Realizado pela mídia vaticana, Francisco conversa à distância com os jovens e as jovens de diferentes origens, representando a fragilidade, mas também a força e a criatividade das novas gerações. O Papa escuta as suas histórias através de um computador e responde, incentivando-os a participar do evento de Lisboa: “Vale a pena arriscar”.
O primeiro foi um vídeo inédito do Papa Francisco por ocasião do décimo aniversário de seu pontificado. Quatro meses depois do primeiro Popecast, o Papa Francisco está de volta com uma das formas de comunicação mais adequadas às novas gerações: o podcast. “O podcast? Sim, agora me lembro!”. É justamente com os jovens que o Pontífice entra em contato, em vista da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, para o novo Popecast realizado por Salvatore Cernuzio, em colaboração com a redação do podcast.
Não uma clássica pergunta e resposta, mas um diálogo ideal em que o Papa escuta, através de um computador levado à Casa Santa Marta, a voz gravada de alguns jovens e algumas jovens de diversas origens e contextos, representantes das fragilidades, mas também da criatividade que marcam a juventude de hoje. Jovens que sem saber, no início, que as suas vozes seriam ouvidas pelo Papa, que partilharam suas histórias, seus medos e problemas, os seus desejos e objetivos, livremente.
Francisco oferece a todos uma palavra, sempre diferente, assim como a história de cada um é diferente. No entanto, ele faz a mesma recomendação a todos: “Avante”. Sempre em frente, mesmo nos erros e quedas, na certeza de serem acompanhados por um Deus que é “louco de amor” pelos jovens.
Deus te ama
O Papa Francisco ouviu a história de Jonas, que falou sobre os desafios de ser um fiel, aceitando a realidade de ter problemas físicos e ser transgênero.
O Papa lhe disse palavras de encorajamento, dizendo: “Deus nos ama assim como somos” e que “o Senhor sempre nos acompanha, sempre. Mesmo que sejamos pecadores, Ele se aproxima para nos ajudar”. O Papa acrescentou: “Não desista, continue lutando”.
Seguir em frente
Ouvindo as histórias de Edward e Valerij, ambos cumprindo pena numa comunidade correcional juvenil. O Papa ouviu sobre suas difíceis situações familiares e abandono que os levaram a cometer crimes dos quais se arrependem.
Em resposta, o Papa pediu a eles que considerassem que nossos erros não devem bloquear nossas vidas e que “a história humana continua com seus sucessos e fracassos”.
Mesmo um erro pode fazer com que nossas vidas sejam permanentemente marcadas pela sociedade, queixou-se o Papa, pedindo-lhes que se lembrem sempre de que o Senhor está com eles em seu caminho, pronto “para levá-los pela mão, para ajudar a levantá-los”. Nossa tarefa é reconhecer nossos erros para que Deus possa nos ajudar a refletir sobre nossas vidas e seguir em frente positivamente.
Horizonte de esperança
Arianna contou sua própria luta contra o transtorno bipolar que a mantém engaiolada e a impede de trabalhar. O Papa se comoveu diante de sua história, sobretudo quando a jovem diz viver “num balanço, entre o desejo de suicídio e o coração que explode de alegria”. Ao mesmo tempo, ela disse que se sente “salva por Deus”.
O Papa a ouviu atentamente e respondeu, encorajando-a a “olhar sempre para frente, não perder de vista o horizonte e o horizonte é Deus”.
Convidou-a a seguir o tratamento psicológico necessário, e destacou que “todos nós temos feridas psicofísicas, todos nós somos feridos pela vida e pelo pecado”.
O Papa Francisco então se dirigiu a Agustina e demais jovens argentinos, falando de suas esperanças e incentivando-os a lutar para melhorar a vida dessa nação. Francisco convidou os jovens a ajudar a tornar melhor a Argentina, um país rico em recursos.
A riqueza da diversidade
Em seguida, ouviu Valéria, professora de religião, que se fez porta-voz de pedidos e lamentos que surgem em seu serviço, como o pedido de uma Igreja mais transparente, jovem e próxima das pessoas.
O Papa respondeu, lembrando a importância de uma Igreja a caminho, “caso contrário é uma seita religiosa fechada em si mesma”. “Não somos todos uniformes na Igreja e esta é a grandeza”.
Em seguida, o Papa ouviu Giuseppe falar sobre seu abandono dos estudos universitários, e que agora passa grande parte do tempo em casa jogando videogame, tecendo relações apenas virtuais.
O Papa observou que sua vida vivida principalmente on-line pode se tornar “asséptica” e isolada, pois perde o horizonte. “Você sente falta do horizonte. Não dá para viver sem horizonte, sabe? Você ficará entediado consigo mesmo com o tempo”, disse-lhe Francisco.
Convite a participar da JMJ de Lisboa
Concluindo, depois de perguntar quem iria à Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco exortou os jovens interlocutores do “Popecast” a fazerem o esforço de participar de todos os eventos da JMJ, qualificando-a como uma experiência que valerá a pena e que eles acharão muito gratificante, marcada pela comunidade, festa, esperança e alegria.
“Vale a pena ir à JMJ. Vale a pena arriscar! Quem não arrisca, não vai adiante. Vale a pena ir lá, e depois a gente conversa.”
A proposta de uma “JMC”, uma Jornada Mundial das Crianças
Ao Papa Francisco foi feito um pedido: Alessandro, um menino de 9 anos, lançou a proposta de uma JMC, uma Jornada Mundial das Crianças. “Isso, Santo Padre, o senhor deve realmente sentir!”.
“Eu gosto muito! Podemos fazer com que os avós organizem isso. Peçam aos avós para que organizem um dia assim. Uma boa ideia. Vou pensar sobre isso e ver como fazer.”
A Igreja nos convida a dedicar nossas orações aos Santos Anjos
Às terças-feiras, a Igreja nos convida a dedicar nossas orações aos Santos Anjos, de forma especial aos Anjos da Guarda. Muitos santos tinham esta devoção especial aos anjos, dentre os mais conhecidos temos São Padre Pio. Quero dedicar essa formação de hoje a falar da presença dos Anjos na nossa vida. São inúmeras passagens bíblicas que trazem a presença deles.
Uma das mais lindas é a que se revela no livro de Tobias com a presença do Arcanjo Rafael. No entanto, quero partilhar a presença dos anjos narrada no livro de 2Reis 6,15-17. Havia uma guerra entre Israel e os arameus. O rei de Aram estava tramando planos contra Israel, porém Deus revelava os planos do rei ao profeta Eliseu. Este comunicava o rei de Israel a respeito dos planos inimigos, e assim os israelenses conseguiam se desvencilhar das emboscadas.
