconhecido foi chamado, das cinzas da Segunda Guerra e do comunismo soviético, para derrubar a Cortina de Ferro. Em um país depois do outro, da Áustria à Ucrânia, algum milagre nacional tem sido atribuído à intercessão dela.

Maria está verdadeiramente no coração de muitas minorias criativas que transformaram o mundo. Ela não precisa das massas para a mudança [que quer operar]; bastam-lhe algumas almas devotas, como São Domingos, São Fernando III, o Beato Alano da Rocha, João Sobieski, Santa Catarina Labouré, as três crianças de Fátima ou o Papa São João Paulo II. Ela também age através de almas escondidas, só por ela conhecidas, que transformam o mundo mediante suas orações, sacrifícios e amor puro.

O Cardeal József Mindszenty (1892–1975), preso primeiro pelos nazistas e depois pelos comunistas, na Hungria, ao longo de vinte e três anos, dizia de Maria: “A veneração a Maria é o grande gênio que dá ao cristianismo o seu poder, coragem e vitória”. Com toda certeza, esse foi um homem que testemunhou muita covardia, injustiça e maldade escancarada. Ele sabia que Maria e sua intercessão especial eram um antídoto para tudo isso.

A mulher de coturnos

Alguns anos atrás, eu ouvi um padre de forte devoção mariana explicar que Maria usa coturnos, como quem vai para a guerra. Parecia uma coisa estranha a se dizer de uma mulher que é sempre descrita como sendo extremamente bela e estando vestida com sedas e véus esvoaçantes. E no entanto, ao olhar com mais profundidade para a influência de Maria ao longo dos séculos, a ideia de que ela use coturnos parece um pouco mais plausível.

Dentre as muitas prefigurações de Maria que se encontram no Antigo Testamento, esta soa [particularmente] adequada a uma bela mulher de coturnos: “Quem é esta que avança como a aurora que desponta, bela como a lua, incomparável como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?” (Ct 6, 10). Ela foi chamada de la Conquistadora (dificilmente um título [que consideraríamos] carinhoso) — devoção popular que continua no sudoeste dos Estados Unidos. Na Ladainha de Nossa Senhora das Dores transparece seu aspecto mais militante: a Virgem é chamada de

  • Clipeus oppressorum (“Escudo dos oprimidos”),
  • Debellatrix incredulorum (“Vencedora dos incrédulos”),
  • Fortitudo debilium (“Fortaleza dos fracos”),
  • Portus naufragantium (“Porto dos náufragos”),
  • Sedatio procellarum, (“Bonança nas borrascas”),
  • Recursus mærentum (“Recurso dos aflitos”),
  • Terror insidiantium, (“Terror dos que armam ciladas”), e
  • Corona Martyrum (“Coroa dos Mártires”).

Como uma “mamãe ursa feroz”, não é de pouco peso sua proteção, tampouco sua intercessão por aqueles que lhe são devotados. Mais recentemente, a “Milícia da Imaculada Conceição” de São Maximiliano Kolbe e o Exército Azul [ii] — formado em resposta às aparições de Fátima, contrapondo-se ao Exército Vermelho comunista — também refletem o papel de Maria como a general de doze estrelas que conduz suas tropas numa batalha espiritual. Um cavaleiro do século XII escreveu: “Nossa Senhora é poderosa nas batalhas… Ela é a esperança dos cavaleiros que lutam… Sem a ajuda dela, os cavaleiros não podem vencer”.

“Alegoria da Batalha de Lepanto”, por Paolo Veronese.

Nas batalhas militares em que ela é invocada, a balança passa a pender de formas surpreendentes em favor de seus guerreiros. Batalha atrás de batalha, o enredo é basicamente o mesmo: os cristãos estão em menor número, mas fizeram sua lição de casa espiritual. A luta começa e, do nada, algo estranho acontece que conduz os cristãos à vitória. Na Batalha de Nova Orleans, em 1815, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, o exército de seis mil homens do general Andrew Jackson enfrentou quinze mil ingleses. Os moradores de Nova Orleans se juntaram às irmãs ursulinas em oração a Nossa Senhora do Socorro Imediato [iii]. Na manhã da batalha, a Missa foi oferecida no altar onde havia sido posta a imagem de Nossa Senhora do Socorro Imediato. Da capela, podiam-se ouvir os tiros de canhão. No momento exato da Sagrada Comunhão, um mensageiro trouxe às irmãs ursulinas a notícia de que os americanos haviam vencido. Os ingleses, que contavam com a neblina para avançar, foram expostos e derrotados quando a névoa se dissipou, de repente, no momento mesmo em que a Missa era oferecida. Os ingleses perderam dois mil soldados; os americanos, setenta e um. Mais tarde, o presidente James Monroe fez ao general Jackson este elogio: “A história não registra nenhum exemplo de uma vitória tão gloriosa obtida com tão pouco sangue derramado por parte dos vencedores”. Anos depois, sempre que ia a Nova Orleans, Andrew Jackson fazia questão de visitar o Convento das Ursulinas.

Da mesma forma, durante a Guerra Polonesa-Soviética no verão de 1920, durante a Batalha de Varsóvia, os comunistas aparentemente não teriam dificuldade em derrotar os poloneses desorganizados. Então, em 15 de agosto — que se tornaria o dia da festa da Assunção de Nossa Senhora —, quando o exército russo se aproximava do Rio Vístula, uma imagem de Nossa Senhora de Częstochowa (ou do Monte Claro) foi vista nas nuvens sobre o rio, aterrorizando os bolcheviques ateus. Após uma série de batalhas, o Exército Vermelho foi derrotado no que hoje é conhecido como o “Milagre no Vístula”, que deteve a disseminação do comunismo na Europa Ocidental.

E novamente, em 1986, nas Filipinas, a ditadura de vinte anos de Ferdinand Marcos foi abalada pela eleição de Corazón Aquino (também chamada de “Cory”). Mas, quando o regime de Marcos chegou ao fim, parecia que o ditador não sairia sem lutar. Ele enviou seus militares leais, incluindo tanques e soldados, para manter o controle do país por todos os meios possíveis; Marcos tinha dado ordens para atirar nas pessoas, se necessário. O Cardeal Jaime Sin relata a reviravolta dos acontecimentos:

O que estou lhe contando agora, eu ouvi de muitos desses mesmos soldados que estavam prontos a atirar contra o povo. Os tanques tentavam penetrar no meio da multidão, e as pessoas estavam rezando e mostrando os seus rosários. Foi então que, segundo esses soldados, os fuzileiros que estavam em cima dos tanques, os chamados “lealistas” (a Marcos) viram nas nuvens a forma da cruz… Então, uma bela dama apareceu para eles.

Eu não sei se ela apareceu no céu ou se estava de pé, no chão. (Outros me diriam, mais tarde,  que pensavam que ela fosse uma irmã religiosa, vestida de azul, parada na frente dos tanques.) Ela era muito bonita e seus olhos brilhavam. E a bela senhora falou assim com eles: “Queridos soldados, parem! Detenham-se! Não machuquem meus filhos!” Quando ouviram isso, os soldados largaram tudo. Eles desceram dos tanques e se juntaram ao povo. Então, esse foi o fim dos lealistas. Eu não sei quem são esses soldados. Tudo o que sei é que eles vieram a mim, aqui, chorando. Não me disseram que era a Virgem. Disseram-me apenas que era uma irmã bonita. Mas, você sabe (ele faz uma pausa, rindo com vontade), eu conheço todas as irmãs de Manila, e não há nenhuma bonita. Então deve ter sido a Virgem!

