Santa Edith Stein: uma vida de coragem e sacrifício

Conheça a vida de Santa Edith Stein: como foi para uma ateia descobrir a beleza do catolicismo a partir da leitura da autobiografia de uma santa?

Foi assim que Santa Edith Stein se voltou para a fé católica, mas antes mesmo de se converter, já era uma mulher que ansiava pela Verdade, buscando-a por meio do estudo da filosofia e possuindo uma alma íntegra, de conduta moral respeitável.

Neste artigo, você conhecerá a história de uma mulher de origem judia que abandonou as crenças de sua família porque acreditou ter encontrado a verdade na fé cristã, pela qual entregou a sua vida no campo de concentração, convertendo o seu povo e doando-se como vítima pelas almas através de seu martírio.

Quem foi Santa Edith Stein?

De família judia, Edith Theresa Hedwig Stein nasceu em 1891, na Polônia. Foi criada nos costumes e tradições da família, mas abandonou a prática da religião judaica logo no início de sua adolescência. Formou-se em filosofia e dizia não acreditar em Deus, declarando-se como ateia.

Edith passou anos de sua vida procurando pela verdade de modo sincero e dedicado, e de fato conseguiu encontrar o que desejava ao ser tocada pela história de Santa Teresa d’Ávila, por meio da qual converteu-se totalmente à fé católica.

Após a sua conversão, tornou-se uma irmã carmelita e entregou-se como vítima a Jesus, ansiando pela conversão dos pecadores e pela salvação das almas. Morreu em agosto de 1942 martirizada nas câmaras de gás de Auschwitz.

Deixou um grande legado não apenas como exemplo de uma católica fervorosa, mas também de uma importante filósofa.

A vida impressionante de Santa Edith Stein

Edith Stein foi a 11ª filha de um casal de religião judaica e nasceu na Baixa Silésia, em Breslávia, na Polônia, em 12 de outubro de 1891. O pai de Edith, Siegfried,  faleceu por causa de uma insolação antes dela completar os seus 2 anos de idade e quatro de seus irmãos morreram ainda muito novos, o que era comum em sua época.

A mãe de Edith, Augusta Courant Stein, fez tudo que estava ao seu alcance para que a menina professasse da fé judaica, isso porque Edith nasceu no dia do perdão, conhecido como Yom Kippur, um dia extremamente simbólico e importante para os judeus, e Augusta via isso como um sinal de Deus. Mas mesmo com a insistência da mãe, Edith declarava-se ateia e frequentava a sinagoga apenas como forma de respeito às suas origens e de corresponder ao desejo de sua mãe querida.

Edith dizia não acreditar em Deus, porém, no fundo, um grande vazio em seu coração a encorajava e a impulsionava a buscar a verdade de modo muito sincero. Esse desejo de Edith pela verdade era fruto de seu caráter muito bem formado, de sua conduta repleta de virtudes e integridade. Ainda que fosse declaradamente ateia, Edith possuía uma formação humana e uma educação virtuosa que fazia com que o seu reencontro com Deus fosse apenas uma questão de tempo.

Foi por causa desse anseio por conhecimento e dessa busca autêntica pelo que é verdadeiro que Edith se formou em filosofia, após anos de estudos na Universidade de Breslau. Tornou-se doutora em filosofia e foi convidada por Edmund Husserl, filósofo fenomenólogo de sua época, para ser sua assistente.

Conversão

Santa Edith Stein vivenciou uma espécie de conversão intelectual, em face de sua abertura à verdade, e a forma como isso aconteceu foi extremamente simples, por meio da leitura do livro autobiográfico de Santa Teresa d’Ávila, o “Livro da Vida”. Edith ficou tão fascinada com a escrita da autora e com o conteúdo, que passou a noite toda lendo e, ao terminar, diz ter encontrado a Verdade — “Quando fechei o livro, disse para mim mesma: é esta a verdade”.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” [1] — Santa Edith Stein encontrou a verdade, cujos livros não podem conter, e a verdade que o seu coração tanto ansiava era Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Clausura

Santa Edith Stein, vestida como carmelita.