Deus nos presenteou com Anjos protetores que estão a nosso serviço
Esse fato aconteceu algumas vezes a ponto do rei de Aram suspeitar que estava sendo traído por seus oficiais. Mas um deles disse ao rei de Aram: “Ninguém está te traindo meu rei; é Eliseu, o profeta de Israel, que revela ao rei de Israel até mesmo as palavras que dizes no teu quarto de dormir”(v.12) Com esta informação, o rei de Aram ordenou a captura do profeta Eliseu e enviou um poderoso exército para a montanha em Dotã, onde residia Eliseu.
Na madrugada, estando o exército inimigo a postos para prender o profeta, o servo do profeta levantou-se bem cedo e saiu, encontrando o batalhão que cercava a cidade com cavalos e carros. Ele retorna rapidamente e aflito ao profeta e lhe explica a situação. Então Eliseu lhe diz: “Não tenhas medo, pois são mais numerosos os que estão conosco que os que estão com eles.” Eliseu orou, dizendo: “Senhor abre seus olhos para que veja!” E o Senhor abriu os olhos do servo e ele viu a montanha coberta de cavalos e carros de fogo em torno de Eliseu! (v. 16-17)
Que exército de fogo era este? Os anjos de Deus! Sim meus irmãos, Deus nos presenteou com Anjos protetores que estão a nosso serviço para nos defender dos anjos decaídos, dos demônios, para nos guardar em todas as situações, para iluminar nosso caminho de maneira que não tropecemos em nenhuma pedra, para nos governar em todos os nossos dias. São Paulo nos ensina que nossa batalha não é contra a carne, mas contra os principados, potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Ef 6,12).
Logo, se somos afligidos por seres espirituais, precisamos clamar a defesa espiritual que Deus nos dá: os Santos Anjos, de forma especial nossos Anjos da Guarda. Antes de concluir, gostaria de trazer mais um ensino. A Igreja nos catequiza que há nove coros dos Anjos. São eles: Serafins, Querubins e Tronos, dedicados a adorar, amar e glorificar a Deus ininterruptamente em grau bem mais elevados que os outros coros; Dominações, Potestades e Virtudes, responsáveis por vigiar o comportamento da humanidade, dirigem os planos da Eterna Sabedoria; Principados, Arcanjos e os Anjos, estão mais próximos a nós, conhecendo, portanto, a fundo a natureza de cada pessoa que devem assistir; eles executam as ordens do Senhor.
Para saber mais sobre os Santos Anjos, sugiro a leitura do Livro Anjos Companheiros do Dia a dia, do Padre Jonas Abib.
Que, a partir de hoje, você possa invocar a proteção dos Anjos, de forma especial do seu anjo da guarda. Reze todos os dias a ele – de forma especial nas terças-feiras.
Convido-as a aprofundar suas raízes carismáticas, nessas três notas congregacionais que as identificam (marianas, missionárias e claretianas), é a herança que receberam e que são chamadas a transmitir aos que as rodeiam, “contagiando-os” com a alegria do Evangelho: disse o Pontífice às Religiosas de Maria Imaculada Missionárias Claretianas, recebidas na manhã desta segunda-feira (24/07) pelo Santo Padre, por ocasião de seu XVIII Capítulo Geral Ordinário
Não tenham medo de cruzar as fronteiras geográficas e existenciais, como fez o Padre Claret, para que todos possam conhecer o amor transbordante do Coração de Deus. A Igreja e o mundo de hoje precisam urgentemente do testemunho fiel e corajoso de suas vidas consagradas. Foi a premente exortação do Papa às Religiosas de Maria Imaculada Missionárias Claretianas, recebidas na manhã desta segunda-feira (24/07) pelo Santo Padre, na sala adjacente da Sala Paulo VI, no Vaticano, por ocasião de seu XVIII Capítulo Geral Ordinário.
Ao dar as boas-vindas, Francisco ressaltou o longo caminho que as religiosas fizeram em preparação para este Capítulo, acompanhadas de outros membros da Família Claretiana e de outras pessoas com as quais partilham vida e missão.
Encontro, participação, diálogo, comunhão, missão
Tendo agradecido por este caminho, o Pontífice destacou ainda que este itinerário lhe recordava a passagem de Emaús. Nesse relato evangélico, vemos dois discípulos caminhando juntos e, em um determinado momento, encontram um desconhecido, conversam com ele e o convidam para jantar. Quando descobrem que aquele peregrino é Jesus ressuscitado – e eles percebem isso quando sentem seus corações arderem em sua presença, quando testemunham suas palavras e gestos, quando partilham o pão e o vinho e entram em comunhão com Ele – então eles não podem deixar de sair e anunciá-lo, cheios de alegria. Podemos reconhecer no relato de Emaús os principais elementos do processo sinodal que estamos vivendo na Igreja: encontro, participação, diálogo, comunhão, missão.
O Santo Padre disse ser isso o que também elas querem viver e oferecer a partir da peculiaridade do seu carisma, unindo-se ao caminho da Igreja universal, agradeço-lhes por essa disponibilidade, por esse desejo de construir juntos espaços de escuta e de anúncio do Evangelho, em todos os lugares do mundo onde as Missionárias Claretianas estão presentes.
O Papa com participantes do Capítulo Geral das Religiosas de Maria Imaculada Missionárias Claretianas (Vatican Media)
Marianas, missionárias e claretianas
Partindo do nome da Congregação, Francisco quis ressaltar três notas que caracterizam a vocação delas: marianas, missionárias e claretianas.
São marianas, o Imaculado Coração de Maria as acompanha, aponta para o Sagrado Coração de seu Filho e lhes diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). É curioso: na atitude da alma de Maria, é sempre isto: apontar para Jesus, apontar para Jesus. Essa é a missão da Mãe: apontar para Jesus, acrescentou o Papa.
Paixão pela evangelização e a audácia missionária
Como missionárias, elas levam a mensagem de Jesus aonde quer que sejam enviadas, com a confiança e a ternura de Maria, encarnando as palavras e os gestos do Senhor para tornar presente no mundo o seu Reino de amor. E também são claretianas, filhas de Santo Antônio Maria Claret; um santo pastor, missionário e fundador que intercede por elas e é o modelo para o qual sempre podem olhar para aprender a cultivar o relacionamento filial com Maria, a paixão pela evangelização e a audácia missionária. Uma coisa que experimentei com os claretianos, sobretudo o ter esta mística, enfatizou o Pontífice.