Segundo alguns relatos, havia mais de um milhão de homens, mulheres e crianças filipinos rezando juntos nas ruas, segurando seus rosários enquanto os soldados avançavam. O regime de Marcos chegou ao fim sem grande derramamento de sangue, frustrado no último minuto pelas orações cheias de fé de um milhão de pessoas, e pela mulher de coturnos.

Rainha da Paz

Nossa Senhora das Graças.

A força de Maria não é só militar ou política. No fundo, sua influência está sempre voltada à vontade de Cristo e à salvação dos pecadores, mas com um toque maternal. Como uma boa mãe, ela traz paz para aqueles [que se encontram] em situações complicadas. Quando Nossa Senhora apareceu a Santa Catarina Labouré, disse-lhe que a França passaria por terríveis conflitos políticos por quarenta anos, e que o mundo inteiro ficaria triste. “Chegará a hora em que o perigo será enorme”, explicou Maria a Catarina. “Tudo parecerá estar perdido. Nesse momento, eu estarei convosco. Tende confiança”. E, exatamente como disse Maria, houve quarenta anos de agitação política e perseguição religiosa tanto na França quanto em outros lugares. As guerras continuaram, inclusive a Guerra de Secessão Americana e a Guerra Franco-Prussiana. Predita por Maria, a hora mais sombria para Santa Catarina e para a França foi a Comuna de Paris, em 1871. Os membros da comuna, furiosos, sitiaram Paris com brigas sangrentas nas ruas e profanaram igrejas e túmulos de santos. Até o arcebispo foi assassinado. Quando os rufiões da comuna tomaram parte do convento de Santa Catarina, as religiosas foram forçadas a se dispersar para outros conventos a fim de se protegerem da turba bêbada de homens vorazes. Os avisos de Maria a Santa Catarina, no entanto, deram-lhe uma calma imperturbável, mesmo nos momentos mais sombrios.

Ao longo da história da Igreja, santo depois de santo falam da paz, do consolo e da confiança que Nossa Senhora lhes infunde nos corações — não importando quão graves sejam as circunstâncias [iv].

Maria já se revelou em todo o mundo como mãe e Rainha da Paz. Há locais de aparições suas espalhados por todo o planeta. A quem visita o Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington [capital dos EUA], fica bastante clara a ligação de Maria com as nações do mundo: ali, há setenta capelas dedicadas à influência internacional de Nossa Senhora, da China à África, da Áustria ao Vietnã. Muitíssimos países (católicos e não-católicos) recebem suas grandes graças e, então, passam a contar com santuários a ela dedicados, que são fontes de graça, bênção e paz. Tais lugares nos fazem lembrar as palavras de São Pedro Damião, segundo o qual Maria é “a Mãe da verdadeira Paz”.

Para além do campo de batalha

Quando a maior parte das batalhas é concluída, os militares partem para outra batalha. A influência de Maria, no entanto, não se limita a derrotar os inimigos; ela se estende à transformação da paisagem. Nossa Senhora fortalece a comunidade e a nação por meio das obras de cultura.

Na ordem da história (embora não na ordem da graça), a influência mais tangível de Nossa Senhora no mundo seguiu-se à de São Bento [v]. Ele trouxe ordem e estabilidade aos mosteiros, bem como às sociedades que cresceram no entorno. Na Idade Média, houve um expurgo importante de todas as coisas pagãs e de um sistema de crenças que se havia proliferado durante o Império Romano. A natureza e a Criação foram desvinculadas das associações pagãs que havia no coletivo da civilização ocidental, e o mundo foi renovado, como solo puro no qual a cultura e a sociedade poderiam finalmente deitar raízes e crescer em boas condições [vi]. Isso não significa que tais sociedades não tivessem pecados ou salafrários, mas havia nos homens e mulheres uma compreensão fundamental de quem era Deus e do relacionamento [que eles deviam ter] com Ele. A partir deste forte ponto de partida, a cultura pode ser construída, como em uma base sólida. Não por acaso a devoção a Nossa Senhora aumentou vertiginosamente após o expurgo do paganismo.

Olhando para a história, [nós vemos que] as culturas são transformadas pela simples devoção a ela. Um sacerdote sábio definiu certa vez a cultura como “o amor de Deus feito visível”. Maria é a obra-prima de Deus, e isso explica por que, onde floresce a devoção mariana, floresce também a cultura. Maria, como nossa mãe, traz ordem aos lugares onde ela é invocada e venerada. Como explica São John Henry Newman, convertido do anglicanismo ao catolicismo, Maria é o nosso “mundo mais feliz”. Ela conduz ao Filho seus filhos espirituais e ajuda-nos a recuperar o que se havia perdido pela Queda e pelo pecado. Ela nos livra das falsas doutrinas. Longe de uma devoção “melosa”, Maria extirpa os vícios dos cínicos, dos abatidos, dos iracundos, dos agitados e dos sem esperança. No lugar, ela planta os dons da paz, da ordem, da esperança, da força, da bondade e da criatividade. Esses novos frutos se tornam tangíveis na vida de seus devotos através dos elementos materiais da cultura. Seus dons se espalham de pessoa a pessoa, bem como para a cultura em geral.

Notas

  1. No texto original, Carrie Gress diz: In the previous chapter, we saw that creative minorities are responsible for setting the wheels of civilizations aright. A expressão “No capítulo anterior” se deve ao fato de que esse texto foi tirado do capítulo 2 do livro The Marian Option: God’s Solution to a Civilization in Crisis [“A Opção Mariana: Solução de Deus para uma Civilização em Crise”, sem tradução portuguesa]. Portanto, para mais detalhes a respeito dessa informação, colocada aqui como pressuposto, é preciso ler o capítulo 1 dessa obra. (N.T.)
  2. The Blue Army of Our Lady of Fátima [“O Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima”], agora conhecido como “Apostolado Mundial de Fátima”, é uma associação pública internacional de fiéis fundada em 1947, nos Estados Unidos, pelo Pe. Harold V. Colgan. (N.T.)
  3. Nossa Senhora do Socorro Imediato, ou “do Pronto Socorro”, é um título norte-americano da Virgem Maria. A devoção teve início em Nova Orleans, no início do século XVIII, por iniciativa de irmãs ursulinas vindas da França. (N.T.)
  4. Aqui, a autora faz referência a histórias que ela conta nos capítulos seguintes de seu livro: As we will see in later chapters, saint after saint… (N.T.)
  5. Aqui, nova alusão a algo visto no primeiro capítulo do livro: As we saw in the previous chapter, in the order of history (though not in the order of grace), Our Lady’s more tangible influence in the world followed that of St. Benedict. (N.T.)
  6. A autora usa aqui a expressão Dark Ages para fazer referência à Idade Média. Embora acreditemos que o termo tenha sido usado de modo irônico, omitimo-lo por uma melhor construção da frase em nossa língua e, no início do período imediatamente anterior, acrescentamos “Na Idade Média”. (N.T.)