Santa Edith Stein recebeu o sacramento do batismo na Igreja Católica em 1922, e nos anos seguintes procurou conhecer ao máximo a fé cristã, mais do que isso, esforçou-se para ter uma vida espiritual frutuosa através de um apostolado ativo. A família de Edith cortou os laços com ela durante um período considerável, em face da insatisfação quanto à escolha de se tornar católica.

E enfim, em 1933, aos 42 anos, Edith Stein avisou sua mãe sobre a decisão de entrar para a Congregação das Carmelitas Descalças. E assim sucedeu-se: o seu nome passou a ser Teresa Benedita da Cruz em homenagem à Santa Teresa d’Ávila que foi responsável pela sua conversão de vida. Desta forma, Edith renunciou ao mundo, realizando votos de amor a Jesus através da castidade, pobreza e profunda obediência. Por muitos anos escreveu bilhetes à mãe, que não correspondeu a maioria.

O campo de concentração e o martírio

A perseguição aos judeus na Alemanha nazista apenas se intensificava e, em meio a esse cenário, os superiores de Santa Edith Stein enviaram-na, juntamente com a irmã Rose, ao Carmelo de Echt, que ficava na Holanda.

Quando os nazistas começaram a ocupar a Holanda, a perseguição aos judeus os acompanhou, e começaram a exterminá-los também neste país, o que levou muitos bispos a se revoltarem com a situação e se pronunciarem por meio de uma Carta Pastoral. Tal pronunciamento fez com que a perseguição se intensificasse ainda mais, passando a atingir também os judeus que professavam a fé católica.

E foi assim que nossa Edith Stein começou o seu martírio, ao ser aprisionada no campo de concentração de Auschwitz. Mesmo depois disso, Edith continuou firme com o seu apostolado, empenhando-se em converter o seu povo, os judeus, à fé católica. Em 9 de Agosto de 1942, Edith Stein, aos 52 anos, foi morta na câmara de gás, morreu martirizada em nome do seu povo que tanto sofreu e em nome de Cristo, por quem ofereceu a sua própria vida pela salvação das almas.

São Maximiliano Kolbe e Santa Edith Stein, ambos martirizados em Auschwitz.
São Maximiliano Kolbe e Santa Edith Stein, ambos martirizados em Auschwitz. [Créditos da foto: CNS – Serviço de Notícias Católicas]

Veja também: Como foi o Martírio de São Maximiliano Kolbe.

O legado de Santa Edith Stein

A vida e conversão de Santa Edith Stein, também chamada Santa Teresa Benedita da Cruz, é a prova viva de que a fé é o fruto da inteligência humana, é também o destino certo de quem busca incansavelmente encontrar a verdade, que sabemos que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Santa Teresa Benedita da Cruz

No dia 11 de Outubro de 1998, o Papa São João Paulo II canonizou Edith Stein que passou a ser chamada pelo seu nome de vida religiosa — Santa Teresa Benedita da Cruz ou somente Santa Teresa da Cruz.

E, em 1 de Outubro de 1999, pelo mesmo Papa, Santa Teresa da Cruz foi proclamada como co-padroeira da Europa, ao lado de Santa Brígida da Suécia e de Santa Catarina de Sena, por seu serviço não somente à Santa Igreja de Cristo mas também a todo o povo europeu, através de sua contribuição filosófica.

Obra e pensamento

No ano de 1913, Edith Stein se aproxima da escola fenomenológica, e ao estudar com um filósofo chamado Edmund Husserl, diz ter encontrado na fenomenologia um método para desenvolver os seus estudos. O tema que escolheu para realizar a sua tese de doutorado foi a empatia, com o título de “O problema da empatia”, cuja nota foi máxima.

Santa Edith Stein escreveu ainda muitas obras ao longo de sua vida, desde escritos autobiográficos até mesmo escritos espirituais durante o período que esteve no carmelo. Sua contribuição filosófica foi grandiosa e extremamente frutuosa.

Você pode conferir mais sobre a relação entre fé e razão, tão cara a Santa Edith Stein, neste artigo.

 

Fonte: Minha Biblioteca Católica

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