Assegurando suas orações pelos frutos do Capítulo, que sejam criativos, Francisco concluiu com uma veemente exortação: queridas irmãs, convido-as a aprofundar suas raízes carismáticas, nessas três notas congregacionais que as identificam, é a herança que receberam e que são chamadas a transmitir aos que as rodeiam, “contagiando-os” com a alegria do Evangelho.
O Papa com participantes do Capítulo Geral das Religiosas de Maria Imaculada Missionárias Claretianas (Vatican Media)
O primeiro passo para acabar com todas as formas de violência na sociedade, sejam elas relacionadas ao crime, o racismo ou à pobreza, é acabar com a violência do aborto, escreveu o arcebispo de Nova Iorque, cardeal Timothy Dolan.
“Proponho que não acabará até que acabemos com a supostamente intocável permissão radical ao aborto, que parece ter cativado um segmento da nossa sociedade”, escreveu o arcebispo em sua coluna no jornal da Arquidiocese de Nova Iorque.
“Como escreveu Madre Teresa, ‘Não devemos ficar surpresos quando ouvimos falar de assassinatos, de matanças, de guerras, de ódio. Se uma mãe pode matar o seu próprio filho, o que nos resta senão matarmo-nos uns aos outros?”.
Numa sociedade política e culturalmente dividida, a única coisa que parece unir todos os lados, escreveu Dolan, “é a preocupação de que o nosso mundo tenha perdido um certo respeito básico pela vida“.
Dolan citou vários exemplos de tratamento lamentável da vida humana, incluindo a situação de milhões de refugiados e migrantes indigentes; as cenas da retirada americana do Afeganistão; o desrespeito de alguns por vidas vulneráveis durante a pandemia do coronavírus; o crime violento, incluindo o assassinato de George Floyd; o aumento dos suicídios, especialmente entre os jovens; e o fantasma frequente, em tantos lugares dos Estados Unidos, dos tiroteios em massa.
Estes exemplos, escreveu ele, mostram como “a vida humana é agora tratada como inútil, inútil, descartável”. Ele citou palavras do papa Francisco sobre essas atitudes fazerem parte de uma “cultura descartável”.
Dolan argumentou que as leis que permitem a matança e o desmembramento de bebés inocentes no ventre mandam uma mensagem anti-vida poderosa que ameaça todos. “Pense nisso: se a frágil vida de um bebê inocente no ventre da sua mãe, que a natureza protege como o lugar mais seguro em qualquer lugar, pode ser terminada, quem está seguro?”
“Se as conveniências, ‘escolhas’, ou ‘os meus direitos’ puderem triunfar sobre a vida do bebê no ventre, que vida humana não está ameaçada?…Quando a lei permite que a vida vulnerável seja destruída, obriga os profissionais de saúde a fazê-lo contra a sua consciência, e exige que o nosso dinheiro dos impostos a subsidie, qual é a mensagem que estamos dando sobre a dignidade da pessoa humana e a sacralidade da vida?”
Dolan citou a observação do político democrata Robert Kennedy, assassinado em 1968 quando candidato a presidente dos EUA, de que “a saúde e a fibra moral da sociedade é avaliada pela forma como protegemos os mais indefesos e vulneráveis”.
“Quem é mais frágil e incapaz de se defender do que um pequeno bebê no ventre?” perguntou.
“Aspirar esse bebê do ventre, desmembrá-lo, ou envenená-lo é, como descreveu o papa Francisco, contratar um ‘assassino’ para matar uma vítima”.
Dolan exortou todos os homens e mulheres, com ou sem fé, a falarem a favor dos “indefesos”, dos nascituros e a denunciarem o “direito” ao aborto como “desumano, violento e contrário aos direitos humanos”.
O Bispo Auxiliar de Lisboa e presidente da JMJ Lisboa 2023, o recentemente nomeado Cardeal D. Américo Aguiar, disse em entrevista exclusiva ao Vatican News, que na JMJ de Lisboa a oração pela paz será uma certeza, e que serão recordados quer os jovens da Ucrânia, quer os jovens de tantos outros Países do mundo que infelizmente vivem a guerra atualmente, ou vivem a guerra já há muito tempo.
No âmbito da sua visita à Ucrânia, a convite do Episcopado daquele País a braços com a guerra há quase um ano e meio, D. Américo começou por reafirmar que o Papa Francisco pede que se faça chegar a todos os jovens o convite de participar na Jornada, sem esquecer os que não poderão ir a Lisboa. Foi assim – explicou o prelado – que, acolhendo o convite pela Igreja greco-católica e seguindo a inspiração do Espírito, “eu respondi imediatamente de sim e aqui estou, e aqui vim dando graças a Deus pelo Espírito Santo ter desencaminhado para esta missão”.
Para o Bispo auxiliar de Lisboa, é “grande a alegria de trazermos Cristo vivo até junto destes jovens e deste povo martirizado da Ucrânia, e a alegria de encontrar aqui Cristo vivo também, nas suas vidas, nos seus sofrimentos, nas suas dificuldades, nas suas lagrimas, na vida e na morte desses nossos amados irmãos e irmãs”. Momento igualmente para D. Aguiar reiterar a urgência de “darmos testemunho de Cristo vivo à humanidade, pois quando tiramos Deus nos nossos corações, o que acontece é a crueldade, a maldade, a mentira, a morte, a violência e a guerra …”.
Momento particularmente importante na visita de D. Aguiar à Ucrânia foram os dois encontros com os jovens em dois Santuários marianos, encontros que para o Bispo foram um bombom, um miminho da parte de Deus, pois trata-se de encontros realizados no coração da Mãe. E a alegria do encontro com os jovens, enfatizou ainda D. Aguiar, é eles se sentirem amados, cuidados e que nós nos preocupamos com eles: “E (como diz o Papa Francisco), nós também queremos ouvi-los, queremos que eles hagan lío, sonhem, que lutem pelos seus sonhos – insistiu D. Américo que, num contexto de guerra, reafirmou ter recebido dos jovens “a coragem e a alegria de serem protagonistas das suas vidas e da história e da paz que tanto desejamos para Ucrânia”.
Por último, e respondendo à pergunta se haveria na JMJ de Lisboa, um momento particularmente dedicado aos jovens da Ucrânia, D. Aguiar não escondeu a dificuldade do momento, reafirmando que não é intenção de ninguém acrescentar qualquer dor à dor já existente, acrescentar qualquer desconforto ao sofrimento destes jovens cujos corações estão feridos: “só o tempo e a oração poderão fazer aquilo que é necessário”, disse D. Américo. Por isso, “o dom da paz que queremos pedir ao Pai do céu, isso será uma certeza, e nós teremos presentes quer os jovens da Ucrânia, quer os jovens de tantos outros países do mundo que infelizmente vivem a guerra atualmente ou vivem a guerra já há muito tempo, e isso será tornado presente na nossa Jornada Mundial da Juventude” – concluiu o presidente da JMJ Lisboa 2023.