Fonte: padrepauloricardo.org

O Papa: situação grave na Terra Santa, agir para cessar o conflito

Na audiência com os membros do Studium Biblicum Franciscanum nascido, em Jerusalém, cem anos atrás, Francisco lançou um novo apelo pela paz nos Lugares santos e convida a rezar incessantemente. Pediu aos franciscanos que dirigem a instituição acadêmica para que continuem oferecendo o seu testemunho no lugar onde teve origem o cristianismo.


O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (15/01), na Sala Clementina, no Vaticano, uma delegação do Studium Biblicum Franciscanum pelo seu centenário de fundação.

O organismo foi inaugurado em Jerusalém, no Santuário da Flagelação, em 7 de janeiro de 1924, e alguns anos depois foi ligado ao Colégio Santo Antônio de Roma, hoje Pontifícia Universidade Antonianum. Desde então, a sua história sempre esteve ligada à presença dos Frades Menores na Terra Santa.

Graças ao trabalho paciente de professores e arqueólogos do Studium Biblicum Franciscanum, é possível ir e rezar sobre as ruínas da casa do Apóstolo Pedro, em Cafarnaum, no Lago de Tiberíades.

Com sua Biblioteca e Museu, o Studium Biblicum Franciscanum “deu e continua dando impulso a importantes escavações arqueológicas, em vários sítios, fazendo descobertas valiosas, a ponto de obter, em 2001, o reconhecimento como Facultas Scientiarum Biblicarum et Archaeologiae. Isso determinou sua peculiaridade de unir ao estudo das Sagradas Escrituras a permanência nos Lugares Santos e a pesquisa arqueológica, o que lhe permitiu ampliar e aprofundar consideravelmente seus programas e metodologias”.

Canalizar o estudo das Escrituras para o serviço pastoral

“Além disso, para vocês, o amor pelos textos bíblicos é um amor fundado na mesma vontade de São Francisco”, disse ainda o Papa, ressaltando que para São Francisco, “o conhecimento da Palavra de Deus, e também o seu estudo, não são questões de mera erudição, mas experiências de natureza sapiencial, cujo objetivo, na fé, é ajudar as pessoas a viverem melhor o Evangelho e torná-las boas”. São Boaventura de Bagnoregio, cujo aniversário de 750 anos de morte será celebrado este ano, discípulo fiel de São Francisco de Assis entendeu isso muito bem. Segundo ele, para acolher o dom da Palavra de Deus é necessário «aproximar-se do Pai da luz com fé simples e rezar com o coração humilde, porque Ele, através do Filho e no Espírito Santo, nos concede o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e, com o conhecimento, também o amor».

Por ocasião do seu centenário, exorto-os a não perderem de vista este tipo de abordagem das Escrituras. O estudo rigoroso e científico das fontes bíblicas, enriquecido pelos mais modernos métodos e disciplinas afins, esteja sempre unido ao contato com a vida do povo santo de Deus e voltado para o seu serviço pastoral, em harmonia e em benefício do seu carisma específico na Igreja.

“Queridos, neste tempo em que o Senhor nos pede para ouvir e conhecer melhor a sua Palavra, para fazê-la ressoar no mundo de forma cada vez mais compreensível, o seu trabalho discreto e apaixonado é mais precioso do que nunca. Encorajo-os, portanto, a continuar a realizá-lo e a qualificá-lo na pesquisa, no ensino e na atividade arqueológica”, disse o Papa, acrescentando:

Situação atual da Terra Santa

“A situação atual da Terra Santa e dos povos que a habitam nos envolve e nos aflige. É muito grave sob todos os pontos de vista. Devemos rezar e agir incansavelmente para que essa tragédia termine.”

Que isso os estimule ainda mais a aprofundar as razões e a qualidade de sua presença nesses Lugares martirizados, onde se encontram as raízes da nossa fé.

Fonte: Vatican News

Hoje a Igreja celebra são Julião e santa Basilissa, esposos no amor virginal

São Julião e santa Basilissa | São Julião e santa Basilissa

“Eu não adoro a não ser única e exclusivamente ao Deus do céu”, disse São Julião diante do juiz que o condenou a morrer degolado. Ele e sua esposa, Santa Basilissa, viveram um amor virginal aprovado pelo próprio Jesus Cristo. Ele morreu mártir. Ela faleceu depois, após sobreviver à perseguição. A festa de ambos é celebrada hoje (9).

São Julião era filho único de uma família nobre se rica. Teve uma profunda educação na religião cristã. Aos 18 anos, seus pais queriam que ele se casasse com uma jovem nobre chamada Basilissa, mas são Julião tinha feito votos de castidade.

Depois de muito jejum e oração, teve uma revelação celestial no qual lhe foi comunicado que, com sua esposa, poderia guardar a desejada virgindade. São Julião e santa Basilissa foram arrastados milagrosamente ao amor virginal. O Senhor Jesus lhes apareceu e aprovou suas decisões de se conservar castos.

Os santos distribuíram seus bens entre os pobres e se retiraram para viver em duas casas nos arredores da cidade, que converteram em mosteiros. A são Julião iam os homens e, a santa Basilissa, as mulheres. Todos iam onde os esposos estavam para seguir conselhos a fim de viver de modo mais cristão.

Os homens nomearam são Julião como superior e ele os dirigiu com carinho e prudência. Era o que mais trabalhava, o que mais ajudava e rezava com muito fervor. Dedicava muitas horas à leitura de livros religiosos e à meditação. Sua vida foi um contínuo jejum.

Quando se tratava de repreender alguém, ele o fazia sem arrogância, sem modos ruins ou diante dos demais; mas, em privado, com frases amáveis, compreensivas e animadoras. Os monges se sentiam no deserto muito mais felizes do que se estivessem no mais cômodo convento.

Santa Basilissa, por sua vez, era seguida por uma multidão de jovens que ficavam edificadas com o exemplo de sua virtude. Muitas delas abraçaram a vida religiosa e viveram em paz sob sua direção.

Naquele tempo, ocorreu a perseguição de Diocleciano e Maximiano e prenderam Julião junto com os que moravam com ele no mosteiro. Diante do juiz, são Julião proclamou: “Deus ajuda aos que são seus amigos e Cristo Jesus, que é muitíssimo mais importante e poderoso do que o imperador, me dará as forças e o valor para suportar os tormentos”.

São Julião foi condenado à morte, mas antes recebeu terríveis chicotadas. Um dos carrascos, ao chicoteá-lo rapidamente, foi ferido em um olho pela ponta de ferro do chicote. O santo intercedeu a Deus, colocou suas mãos sobre o olho ferido e se obteve a cura.

Os carrascos lhe cortaram a cabeça e o jovem Celso, filho do perseguidor Marciano, se converteu ao cristianismo ao ver a coragem e alegria com a qual este amigo de Cristo morreu, por volta do ano 304. Santa Basilissa, por outro lado, morreu tranquilamente, apesar de também ter sido perseguida.

Fonte: ACI Digital

Nossa Senhora é modelo de abandono na graça de Deus, diz missionária

Celebrado em novembro, o título de Nossa Senhora da Divina Providência representa a intercessão da Virgem Maria a Deus diante das necessidades dos homens


A Virgem Maria é conhecida por muitos títulos. Nossa Senhora da Imaculada Conceição, das Graças, das Dores; Nossa Senhora Aparecida, de Fátima, de Guadalupe. Cada um corresponde a uma devoção ligada a um aspecto da vida da Mãe de Jesus ou a alguma de suas aparições, que, à sua maneira, atende à necessidade dos fiéis que nela confiam.

Um destes títulos, comemorados no mês de novembro, está relacionado a uma das mais importantes passagens da vida de Jesus, quando Ele fez seu primeiro milagre publicamente, nas Bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-11). Após o vinho da festa de casamento que Jesus participava acabar, Ele transformou água na bebida, evitando um grande constrangimento para os noivos.

Quem intercedeu para que esse milagre acontecesse foi Nossa Senhora. Percebendo a falta do vinho, ela se dirigiu a Jesus, relatando o que acontecera. Apesar de seu filho lhe responder que sua hora ainda não havia chegado, a Virgem Maria se voltou para os que estavam servindo e lhes disse “fazei tudo o que ele vos disser”.

Mãe da Divina Providência

Baseado nesta passagem, surgiu o título de Nossa Senhora da Divina Providência. A sua popularização se deu pela Ordem dos Padres Barnabitas, fundada por Santo Antonio Maria Zaccaria no século XVI.

Durante a construção de uma igreja, apesar da falta de recursos, nada faltou durante as obras. Os religiosos, que rezavam à Nossa Senhora da Divina Providência, atribuíram a ela este sucesso, por acreditar que ela providenciou tudo que era necessário.

Ir. Odir Teresinha, ibdp / Foto: Arquivo pessoal

Nos dias atuais, muitas pessoas também têm a devoção à Nossa Senhora da Divina Providência. De forma muito especial, as Irmãs Beneditinas da Divina Providência vivem esta dependência de Deus enquanto seu carisma, expresso pelo “confiante abandono na Divina Providência”.

Há 39 anos na Congregação, a Ir. Odir Teresinha Lópes de Brito, ibdp, indica que a chave para viver esta dependência é a fé. “A confiança inabalável em Deus nos leva a esperar tudo Nele, de maneira ativa, crendo que Ele está sempre conosco, provendo o que é necessário e bom para nós”, explica a religiosa.

Assim como nas Bodas de Caná, é Deus quem provê aquilo que falta. Contudo, Nossa Senhora também intercede junto a Ele, para que a graça seja derramada. “Ela é nossa amorosa mãe que cuida, protege e sempre está conosco. Ela é aquela que nos leva ao seu Filho Jesus, como mãe amável e atenciosa às necessidades dos seus filhos e filhas. Ela nos ajuda quando estamos em apuros, apresentando nossas necessidades a Jesus, ou quando queremos viver bem, para agradar a Deus”, conta a Ir. Odir Teresinha.

Confiança em Deus

Para ter a confiança necessária na Divina Providência, a religiosa dá alguns conselhos. O primeiro deles é manter a paz no coração, não agindo por impulsividade, mas mantendo sempre forte a esperança em Deus. Neste sentido, ela aponta como a Virgem Maria pode ajudar a viver desta forma.

“Ela é a rainha da paz, é a mãe de amor, que está diretamente ligada às ações de Deus na vida de cada pessoa e para com a toda a humanidade. Assim como o Pai Providente, ela nunca nos abandona e sempre cuida de nós, de nossas vidas e necessidades”, frisa a irmã beneditina.

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Um dos momentos em que a Divina Providência se manifestou pela intercessão de Nossa Senhora na vida da religiosa foi durante uma doença que se manifestou há alguns anos. A Ir. Odir Teresinha relata que havia sido diagnosticada com um mioma – uma espécie de tumor uterino – e precisaria de uma cirurgia.

“Então comecei a rezar o terço, pedindo à Mãe da Divina Providência que intercedesse por mim. Em poucos dias realizei outro exame mais completo e, para a surpresa do médico e minha, não havia nada mais, nem a necessidade de cirurgia”, conta a irmã.

A Providência é para todos

Contudo, para além desta grande manifestação da Divina Providência, a religiosa afirma que ela também se mostra no dia a dia, “nas pequenas coisas, nas quais Deus me surpreende com sua providência, com respostas às minhas preces e súplicas”.

Da mesma forma, a Divina Providência não é algo reservado apenas aos religiosos, por exemplo. Trata-se do derramamento da graça de Deus, que alcança todos os Seus filhos. “Assim como a chuva cai indistintamente para todos, Deus age providenciando tudo o que é necessário para a vida de Seus filhos e filhas”, expressa a Ir. Odir Teresinha.

Exemplo deste cuidado do Pai com todos é a missionária da Comunidade Canção Nova Elane Freires. Enquanto membro da comunidade, ela já experimentava a Divina Providência em seu dia a dia, especialmente a partir do exemplo de Maria.

“Para nós, da Canção Nova, a Divina Providência vai além do material: ela está em tudo, permeando tudo em nossa vida, confirmando aquilo que são os desígnios do Senhor. Um coração abandonado em Deus pode experimentar grandes graças, e Nossa Senhora é esse modelo de uma mulher que se abandonou e experimentou graças elevadas”, declara a missionária.

Providência no casamento

Elane Freires e seu esposo, Joselio Pires, no dia de seu casamento / Foto: Arquivo pessoal

Assim como aconteceu nas Bodas de Caná, a Divina Providência, com a intercessão da Virgem Maria, se manifestou em um casamento. Elane casou-se com o também missionário da comunidade, Joselio Pires, em 21 de outubro do ano passado.

À época, o casal, que estava na missão da Canção Nova de São Paulo (SP), havia sido remanejado para Cachoeira Paulista (SP). Contudo, por conta de uma doença do pai de Elane, a família da noiva, de Fortaleza (CE), não poderia participar da cerimônia.

Diante disso, “nós tivemos que nos abandonar na Providência”, conta a missionária. E Deus não os deixou desamparados. Eles conseguiram que o casamento acontecesse em Fortaleza, mas precisaram confiar nos preparativos feitos pelos irmãos que estavam na capital cearense.

“A missão de Fortaleza nos acolheu, nos fez viver este desprendimento, mas nos contemplou com a sensibilidade do Senhor”, relata Elane. Ela, que se descreve como uma pessoa muito ligada aos detalhes, diz que se sentiu amada justamente neles, “em todos os detalhes em relação ao casamento”.

“Deus foi generoso em Sua misericórdia”, expressa a missionária, partilhando que “foi edificante para nós poder tocar neste mistério da graça de Deus, que nos alegra, nos coloca para a frente e nos faz experimentar graças superiores.”

Fonte: Canção Nova

Papa: a paz está ameaçada e o Ano jubilar se faz necessário. A guerra é um “massacre inútil”

Francisco recebeu em audiência os embaixadores acreditados junto à Santa Sé e alertou para “a terceira guerra mundial em pedaços”, que está se tornando um verdadeiro conflito global.


O discurso do Papa ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé é um dos mais tradicionais e importantes do ano e não foi diferente neste 2024. Francisco recebeu na manhã desta segunda-feira, 8 de janeiro, os embaixadores de 184 países e passou em resenha os principais desafios da comunidade internacional. Falou de tecnologia e inteligência artificial, migração, barrigas de aluguel, mudanças climáticas, educação, liberdade religiosa, democracia e desigualdade. Mas o fio condutor de seu discurso foi a paz:

“Trabalhar pela paz. Uma palavra tão frágil, que, ao mesmo tempo, se revela exigente e densa de significado. A ela quero dedicar a nossa reflexão de hoje, num momento histórico em que a mesma está cada vez mais ameaçada, fragilizada e parcialmente perdida. Aliás é dever da Santa Sé, no seio da comunidade internacional, ser voz profética e apelo à consciência.”