Leia aqui a entrevista integral com D. Américo Aguiar:
Qual foi a finalidade desta viagem à Ucrânia e quais são as impressões que o Bispo teve desta visita à Ucrânia, em geral?
O nosso querido Papa Francisco está sempre a lembrar-me de não me esquecer dos jovens que não podem ir a Lisboa, permanentemente, o Papa, pede que façamos chegar o convite a todos os jovens e não esquecermos aqueles que não podem ir a Lisboa. Há duas semanas atrás, ao receber o Padre Valdemar e Roman, da Igreja Greco-católico em Lisboa a preparar a ida dos jovens ucranianos, foi me colocada a possibilidade de os visitar, sabendo eles por princípio que não era possível, mas o Espírito Santo fez-me lembrar o rosto e as palavras do querido Papa Francisco, e eu respondi imediatamente de sim e aqui estou e aqui vim dando graças a Deus pelo Espírito Santo ter desencaminhado para esta missão. A impressão, é a alegria de trazermos Cristo vivo ate junto destes jovens e deste povo martirizado da Ucrânia, e a alegria de encontrar aqui Cristo vivo também, nas suas vidas, nos seus sofrimentos, nas suas dificuldades, nas suas lagrimas, na vida e na morte desses nossos amados irmãos e irmãs. Portanto, são momentos únicos da vida que ajudam a preparar melhor ainda o futuro na certeza de que é urgente darmos testemunho de Cristo vivo a humanidade, por quanto tiramos Deus nos nossos corações é isso que acontece; a crueldade, a maldade, a mentira, a morte, a violência e a guerra … Não mais a guerra!
O senhor Bispo teve dois encontros com os jovens da Ucrânia, pode dizer as suas impressões?
Estes dois encontros um de modo especial com os jovens da Igreja nossa irmã Greco-católica, num santuário Mariano e o outro com jovens católicos também num santuário Mariano. Primeiro este bombom, este miminho da parte de Deus, desses encontros serem realizados no coração da Mãe, como nos disse o nosso querido Papa Francisco em Fátima temos mãe, e encontramos com esses jovens, com estes filhos na casa da mãe, tem um sabor doce muitíssimo especial e o encontro com eles e a alegria de encontro com eles, é eles sentirem-se amados, cuidados e que nos preocupemos com eles, e como diz o Papa queremos ouvi-los, queremos que eles hagan lío, sonhem, que lutem pelos sonhos que sejam poetas e neste contexto de guerra é muito mais difícil sonhar, lutar e ser poeta mas destes jovens recebi a coragem e a alegria de terem nos seus olhos e no seu coração Cristo vivo e de estarem disponível de serem protagonistas das suas vidas e da historia e da paz que tanto desejamos para Ucrânia.
Haverá durante as jornadas em Lisboa, um momento particularmente dedicado aos jovens da Ucrânia?
Nós estamos a trabalhar com estes sacerdotes que organizam a participação dos ucranianos já há muito tempo e vamos aprendendo aquilo que os magoa e aquilo que é um curativo, um paliativo nestes dias e meses que vamos vivendo, não queremos acrescentar qualquer dor, não queremos acrescentar qualquer desconforto ao sofrimento destes jovens, os seus corações estão feridos e o tempo é preciso, em muitos momentos das nossas vidas o tempo é necessário e só o tempo, o tempo e a oração poderão fazer aquilo que é necessário. Por isso, o dom da paz que queremos pedir ao Pai do céu, porque a paz é dom de Deus, e isso será uma certeza, e nós teremos presentes quer os jovens da Ucrânia, quer os jovens de tantos outros países do mundo que infelizmente vivem a guerra atualmente ou vivem a guerra já há muito tempo e isso será tornado presente na nossa Jornada Mundial da Juventude.
Dom Gabriele Caccia, observador permanente nas Nações Unidas em Nova York, falou na 88ª plenária da assembleia geral, onde foi discutida a situação nos territórios temporariamente ocupados do país do Leste Europeu e reiterou o convite de Francisco a fazer tudo o que for possível para por fim à guerra: os deslocados continuam recebendo ajuda na expectativa de “um retorno seguro, voluntário e digno às suas casas”.
“A Santa Sé continua muito preocupada com a sangrenta guerra na Ucrânia”, reitera o apelo a um cessar-fogo e pede o início de negociações para uma paz justa e duradoura. Foi o que disse o observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, em Nova York, dom Gabriele Caccia, na 88ª plenária da Assembleia Geral da ONU, em que foi discutida, na terça-feira (18/07), a situação nos territórios temporariamente ocupados do país do leste europeu.
Fazer tudo o que for possível para por fim à guerra
O diplomata vaticano também reiterou o convite feito pelo Papa Francisco no Angelus de 2 de outubro passado a “todos os protagonistas da vida internacional” e aos “líderes políticos das nações para fazerem todo o possível para pôr fim à guerra” e lembrou que o Pontífice, em seu recente discurso à delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, em 30 de junho passado, definiu a atual guerra na Ucrânia “um verdadeiro desastre”, como todas as outras guerras.
Intensificar os esforços para reunir as famílias
Dom Caccia expressou o agradecimento da Santa Sé aos “Estados que acolheram e apoiaram os refugiados”, pedindo “que os deslocados continuem recebendo apoio humanitário até que possam fazer um retorno seguro, voluntário e digno a suas casas”. “A Santa Sé – prosseguiu o observador permanente – nos exorta a não poupar esforços para promover a rápida reunificação de todas as famílias separadas pela atual violência na Ucrânia, garantindo que sejam respeitados os interesses das crianças”.
Que a Comunidade internacional trabalhe pela paz
Citando novamente o discurso de Francisco em 30 de junho, dom Caccia acrescentou que “diante de tantos sofrimentos, a Comunidade internacional não deve se resignar à guerra, mas trabalhar em conjunto pela paz”, e a esse respeito mencionou as “missões destinadas a ‘escutar e identificar gestos humanitários que possam orientar para o caminho da paz” confiado pelo Papa ao cardeal Matteo Zuppi.