Francisco citou o discurso do seu predecessor Pio XII oitenta anos atrás, perto do fim da II Guerra Mundial, em que a humanidade sentia o impulso para uma “renovação profunda”. Este impulso, afirmou o Pontífice, parece ter-se esgotado e “terceira guerra mundial aos pedaços” está se tornando um verdadeiro conflito global.

Papa saúda o decano do Corpo Diplomático, o embaixador de Chipre Georgios F. Poulides

Os conflitos atuais

A primeira guerra citada pelo Papa foi entre Israel e na Palestina. O ataque terrorista de 7 de outubro deixou todos “chocados” e provocou uma forte resposta militar israelense em Gaza. “Repito a minha condenação” e “renovo o meu apelo para um cessar-fogo”, disse Francisco, apoiando a “solução de dois Estados”, e um estatuto especial, garantido internacionalmente, para a Cidade de Jerusalém.

As guerras hodiernas, notou o Papa, não se combatem somente entre soldados, e os civis acabam sendo envolvidos. Além disso, a violação do o direito internacional humanitário é considerado crime de guerra. “Se conseguíssemos fixar cada uma das vítimas nos olhos, disse, veríamos a guerra como ela é: nada mais que uma enorme tragédia e ‘um massacre inútil’, que fere a dignidade de toda a pessoa nesta terra.”

“Ainda que se trate de exercer o direito de autodefesa, é indispensável respeitar o uso proporcional da força.”

E se as guerras existem, devem-se também à enorme disponibilidade de armas. “Quantas vidas se poderiam salvar com os recursos atualmente destinados aos armamentos? Não seria melhor investi-los a favor de uma verdadeira segurança global?”, questionou. E renovou a sua proposta de constituir um Fundo mundial para eliminar finalmente a fome e promover um desenvolvimento sustentável de todo o planeta. Francisco reiterou mais uma vez “a imoralidade de fabricar e possuir armas nucleares”.

O Santo Padre então mencionou todas as outras regiões em conflito: Ucrânia, Líbano, Síria, Miamar, Arzeibajão, Armênia, Chifre da África, República Democrática do Congo, Venezuela e Guiana.

O continente americano e a Amazônia

Aliás, quanto ao continente americano, o Papa manifestou sua preocupação com os fenômenos de polarização que comprometem a harmonia social e enfraquecem as instituições democráticas, como vem ocorrendo no Peru. E como fez em sua mensagem em 1º de janeiro, mencionou a Nicarágua, onde uma crise provoca “amargas consequências” para toda a sociedade e para a Igreja Católica. “A Santa Sé não cessa de convidar a um diálogo diplomático respeitoso pelo bem dos católicos e de toda a população.

Também causam guerras a fome, a exploração dos recursos naturais e a exploração das pessoas, assim como as catástrofes naturais e ambientais. A esse ponto, aprofundou o tema da crise climática e deu como exemplo a desflorestação da Amazônia, o “pulmão verde” da Terra. Sobre a COP28, realizada em Dubai, aprovou a adoção do documento final, que “constitui um passo encorajador e revela que, perante as inúmeras crises que estamos a viver, há a possibilidade de revitalizar o multilateralismo”.

Fome, desigualdade e desastres naturais provocam ainda migração forçada. O deserto do Saara, as fronteiras da América Central e do Norte e, sobretudo, o Mar Mediterrâneo, são as regiões mais sensíveis, e muitas delas se tornaram “cemitérios”. É fácil fechar o coração, disse o Papa, mas nenhum país pode ser deixado sozinho.

A vida e as barrigas de aluguel

O caminho da paz, acrescentou Francisco, exige o respeito pela vida humana, a começar pela do nascituro no ventre da mãe. O Papa definiu como “deprimente” a prática da chamada barriga de aluguel, pedindo um esforço da comunidade internacional para proibir tal prática em nível universal. “Um filho é sempre um dom, e nunca o objeto de um contrato”.

O caminho da paz exige ainda o respeito pelos direitos humanos, e o Papa lamentou as tentativas para introduzir novos direitos, como a teoria do gender. O caminho da paz passa também pelo diálogo político e social, e mencionou as eleições em 2024 em muitos países, enaltecendo a democracia. Outro diálogo importante é o inter-religioso. Francisco manifestou sua preocupação com a tutela da liberdade religiosa e o respeito das minorias. Condenou o antissemitismo e a perseguição e a discriminação contra cerca de 360 milhões de cristãos.

O Papa recordou ainda todas as suas viagens internacionais de 2023: República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Hungria, Portugal, Mongólia e Marselha. Ao falar da Jornada Mundial da Juventude, adentrou no desafio da educação, “o principal investimento no futuro e nas gerações jovens”. “Conservo no coração aquele encontro com mais de um milhão de jovens, provenientes de todas as partes do mundo, cheios de entusiasmo e vontade de viver. A sua presença foi um grande hino à paz.”

Falar de edução engloba também a utilização ética das novas tecnologias e o perigo das fake news, motivo pelo qual a Mensagem para o Dia Mundial da Paz foi dedicada à inteligência artificial, “um dos desafios mais importantes dos próximos anos”.

O Jubileu e o anúncio do Reino

O Papa concluiu o seu discurso com o Jubileu, que terá início neste Natal de 2024:

“Talvez hoje, mais do que nunca, tenhamos necessidade do ano jubilar.” Perante tantos sofrimentos e face à obscuridade deste mundo, “o Jubileu é o anúncio de que Deus nunca abandona o seu povo e mantém sempre abertas as portas do seu Reino”.

“É um tempo de justiça, em que os pecados são perdoados, a reconciliação permite superar a injustiça e a terra repousa. Pode ser para todos – cristãos e não-cristãos – o tempo para quebrar as espadas e delas fazer arados; o tempo em que uma nação não mais levantará a espada contra outra nação, nem se aprenderá mais a arte da guerra (cf. Is 2, 4).”

Francisco se despediu dos embaixadores desejando a eles e aos povos que representam “um ano feliz para todos”.

Fonte: Vatican News

Cada dia da semana tem um propósito de fé

Para ajudar os fiéis a perseverar na sua vida cristã, a Igreja atribuiu a cada dia da semana um propósito especial de devoção.

Enciclopédia Católica (EC) da ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, diz que “em todos os tempos” o domingo esteve dedicado ao Senhor.

A segunda-feira, no início da Idade Média, “era consagrada ao culto especial do Filho de Deus”, mas depois foi dedicada ao Espírito Santo “para implorar a sua assistência no início das tarefas da semana”.

Atualmente, numa “devoção livre e voluntária que a Igreja aprova sem prescrever”, a segunda-feira é dedicada à oração pelas almas do purgatório.

A terça-feira, diz a CE, “é geralmente consagrada ao culto dos Santos Anjos e especialmente ao Anjo da Guarda”.

A quarta-feira, continua, “é o dia escolhido pela devoção para homenagear são José e alcançar a graça de uma boa morte”.

A quinta-feira é eucarística, lembrando que “o Filho de Deus instituiu numa quinta-feira o sacramento da eucaristia, no qual deixou ao gênero humano para sempre a sua carne e o seu sangue para que os comamos e bebamos”.

Toda sexta-feira, diz a Enciclopédia Católica, “é consagrada à Paixão”, e nestes dias a Igreja incentiva a viver o jejum e a abstinência.

O cânon 1.251 do Código de Direito Canônico diz: “guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

A CE acrescenta que “os fiéis têm o costume de acrescentar à abstinência a recitação de cinco Pai-Nossos e cinco Ave-Marias, em honra das cinco chagas de Nosso Senhor às três da tarde deste dia”.

O sábado, diz, “foi durante muitos séculos tão feriado quanto o domingo, e isto por vários motivos”.

“Em primeiro lugar, para honrar o descanso do Senhor após a criação, e para lembrar ao homem que ele também, sendo imagem de Deus, criava em certo modo durante esta vida, e que um dia entraria no sábado, ou descanso eterno, figurado pelo sétimo dia”.

“Em segundo lugar, lembramos que o Salvador frequentemente escolhia o dia de sábado para realizar curas e milagres e para ir pregar nas sinagogas”, diz.

O diretor da Enciclopédia Católica, José Gálvez Krüger, disse à ACI Prensa que na história, “desde a Revolução Francesa, há um processo programático para descristianizar a sociedade”.

“Porque a Revolução Francesa, mesmo disfarçada com os trapos do progresso e dos direitos humanos, nada mais é do que um movimento anticristão e homicida”, disse.

“Todas as revoluções no mundo seguiram o esquema”, acrescentou.

Neste programa afirma-se que “a primeira coisa a fazer é retirar Deus da vida cotidiana, da vida cotidiana do homem simples, do homem comum”.

Para Gálvez Krüger, isso fica evidente na forma como em muitos lugares são descartados “os santos, a dedicação de cada dia a um modelo de virtude e santidade, a santificação das festas, a linguagem arquitetônica dos templos”.

Manifesta-se também “na proibição da exteriorização da fé e da sua profissão pública, ou seja, procissões, celebração pública dos sagrados mistérios, festas religiosas e símbolos religiosos, incluindo o crucifixo e a imagem da Mãe de Deus, a Virgem Gloriosa e Santíssima”.

Para o diretor da CE, é urgente “recristianizar a sociedade a partir da própria família, desde a própria modéstia no vestir até nos utensílios domésticos (ter uma fonte de água benta, uma imagem da Virgem)”.

Ele também exortou a uma atenção especial aos santos católicos, pois “cada dia é consagrado à memória de um modelo de virtude e de santidade, que a Igreja propõe para a edificação dos seus membros”.

Fonte: ACI Digital

A necessidade da Virgem Maria

Maria nunca se cansa de interceder por nós, somos nós que nos cansamos de pedir a sua intercessão


Nas suas cartas espirituais, São Francisco de Sales tinha a capacidade de conduzir seus leitores a uma ardente esperança pela salvação. Isso fazia o então bispo de Genebra, orientando-os a não se deixarem abater pelas próprias faltas, e, sim, a utilizá-las para o crescimento na humildade. São Francisco recomendava insistentemente a intercessão de Maria. “A Santíssima Virgem foi sempre a Estrela polar e o porto favorável de todos os homens que têm navegado pelos mares deste mundo miserável”, ensinava o santo aos fiéis [1]. De fato, na história da cristandade, sobretudo nos momentos de grande tribulação, Nossa Senhora revelou-se como Auxilium Christianorum.

Esse título mariano, empregado ao longo dos séculos por uma porção de santos — e contemplado na famosa Ladainha Lauretana — explicita algo de muito importante para a fé católica: a necessidade de Maria. Porque Deus quis precisar da Virgem Santíssima para trazer a salvação ao mundo, o homem deve também recorrer à sua maternidade. Trata-se da Pedagogia Divina: indo a Deus por meio de Nossa Senhora, reconhecemos perante o céu nossa condição miserável; não somos dignos de receber a graça diretamente das mãos do Pai. Dizia Bento XVI, inspirado no testemunho de São Frei Galvão, ao povo brasileiro: “Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora” [2]. Ela está presente, ainda que discretamente, em todos os momentos cruciais da vida terrena de Cristo. Na encarnação, vemos o anjo saudá-la: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Nas bodas de Caná também está presente: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Ao pé da cruz, consola as dores do Filho, tendo o coração transpassado pela espada de dor, anunciada por Simeão (cf. Lc 2, 35). E, em Pentecostes, aparece ao lado dos Apóstolos para rezar pela vinda do Paráclito e manifestação da Igreja (cf. At 1, 14).

Imagem: Pascom Luz

 

O clássico de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida, apresenta essa intercessão de Maria de forma belíssima. Na cena do julgamento, em que João Grilo recorre ao socorro da “Mãe de Deus de Nazaré”, vê-se todo o drama do ser humano ao mesmo tempo em que se manifesta a Misericórdia de Deus pelos lábios da Virgem: “Intercedo por esses pobres, meu Filho, que não têm ninguém por eles; não os condene”. E quando para João Grilo já não se acha aparentemente nenhuma possibilidade de salvação — mesmo ele se deixa abater, achando-se condenado —, está Ela a suplicar outra vez pelo homem. O episódio permite-nos recordar algumas palavras do Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia” [3]. Do mesmo modo, a Virgem Maria nunca se cansa de interceder por nós, somos nós que nos cansamos de pedir a sua intercessão.

 

No coração de cada cristão subsiste um João Grilo, isto é, aquele homem velho que ainda não se converteu. Por outro lado, existe também a fé do personagem que, agarrando-se à Mãe, confia na justa misericórdia de Deus. Diante de nossas misérias, podemos nos sentir desanimados e, como João Grilo, quase certos da condenação, embora nunca deixemos de rezar. Eis então que a Mãe nos grita, apontando para o diabo: “Não, João, não se entregue. Este é o pai da mentira, está querendo lhe confundir”. Sim, é preciso uma exortação para que recuperemos a estrada do céu. A graça, como o próprio nome já diz, é gratuita. Mas, não coincide com a presunção. Diz São Luís de Montfort: “Será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se trespassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu filho?” [4] O homem deve renunciar ao pecado.

Há 160 anos Pio IX proclamava o dogma da Imaculada Conceição, com o qual se reconhecia que a Virgem Maria foi “absolutamente livre de toda mancha do pecado” desde a concepção [5]. É comovente o que relatam sobre as últimas palavras desse Bem-Aventurado Papa no seu leito de morte. Ele confessava [6]:

Estou contemplando docemente os quinze mistérios que adornam as paredes desta sala, que são outros tantos quadros de consolo. Se soubesse como me animam! Contemplando os mistérios gozosos, não me lembro das minhas dores; pensando nos dolorosos, sinto-me extremamente confortado, pois vejo que não estou sozinho no caminho da dor, mas que Cristo vai à minha frente; e quando considero os gloriosos, sinto uma grande alegria, e parece-me que todas as minhas penas se convertem em resplendores de glória. Como me consola o rosário neste leito de morte. O rosário é um Evangelho compendiado e dará aos que o recitam os rios de paz de que nos fala a Sagrada Escritura; é a devoção mais bela, mais rica em graças e gratíssima ao coração de Maria. Seja este, meus filhos, o meu testamento, para que vos lembreis de mim na terra.