Usar todos os meios diplomáticos para garantir a ajuda humanitária
A Santa Sé pede a todas as partes para que apoiem os esforços humanitários a fim de aliviar parte do imenso sofrimento causado pela guerra aberrante, concluiu o observador permanente da Santa Sé, destacando que é urgente, como repetiu o Papa Francisco em 2 de outubro passado, “utilizar todos os meios diplomáticos, mesmo aqueles que talvez não tenham sido usados até agora, para pôr fim a essa terrível tragédia”.
Na noite da terça-feira, 18 de julho, aconteceu a celebração de abertura do 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Rondonópolis/MT, no Centro de Eventos Santa Terezinha. O tom foi de valorização da atuação religiosa de leigas e leigos, da diversidade cultural e de crítica ao modelo socioeconômico voltado ao extrativismo dos recursos naturais.
A celebração abriu oficialmente o Intereclesial que se estende até o dia 22 (sábado), reunindo cerca de 1,5 mil representantes das CEBs de todo o Brasil, além religiosas e religiosos, lideranças de organismos ligados à Igreja Católica, a outras denominações cristãs e expressões espirituais, movimentos sociais e populares. Participam do intereclesial 63 bispos.
O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do encontro dizendo querer-se fazer próximo do 15º Intereclesial de CEBs. O Santo Padre pediu aos participantes para seguirem trabalhando e para não se esquecerem de buscar sintonia com o tema: “Igreja em Saída”. O Papa comparou a Igreja como a água. “Se a água não corre no rio, fica estagnada e adoece. A Igreja quando sai, caminha, se sente mais forte”, disse.
Confira o vídeo que o Papa enviou aos participantes:
Cultura popular e biomas brasileiros
Os milhares de participantes da cerimônia sentaram-se em cadeiras dispostas ao redor de um grande palco, que funcionou como altar. A celebração foi conduzida pela Equipe de Liturgia do Intereclesial, um grupo de leigas e leigos trajados com túnicas que destacavam a simbologia afro-brasileira e indígena. A mesa do altar estava coberta por uma toalha feita de retalhos de tecido, destacando o caráter popular da Igreja.
A cerimônia de abertura teve várias procissões, músicas e menções verbais que valorizaram as comunidades indígenas, quilombolas, pessoas que vivem da agricultura familiar ou estão em acampamentos provisórios, pescadores, trabalhadoras e trabalhadores urbanos, mulheres artesãs, migrantes e imigrantes, entre outros grupos sociais que compõem o povo brasileiro. Delegações de representantes das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram lembradas e homenageadas pela associação com seus biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica) e pela disposição histórica à luta e resistência populares.
Em seguida a história dos Intereclesiais foi lembrada por uma mescla entre informações ditas ao microfone e entradas com os estandartes referentes a cada uma das edições do encontro, desde o primeiro, em Vitória (ES), em 1975, até a atual, em Rondonópolis (MT).
A proclamação da abertura oficial do 15º Intereclesial ocorreu a partir de uma fala do bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga, dom Maurício Jardim. Ele agradeceu a presença dos participantes e recordou do bispo anterior, dom Juventino Kestering, falecido em 2022, que foi quem assumiu o compromisso de acolher o Intereclesial na diocese. Um grande banner contendo a imagem de dom Juventino e uma de suas frases emblemáticas – “Saúde aos doentes, alegria aos tristes e esperança aos desanimados” – foi exposto perante o público, que fez uma sessão de aplausos em sua memória.
Comunicar é gerar encontros, criar comunhão, unir. A comunicação é romper barreias, é aproximar. É estarmos sempre na busca do outro, o comunicador produz a conexão para crescer a comunhão. A comunicação católica trabalha para criar esta comunhão entre a Igreja e as pessoas, as pessoas e o Evangelho de Cristo.
Cada agente da Pascom é um “influenciador” ajudando a criar um espaço adequado para realizar a ação que o próprio Cristo nos pediu: “ Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16, 15). É importante ressaltar que o agente de comunicação não age por si mesmo, não fomenta a divisão, o comunicador de Cristo ajuda a passar a mensagem sem ruídos, sem alterações. Devemos passar da conexão para a comunhão e é preciso trabalhar para criar esta comunhão entre a Pastoral de Comunicação com todas as pastorais e grupos da Igreja, a “cara” da Pascom é a “cara”’ da paróquia.
Comunicação é encontro e diante de uma realidade do “desencontro” devemos ser luz no agir da nossa pastoral. Nossa Missão é Evangelizar em um ambiente muitas vezes hostil, não é fácil inserir conteúdos religiosos num “mundo” que não tem Jesus como referência. Precisamos levar as pessoas a um encontro verdadeiro com Jesus mesmo que não fale explicitamente dele. Diversas formas, diversos discursos podem levar a reflexão que Cristo sempre falou. Jesus foi ao encontro, saiu do seu lugar, olhava nos olhos, tocava nas pessoas, tudo isso para lhes falar de amor, do amor de Deus e do seu amor por todos nós.
Fazer comunicação católica não é apenas inserir conteúdos religiosos, é testemunhar com coerência no próprio perfil digital. São diversos temas que podem fazer com que a mensagem de Jesus seja passada, é necessário produzir temas que transformem o ambiente digital, a palavra certa, no dia certo e na hora exata.
A Pascom não é um veículo de comunicação, é pastoral, é serviço, é descomplicar, é desconstruir, é deixar leve, simples e cheio de sentido.
A nossa fé católica é cega? Ela nos é “imposta” pela Igreja? Somos por acaso proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé?
“O católico brasileiro já não raciocina com a cabeça alheia, já não aceita o regime da fé cega, imposta pela Igreja, que nega até o direito de procurar-lhe os fundamentos”.
Não é certamente a declaração de um verdadeiro e sincero católico brasileiro, mas desses católicos que o são apenas de nome, e que na realidade são espíritas, isto é, anticatólicos. Temos aí três acusações a serem tomadas em consideração: a) que a nossa fé católica é cega; b) que ela nos é imposta pela Igreja; e c) que somos proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé. Vejamos tudo isso.
Primeira acusação: É cega a fé dos católicos? Pode esta cegueira ou obscuridade referir-se a duas coisas: ou ao objeto de fé, ou aos seus motivos. Se os espíritas querem dizer que é cega a nossa fé porque cremos sem motivos suficientes, então estão erradíssimos e mostram grande ignorância. Falaremos logo mais sobre isso. Mas se eles pensam que a nossa fé é cega porque é obscuro seu objeto, aí eles têm razão. Isso, todavia, de modo nenhum pode ser censurado. É essencial à fé.
É por isso que o crer se contrapõe ao ver. Quantas coisas nós cremos sem ver e só por testemunho humano! Irrazoável, blasfemo e pecaminoso seria não crer na palavra de Deus, apesar de saber que Deus falou e que é infinitamente sábio e veraz.
Segunda acusação: A fé nos é imposta pela Igreja? Absolutamente não! A Igreja apenas continua a missão de Cristo e dos Apóstolos: “Ide, ensinai a todas as gentes a observar tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 20); “quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc 16, 16).
Cumprindo esta sua missão, a Igreja propõe a doutrina e os mandamentos de Cristo. O ato de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita. Queres salvar-te? — pergunta a Igreja ao homem. — Então crê o que Cristo ensinou. Não queres crer? Não te obrigo contra tua vontade; mas não te salvarás… “Quem não crer será condenado”. É palavra de Cristo, do Salvador e não da Igreja. Ela apenas repete.
Terceira acusação: Somos proibidos de procurar os fundamentos de nossa fé? Isso é repetido mil vezes pelos espíritas, ou porque são ignorantes, ou porque querem caluniar.
Dizem que nós não pensamos nem estudamos; que nós cremos sem nada examinar, sem verificar o conteúdo da nossa fé; que qualquer indagação um pouco mais aprofundada dos nossos dogmas teria como resultado uma mão cheia de verdades quebradas, desconexas, contraditórias, irracionais etc.; que, portanto, nós aceitamos as ideias mais abstrusas, não nos preocupando nem com a lógica, nem com o bom senso, nem tendo a menor ideia das recentes descobertas feitas pelas ciências exatas; que nós nos entrincheiramos pertinazmente atrás dos dogmas, tendo um pavor imenso de qualquer pessoa que sabe pensar e cerrando obstinadamente os olhos para não ver os resultados dos estudos modernos.
Assim podemos ler em Leão Denis que a Igreja Romana, durante quinze séculos, sufocou o pensamento; que ela sempre se esforçou por impedir o homem de usar do direito de pensar; que ela se nos apresenta despoticamente com as palavras “crê e não raciocines; ignora e submete-te; fecha os olhos e aceita o jugo” (Cristianismo e Espiritismo, 50.ª ed., p. 126s).
Mas a verdade é que a Igreja, desde o princípio, tem favorecido de todos os modos o estudo sério e aprofundado das verdades da fé.
Homens houve, inteligentes, sérios e santos, em todos os tempos, que, amparados e fomentados pela Igreja, dedicaram a vida inteira ao estudo das verdades da fé. A ciência que se dedica a este estudo chama-se teologia. E só o ignorante em história pode repetir as acusações ineptas de Denis.
Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos. E a Igreja insiste mesmo nestes estudos. Pois ela bem conhece a admoestação do Príncipe dos Apóstolos: “Guardai santamente em vossos corações a Cristo Senhor, sempre prontos a satisfazer a quem quer que vos peça razões da esperança que vos anima” (1Pd 3, 15).
E quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade; quanto mais estudamos sobre os dados da fé, tanto mais exultamos na santa alegria de filhos de Deus; quanto mais enfrentamos as objeções que a impiedade e o orgulho dos homens sem fé nos lança em rosto, tanto mais nos vemos confirmados naquilo que Deus realmente nos falou.
Não! Não temos motivos para envergonhar-nos da nossa fé, nem precisamos temer os ataques da incredulidade. Não é a verdadeira ciência que conduz os homens à apostasia: é a falta de estudos sérios, é a vida desregrada, é o coração desprendido de Deus e demasiadamente apegado aos bens passageiros que leva à perda da fé e à incredulidade.
A inteligência esclarecida, o coração reto e a vida imaculada só podem levar a Deus e à fé em Deus. Não, a nossa fé não é irracional nem nos proíbe o raciocínio. Não, a Igreja não impede o estudo, nem cremos que algum dos nossos leitores jamais terá recebido semelhante proibição.
Se há católicos que não mostram interesse por sua fé; se existem até intelectuais que se dizem católicos e que desconhecem as noções mais elementares de sua fé, a culpa não será da Igreja que lhes proibiu esse estudo ou lhes sonegou os necessários livros, mas a culpa será deles mesmos: o seu desinteresse pelas coisas santas e a sua negligência em se instruir é que são os únicos responsáveis.
Um última acusação: Mas a Igreja proíbe até a leitura da Bíblia! Falsíssimo. Semelhante afirmação, além de implicar uma injuriosa calúnia, é outro atestado de grande ignorância. A Igreja atérecomenda vivamente a leitura diária da Sagrada Escritura.
Eis algumas recomendações de alguns Papas: “Os mais preciosos serviços”, diz Bento XV, “são prestados à causa católica por aqueles que, em diferentes países, puseram e põem ainda o melhor de seu zelo em editar, sob formato cômodo e atraente, e em difundir os livros do Novo Testamento e uma seleção dos livros do Antigo” [1]. E um pouco antes dissera: “Nunca cessaremos de exortar todos os cristãos a fazerem sua leitura cotidiana principalmente dos santíssimos Evangelhos de Nosso Senhor” [2].
E Pio XII admoesta aos Bispos que “favoreçam e auxiliem as associações que têm por fim difundir entre os fiéis exemplares da Sagrada Escritura, particularmente dos Evangelhos, e procurar que nas famílias cristãs se leiam regularmente todos os dias com piedade e devoção” [3].
O Centro de Convenções de João Pessoa, acolhe o 13º Mutirão Brasileiro de Comunicação. O Muticom é promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela arquidiocese da Paraíba, com o apoio da Pastoral da Comunicação (Pascom Brasil). O evento, com o tema: “Comunicar para a cultura do encontro”,iniciou na tarde de quinta-feira, 13 de julho, e segue até o domingo, 16, com conferências e debates.
São 400 participantes de forma presencial e 70 conectados remotamente. São 12 assessores e conferencistas e mais 118 membros das equipes de serviço. O Muticom 2023, ao abordar a cultura do encontro, tão falada e propagada pelo Papa Francisco, ajuda os comunicadores a perceberem que essa dimensão precisa ser assimilada, vivenciada e explorada na Igreja e, com atenção especial, na comunicação eclesial.
Na quinta-feira, 13 de julho, a solenidade de abertura contou com a presença de autoridades civis e acadêmicas, além do arcebispo da Paraíba, dom Manoel Delson, e do presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação e bispo diocesano de Campo Limpo (SP), dom Valdir José de Castro, além do coordenador da Pascom Brasil, Marcus Tullius.
O arcebispo da Paraíba, dom Manoel Delson, foi o responsável pela fala de abertura e por dar as boas-vindas a todos os participantes. Na ocasião, o arcebispo salientou que era uma alegria para a arquidiocese da Paraíba sediar o 13º Muticom.