Na história de Ariano Suassuna, a intercessão de Maria concede a João Grilo uma nova oportunidade para ser santo. É o que recebemos todas as vezes que nos arrependemos e confessamos nossos pecados. Maria acolhe nosso pedido de perdão e o entrega às mãos de Cristo. E este é o nosso grande consolo: saber que receberemos o Reino dos Céus pelas mãos de nossa Mãe. Com Ela, tudo se torna mais fácil. Sem Ela, tudo se torna praticamente impossível.

Como cultivar amizades santas?

A amizade é um grande dom para o ser humano, mas, se não for vivida pelo motivo correto, pode transformar-se em um vício perigoso para a caminhada espiritual.


No caminho da santidade, os cristãos são chamados a progredir continuamente no amor a Deus. Esse progresso consiste numa espécie de segunda conversão, em que a pessoa, fortalecida pelas virtudes infusas, começa a enxergar o Senhor não mais com o olhar do servo, mas do amigo. Jesus deseja estar ligado a nós por um vínculo de amizade, como se percebe neste discurso d’Ele aos apóstolos: “Non iam servos, sed amicos – Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15, 15).

A amizade (do grego philia) é uma das quatro formas de amor. Os homens podem amar de maneira erótica, familiar, fraterna e abnegada. Embora essas quatro dimensões não existam sozinhas — ao contrário, necessitam uma das outras para que não se transformem em ídolos —, cada uma possui características próprias, as quais colaboram para o desenvolvimento de alianças duradouras e íntimas. A amizade, ou caridade fraterna, distingue-se pelo amor ao outro, cujo efeito ultrapassa as barreiras sanguíneas. Aquele que poderia ser chamado de estranho é amado fraternalmente, isto é, como se fosse um irmão.

Santa Teresa d’Ávila elenca a caridade fraterna, ao lado da pobreza e da humildade, como uma das três colunas fundamentais do edifício espiritual. Não é difícil de entender agora o porquê deste ensinamento. Precisamos da amizade para que tenhamos intimidade com Deus, pois quem se relaciona com Ele apenas como servo não é capaz de perscrutar o Seu desejo mais profundo para os homens. O servo nunca se aproxima intimamente de seu senhor, ao passo que o amigo quer estar sempre na sua presença, a fim de dividir suas alegrias e preocupações.

Os santos souberam cultivar o dom da amizade em suas vidas, buscando a presença de Deus no coração de seus irmãos. E isso os motivou ainda mais a buscar a santidade. Bento XVI explica: “Quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição” [1]. É o que testemunhamos na vida de São Francisco de Assis e Santa Clara, Santa Teresa d’Ávila e São João da Cruz, e tantos outros santos. Eles se amaram de maneira tão bela que se tornaram realmente um só espírito — para usar uma expressão de São Francisco de Sales [2] —, pelo que confirmaram a doutrina de Santo Tomás de Aquino: “A caridade é principalmente a amizade do homem com Deus, e com os seres que Lhe pertencem” [3].

É claro que nem todo tipo de amizade vem de Deus. Infelizmente, o pecado original deixou marcas profundas no ser humano e mesmo um dom nobre como a amizade pode degenerar-se em vício perigosíssimo para alma, se não for purificado pela ação divina. E não estamos falando aqui das más companhias. Estas, como insiste Santa Teresa, nem devem ser mencionadas entre nós. Falamos daquelas grandes amizades que, apesar de serem frutíferas no início, confundem-se com apego afetivo, e se convertem em verdadeiros obstáculos na caminhada espiritual, quando não vividas pelo motivo correto. As duas almas tornam-se dependentes, em um vínculo de senhor e escravo. Não demora muito para que a amizade se transforme em rivalidade.

A reta prudência exige, portanto, que façamos uma sadia distinção entre o amor meramente humano e o amor sobrenatural, a fim de que a amizade verdadeira habite em nossos corações. Santa Teresa faz essa distinção pela observação de como reagem aqueles que amam humanamente e aqueles que amam com amor divino diante do sofrimento de um amigo. Os primeiros, constata a santa, perdem logo a paciência: “Se lhe dói a cabeça [à pessoa amada], parece que nos dói a alma” [4]. Os segundos, por sua vez, veem as provações dos amigos através dos olhos da eternidade, entendendo que cada “tribulação momentânea acarreta para nós um volume incomensurável e eterno de glória” (2 Cor 4, 17).

Eis aí. Os verdadeiros amigos preocupam-se, em primeiro lugar, com a salvação das almas. Eles desejam encontrar-nos no Céu juntamente com Deus, a Virgem Maria, os santos e os anjos. É neste tipo de amizade sobrenatural que tem espaço a chamada correção fraterna. Trata-se de uma preocupação que tem por objeto não somente o bem-estar físico e emocional da pessoa; o amigo preocupa-se sobretudo com a vida da graça, exortando e empurrando seus companheiros de caminhada para a jornada da vida eterna.

Ademais, é preciso ter consciência de que tal tipo de amizade só é possível dentro de um contexto de fé madura, pois aquele que procura amar sobrenaturalmente deve estar preparado para o desprezo e as incompreensões. É possível que aquele que ama não seja correspondido pelo amado. Por isso, exige-se do amante que procure cultivar as amizades pelo motivo certo, de maneira que essa amizade seja alimentada pelo amor abnegado (do grego ágape), o qual provém totalmente de Deus. Aquele que se sabe amado por Deus não teme ser ignorado pelos outros; ama-se a Deus no próximo ainda que não haja o retorno deste, pois já se possui o Amor verdadeiro.

A Igreja celebra no dia 2 de janeiro a memória litúrgica de dois grandes santos, cujo testemunho de amizade e cooperação recíproca causou grande impacto na história do cristianismo: São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno. Unidos pela fé, pela esperança e pela caridade, os chamados padres capadócios — dentre os quais também se inclui São Gregório de Nissa, irmão de São Basílio — venceram a praga do arianismo, fazendo triunfar a doutrina católica no Concílio de Constantinopla. A São Basílio e São Gregório só interessava uma coisa: a conquista da coroa do Céu. Nesta árdua missão, dizia São Gregório sobre o amigo, “ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro”, pois eles eram “como uma só alma em dois corpos”. São particularmente tocantes estas palavras do santo de Nazianzo:

“A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado” [5].

É este o tipo de amizade à qual estamos, todos nós, chamados a cultivar em nossas relações com os demais. Uma amizade enraizada em Cristo, para cuja Pessoa caminhamos na certeza de que a única felicidade encontra-se na vida eterna.

Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzeno

sao basilio

Origens 

A Igreja alegra-se com a memória conjunta destes grandes Santos doutores: Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzeno.

São Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja

Origens
Basílio nasceu em Cesareia, no ano 329. Nasceu de uma família santa que buscava testemunhar, na própria vida e na formação dos filhos, o grande amor por Cristo e pela Igreja. Foi assim que, ajudado pelo pai, Basílio recebeu a primeira formação.