“Uma característica do Pessoense e do Paraibano é saber acolher. A cultura do acolhimento é natural aqui, talvez porque a Paraíba e João Pessoa são especiais, estando na Costa Atlântica do Brasil, sendo a parte mais oriental do país, onde o sol nasce primeiro. Antes das 5h da manhã os primeiros raios de sol chegam ao Brasil por João Pessoa. O sol que nos banha também nos ensina a aquecer e acolher as pessoas com alegria”, disse.
Dom Manoel salientou que a cidade tinha uma combinação fantástica: sol, mar, brisa e fé. E que tudo isso fazia de seu ambiente natural e de geografia do acolhimento:
“Desejamos que esse 13º Muticom traga para a Igreja do Brasil uma comunicação que proprocione o fortalecimento da vida através de uma evangelização que leve alegria e esperança. Estamos enquanto Igreja sempre aprendendo a comunicar, temos o conteúdo mais importante e precisamos fazer com que todos possam acolhê-lo – Jesus Cristo. Os desafios são grandes para a comunicação da verdade e do amor, mas é essa nossa missão – comunicar para o encontro”.
Segundo dia
O segundo dia do evento iniciou com a celebração da Eucaristia, presidida por dom Manoel Delson, seguida de celebração penitencial. A primeira conferência da sexta-feira, 14 de julho, teve a temática: “Rumo à Presença Plena: a cultura do encontro no ambiente virtual”, com a assessoria de dom Valdir José de Castro.
“Qual é o nosso estilo de nos apresentarmos nas redes sociais? Nós, cristãos, somos chamados a ter o nosso estilo próprio de agir também nas redes, inspirado em Jesus e nos valores do Evangelho, valores que nos levam à cultura do encontro”, salientou o bispo.
Logo depois, um painel refletiu os resultados de uma pesquisa que retrata os influenciadores digitais, a partir de seus desafios e perspectivas. Os pesquisadores Fernanda Medeiros, Aline Amaro da Silva, Alzirinha Rocha de Souza e Vinicius Borges fizeram o paralelo entre a realidade dos profissionais que atuam nas redes sociais e os influenciadores da fé.
A tarde da sexta-feira segue com o debate realizado em seminários. Entre os assuntos abordados de forma segmentada estão: comunicação e mobilização social, cultura do encontro e povos originários, literacia midiática e cidadania, catequese digital, algor ética e inteligência artificial. A edição atualizada do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, lançada em maio de 2023, também ganha espaço nestas oficinas.
Último dia
O sábado, 15 de julho, terá outras duas conferências: “amizade social na era da informação” e “ecologia integral e cultura do bem viver” serão explanadas no palco principal do 13º Muticom. A tarde do sábado segue com o debate segmentado pelos seminários com as mesmas temáticas da sexta-feira.
No final da tarde do sábado, no Centro de Convenções, será celebrada a Missa de Encerramento. Durante a celebração da Eucaristia acontece o anúncio da cidade-sede do 14º Muticom, que acontecerá em 2025. A manhã de domingo, dia 16, será dedicada ao conhecimento da cultura e dos pontos turísticos da capital paraibana.
Faltam pouco mais de 15 dias para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, que acontece entre de 1º a 6 de agosto, em Portugal. Grupos de jovens vão partir de todo o Brasil rumo a Portugal para viver essa experiência do encontro com com o Papa Francisco e com jovens do mundo inteiro. Por todo o Brasil, a juventude já começa a se preparar para a viagem e as arquidioceses e dioceses brasileiras celebram missas de envio para jovens.
De acordo com a arquidiocese de Brasília, a estimativa é de que cerca de 500 jovens viajem a Lisboa para participar do evento. “Eles são oriundos de diversos movimentos, grupos, serviços e paróquias da arquidiocese e se prepararam durante alguns meses, alguns até anos, para participarem da JMJ”, destaca o site da arquidiocese.
A arquidiocese informou ainda que o Setor Juventude pretende divulgar uma programação própria com encontros com o cardeal Paulo Cezar Costa que estará em Lisboa participando da Jornada.
Em Curitiba (PR), a missa de envio com uma bênção especial aos jovens que vão peregrinar na JMJ será às 11h, na paróquia Santo Antônio, no bairro Boa Vista, com transmissão pelo canal da arquidiocese de Curitiba no Youtube.
Já, os cerca de 50 peregrinos da arquidiocese de Juiz de Fora (MG) que marcarão presença no encontro da juventude vão celebrar a missa de envio às 16h, na catedral de Juiz de Fora. A celebração será presidida pelo arcebispo, dom Gil Antônio Moreira. De acordo com a arquidiocese, os jovens partem para a Europa entre os dias 22 e 24 de julho. Antes de participarem da JMJ em Lisboa, dois grupos passarão por Milão, Assis e Roma, na Itália, e em Fátima, já em Portugal. A outra comitiva juiz-forana percorrerá cidades de França e Espanha antes de chegarem ao solo lusitano.
Jovens brasileiros em unidade
Os jovens da arquidiocese de Aracaju (SE) vão participar da missa de envio da JMJ 2023, no sábado dia 22 de julho. A Celebração será às 19h30, na paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, presidida pelo arcebispo emérito, dom José Palmeira Lessa.
No domingo, dia 23 de julho é a vez da juventude da arquidiocese de São Paulo (SP) celebrar a missa de envio às 11h, na catedral da Sé, em São Paulo, com a réplica dos símbolos da JMJ, a Cruz Peregrina e o ícone de Nossa Senhora.
Em Belo Horizonte (MG), a missa de envio foi celebrada no último dia 9 de julho. A celebração ocorreu na Catedral Cristo Rei e foi presidida pelo arcebispo de BH e ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Na homilia, dom Walmor ressaltou a importância da Jornada Mundial da Juventude para Igreja, que fez uma opção preferencial pelos jovens: “A juventude é um broto de esperança. A Igreja precisa ser jovem para cuidar com rigor missionário de muitos que estão desistindo. O nosso segredo é em tudo partir de Cristo”, sublinhou o arcebispo.
Segundo a arquidiocese de BH, durante os últimos anos, esses jovens organizaram eventos em suas paróquias e buscaram ajuda de seus familiares para vivenciarem esta experiência do encontro com o Papa Francisco durante a JMJ, representando a arquidiocese de Belo Horizonte.
Na diocese de Jundiaí (SP), a missa aconteceu no dia 8 de julho, na Paróquia Nova Jerusalém, presidida pelo bispo diocesano, dom Arnaldo Carvalheiro Neto. Segundo a diocese, 300 jovens da diocese começam a embarcar no final de julho rumo a Lisboa, em Portugal, onde acontece o encontro com o Papa Francisco.
Jornada Mundial da Juventude
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é um encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa. É, simultaneamente, uma peregrinação, uma festa da juventude, uma expressão da Igreja e um momento forte de evangelização do mundo juvenil. É também um convite a uma geração determinada em construir um mundo mais justo e solidário.
Desde a primeira edição, em 1986, em Roma, a Jornada Mundial da Juventude reúne milhares de jovens. De tempos em tempos, a JMJ é realizada em âmbito internacional, em uma cidade escolhida pelo Papa, sempre com a sua presença. Em 2013, o Rio de Janeiro foi a cidade anfitriã do JMJ. Na ocasião, milhares de pessoas vivenciaram esta experiência de fé, junto ao Papa Francisco.
Santa Teresa de Jesus dos Andes nasceu em Santiago do Chile, no dia 13 de julho de 1900, com o nome de batismo de Juanita Fernández Solar. Ela é a padroeira dos jovens da América Latina.
Viveu uma infância normal com sua família que tinha uma boa situação econômica. Gostava de passar as férias na fazenda, andar a cavalo e brincar na natureza. Foi educada dentro da fé cristã, e desde muito nova manifestou o seu gosto pelas coisas de Deus.
Estudou no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Em 11 de setembro de 1910 recebeu a primeira comunhão, que marcou profundamente a sua vida. Sobre esse dia, ela escreveu em seu diário: “Por um ano me preparei. Durante esse tempo a Virgem me ajudou a limpar meu coração de toda imperfeição”. Ela prometeu receber a comunhão todos os dias, na medida do possível.
Aos quatorze anos, leu pela primeira vez a “História de uma alma” de Santa Teresinha do Menino Jesus. Passou por muitos problemas de saúde e movida por Deus, ela decidiu consagrar-se a Ele como religiosa, começando o discernimento sobre a sua vocação.
Aos 17 anos, leu os escritos de Santa Teresa d’Ávila. Começou a viver a oração como amizade e entrega aos demais. Também conheceu os escritos de Isabel da Trindade, experimentando uma grande sintonia com ela. Ao sentir o chamado para ser Carmelita, entrou em contato com a Madre Angélica, priora das Carmelitas de Los Andes e falou com ela sobre sua inquietação vocacional.
Em 7 de maio de 1919, entrou para o Carmelo de Los Andres, iniciando assim o postulantado com o nome de Teresa de Jesus. Exerceu um verdadeiro apostolado com as suas cartas a familiares e amigos, tratando de conduzi-los à amizade com Deus, à alegria e à gratidão. As suas Cartas e os seus Diários ficaram como legados da sua espiritualidade.
Recebeu o hábito carmelita no dia 14 de outubro de 1919 em presença de familiares e amigos de Santiago. Para ela a vida carmelita se resumia em três coisas: amar, sofrer e rezar pela conversão dos pecadores, pela santificação dos sacerdotes e da Igreja.
Em março de 1920, iniciada a Quaresma, Irmã Teresa comunicou ao seu confessor, Padre Avertano, que morreria dentro de um mês; pediu autorização para intensificar sua penitência pelos pecados da humanidade. Sem dar importância ao anúncio, como única resposta o confessor lhe pediu inteira disponibilidade a Deus e que viva a regra carmelita. Foi o que fez, dedicando-se ainda mais aos trabalhos, na entrega à oração e na vivência fraterna com suas coirmãs. Algum tempo depois, ela começou a ter muita febre, sofreu frequentes delírios, seis médicos a atenderam e a diagnosticaram com Tifo.
No dia 07 de abril, fez sua profissão religiosa, por causa do perigo eminente de morte. Repetiu três vezes, emocionada, a fórmula de consagração ao Senhor e agradeceu à comunidade a graça de poder fazer a profissão antes do tempo, pois ainda não havia completado seu Noviciado.
No dia 12 de abril, a Irmã Teresa de Jesus morreu com 19 anos e nove meses, tendo apenas onze meses como carmelita. Muitas pessoas foram à capela do convento para o funeral daquela que já era considerada uma “santinha” por muitos. A fama de santidade foi imediata, muitos diziam ter recebido bênçãos através da intercessão da Irmã Teresa de Jesus.
Em 13 de abril de 1987, Irmã Teresa de Jesus foi beatificada pelo Papa João Paulo II. Em 21 de março de 1993, o mesmo Papa a canonizou em Santiago do Chile. “A Luz de Cristo para toda a Igreja chilena é a Irmã Teresa de Los Andes”, disse João Paulo II na ocasião.
Padroeira dos jovens da América Latina, Santa Teresa dos Andes foi escolhida como uma das intercessoras da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2013, no Rio de Janeiro, sendo invocada como contemplativa de Cristo.
Reflexão:
“Para uma sociedade secularizada, que vive de costas para Deus, esta carmelita chilena, que viveu com alegria apresentada como modelo da perene juventude do Evangelho, oferece o testemunho límpido de uma existência que proclama aos homens e mulheres de hoje que no amar, adorar e servir a Deus estão a grandeza e a alegria, a liberdade e a realização plena da criatura humana”, disse João Paulo II na homilia de canonização de Santa Teresa. O Pontífice destacou que a vida de Santa Teresa “grita suavemente a partir do claustro: ‘só Deus basta!’” e este é um grito “especialmente aos jovens, famintos de verdade e em busca de uma luz que dê sentido a suas vidas”. “A uma juventude solicitada pelas contínuas mensagens e estímulos de uma cultura erotizada e uma sociedade que confunde amor genuíno, que é doação, com o uso hedonista do outro, esta jovem virgem dos Andes proclama hoje a beleza e bem-aventurança que emana corações puros”, acrescentou o Papa.
Oração:
Que das mãos de Maria te converteste Em uma jovem apaixonada por Jesus Cristo, És modelo de santidade e caminho de perfeição para a Igreja. Tu soubeste sorrir, amar, alegrar e servir. Tu foste forte para assumir a dor E generosa para amar. Tu soubeste contemplar a Deus Nas coisas sensíveis da vida. Mostra-nos o amor do Pai Para viver a amizade com alegria E com ternura na família. Ajuda aos fracos e aos tristes Para que o Espírito os anime na esperança. Intercede por nós E pede para o Chile o amor e a paz. Teresa dos Andes, Filha predileta da Igreja chilena, Religiosa do Carmelo, Amiga dos jovens, Serva dos pobres, Roga por nós cada dia.