O encontro com São Gregório 
Depois, passou por Constantinopla, chegando a estudar em Atenas e formar-se em retórica. A essa altura, mesmo tendo um coração bem semeado pelo Evangelho, ele começou a buscar glórias humanas, mas, ao conhecer o amigo São Gregório Nazianzeno, conheceu Cristo mais profundamente e retomou a amizade com Jesus.

A direção do seu conhecimento: Jesus Cristo
Ele, que já era muito culto, direcionou todo o seu potencial para Aquele que é a verdade, o Logus, o Verbo que se fez carne, Jesus Cristo, Nosso Senhor e salvador. Retirou-se por um tempo dali e pôde viver uma vida de muita oração e penitência. Depois, foi inspirado a aprofundar-se na vida eremítica e também na vida monástica. Visitou o Egito, Síria, Palestina e estudou a ponto de, com seu amigo Nazianzeno, começar uma comunidade monástica.

Eleito Bispo
Aconteceu que, diante da realidade na qual o Arianismo — heresia que afirmava que Jesus Cristo não é Deus —, confundia muito as pessoas e ainda era apoiada pelo imperador do Oriente chamado Valente. Nessa altura, em Cesareia, São Basílio, em 370 d.C., foi eleito bispo, sucessor de um dos apóstolos. Homem de caridade e de testemunho, ele pôde combater e ver a verdade vencendo o Arianismo. O imperador não colocava medo nesse homem cheio do Espírito Santo. São Basílio também tinha muitas obras, não era apenas um homem de palavras; cidades de caridade surgiram por meio dele.

Páscoa
Ainda padre, ele já era um testemunho reconhecido, uma autoridade não só pela Igreja, mas pela vida. São Basílio Magno deixou uma riqueza de escritos e, principalmente, a certeza de que amigo de Jesus, felizes nós seremos. Em 379 d.C., ele partiu para o céu e intercede por nós.

Uma verdadeira amizade que levou até Cristo

São Gregório Nazianzo, doutor da Igreja

Origens

São Gregório Nazianzo nasceu no mesmo ano que Basílio (329). Seu pai era Gregório, o Velho, que depois foi Bispo de Nazianzo. Estudou em Atenas, onde conheceu Basílio, ao qual teve um forte elo de amizade e com quem conviveu no eremitério da Capadócia. Homem de estudo e poeta, recebeu a alcunha de teólogo em decorrência de sua excelente doutrina e inflamada eloquência.

Forte combatente de Heresias
Foi enviado pelo imperador Teodósio a Constantinopla para combater a difusão da heresia ariana, mas assim que chegou foi atacado por pedradas, sendo obrigado a permanecer fora dos muros de Constantinopla. Graças a seu exemplo de vida, Gregório reconduziu a cidade à ortodoxia. Não conseguiu ser Bispo de Constantinopla, como o povo desejava, pois foi hostilizado por uma facção de opositores. Despediu-se e retornou para a sua terra natal.

Obras e sua Páscoa
Retirou-se no silêncio, onde continuou a falar com Deus e com os homens. Escreveu cerca de 240 cartas de grande importância teológica e moral, além de belíssimas pela forma literária. Morreu no ano 390.

Minha oração

“Sabemos que a amizade é um dom, graça divina, por isso, a pedimos Jesus. Queremos amizades verdadeiras e queremos ser bons amigos. Que as pessoas, que nos circundem, nos levem para mais perto de Deus. Amém.”

Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzeno, rogai por nós! 

 

Fonte: Canção Nova

Papa: quem fere uma mulher profana Deus

Francisco, em sua homilia durante a Missa na Basílica de São Pedro, na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, enfatizou a importância de Maria para a identidade feminina da Igreja “para se assemelhar ainda mais a Ela que, como mulher Virgem e Mãe, representa o seu modelo e figura perfeita”.


“É bom que o ano se abra com a invocação d’Ela; é bom que o povo fiel proclame com alegria a Santa Mãe de Deus.” 

Com essas palavras, o Papa Francisco introduziu sua homilia aos sete mil fiéis presentes na Basílica de São Pedro, no primeiro dia do ano (01/01/2024), durante a missa da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus.

Os termos “mãe” e “mulher” estiveram no centro da reflexão do Santo Padre, ao destacar que a maternidade de Maria é o caminho para encontrar a ternura paterna de Deus, o caminho mais próximo, mais direto, mais fácil:

“As palavras Mãe de Deus exprimem a feliz certeza de que o Senhor, terno Menino nos braços da Mãe, Se uniu para sempre à nossa humanidade, de tal modo que esta já não é só nossa, mas d’Ele. Mãe de Deus: poucas palavras para confessar a aliança eterna do Senhor connosco. Mãe de Deus, um dogma de fé, mas é também um «dogma de esperança»: Deus no homem e o homem em Deus, para sempre.”

O rosto feminino da Igreja

Francisco recordou que é a Mãe que nos conduz ao início e ao coração da fé, “esta não é uma teoria nem um empenho pessoal, mas um dom imenso, que nos faz filhos amados, moradas do amor do Pai”. Por isso, sublinhou o Papa,  “acolher na própria vida a Mãe, não é uma decisão de mera devoção, mas uma exigência de fé: se queremos ser cristãos, devemos ser marianos, ou seja, filhos de Maria”.

“A Igreja precisa de Maria para descobrir o seu próprio rosto feminino: para se assemelhar ainda mais a Ela que, como mulher Virgem e Mãe, representa o seu modelo e figura perfeita, para abrir espaço às mulheres e ser geradora através duma pastoral feita de cuidado e solicitude, paciência e coragem materna.”

Segundo o Pontífice, “o mundo precisa de olhar para as mães e para as mulheres a fim de encontrar a paz, escapar das espirais da violência e do ódio, voltar a ter um olhar humano e um coração que vê”.

Ferir uma mulher é profanar Deus

“Toda a sociedade precisa de acolher o dom da mulher, de cada mulher: respeitá-la, protegê-la, valorizá-la, sabendo que, quem fere ainda que seja uma única mulher, profana Deus, nascido de mulher”, ressaltou Francisco.

“Maria, a mulher, assim como é decisiva na plenitude do tempo, também o é para a vida de cada um; porque ninguém melhor do que a Mãe conhece os tempos e as urgências dos filhos.”

O Papa recordou aos fiéis que diante da tentação do fechamento é preciso voltar-se para Maria, “quando não conseguirmos desembaraçar-nos por entre os nós da vida, procuremos refúgio n’Ela”.

Ternura materna

Ao concluir  a homilia, o Santo Padre enfatizou que “os nossos tempos, vazios de paz, precisam de uma Mãe que congregue a família humana”, e indicou  Maria como caminho para a construção da fraternidade, que com a sua criatividade de Mãe, cuida dos filhos: reúne-os e conforta-os, escuta as suas penas e enxuga as suas lágrimas.

“Confiemos o novo ano à Mãe de Deus. Consagremos-Lhe as nossas vidas. Ela saberá, com ternura, apontar-nos a sua plenitude; com efeito, levar-nos-á a Jesus, e Jesus é a plenitude do tempo, de cada tempo, do nosso tempo.”

“Que este ano seja cheio da consolação do Senhor! Que este ano seja repleto da ternura materna de Maria, a Santa Mãe de Deus”, concluiu Francisco, convidando os fiéis a juntos, repetir três vezes a invocação: “Santa Mãe de Deus!”