XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DOS BISPOS COMEÇA A REFLETIR SOBRE A “PARTICIPAÇÃO, RESPONSABILIDADE A AUTORIDADE”

A XVI Assembleia Geral Ordinária dos Bispos que trata sobre o tema da “Sinodalidade” iniciou nesta quarta-feira, 18 de outubro, o Módulo B3, previsto no Instrumento de Trabalho, no qual refletirá sobre “Participação, responsabilidade e autoridade” na Igreja. Logo depois o relator geral do Sínodo, o cardeal Jean-Claude Hollerich, descreveu o trabalho do módulo anterior como belo, emocionante e exigente.

O arcebispo de Luxemburgo alertou para duas tarefas a serem realizadas após o término da atual sessão da Assembleia: devolver às Igrejas locais os frutos do trabalho, reunidos no Relatório Síntese, e reunir os elementos para concluir o discernimento no próximo ano, carregado de uma consciência mais clara do Povo de Deus sobre o que significa ser uma Igreja sinodal e os passos a serem dados para sê-lo.

Processos  para uma Igreja sinodal missionária

A pergunta inicial do quarto módulo leva a uma reflexão sobre os processos, as estruturas e as instituições necessárias para avançar rumo à uma Igreja sinodal missionária. Esse módulo tratará de questões de mudanças na vida do discipulado missionário e da corresponsabilidade. Tudo isso em uma Igreja que, nas palavras de Hollerich, “não é muito sinodal” e onde muitos “sentem que sua opinião não conta e que alguns ou apenas uma pessoa decide tudo”.

O relator geral do sínodo analisou as cinco planilhas do Módulo que serão trabalhadas pelos Círculos Menores: a renovação do serviço da autoridade, afirmando que “onde reina o clericalismo há uma Igreja que não se move, uma Igreja sem missão”, algo que também pode afetar os leigos; a prática do discernimento em comum, perguntando como introduzi-lo nos processos de tomada de decisão da Igreja, em diferentes níveis, buscando um consenso que supere a polarização; a criação de estruturas e instituições que favoreçam a participação e o crescimento; a promoção de estruturas continentais, Assembleias Eclesiais, redes entre Igrejas locais, garantindo a unidade com Roma; a relação dinâmica entre sinodalidade, colegialidade episcopal e primazia petrina.

Questões delicadas

Hollerich reconheceu que “essas são questões delicadas, que exigem um discernimento cuidadoso”, às quais serão dedicados os trabalhos deste Módulo e no ano que antecede a segunda sessão da Assembleia Sinodal. Questões delicadas “porque tocam a vida concreta da Igreja e o dinamismo do crescimento da tradição”, afirmando que “um discernimento errado poderia cortá-la ou congelá-la. Em ambos os casos, ele a mataria”.

De acordo com o relator geral do Sínodo,  é através da participação que podemos trazer a visão inspiradora para a terra e dar continuidade no tempo ao impulso da missão. Ele alertou que “a concretude também implica o risco de dispersão em detalhes, anedotas, casos particulares”. A partir daí, ele pediu para “fazer um esforço especial para manter o foco no objetivo que se está buscando”, algo que está incluído nas perguntas para discernimento de cada parte.

Convergências e divergências

Sobre o trabalho dos grupos de discernimento comunitário, o cardeal pediu “para expressar convergências, divergências, questões a serem exploradas e propostas concretas para avançar”, solicitando aos facilitadores, a quem agradeceu pelo trabalho, que “não tenham medo de nos pressionar, mesmo que de forma um pouco decisiva, quando precisarmos deles para nos ajudar a não perder o foco”.

Por fim, o cardeal desejou “um trabalho frutífero neste Módulo, que beneficiará toda a Igreja”. Ele enfatizou que “o discipulado missionário ou a corresponsabilidade não são apenas frases feitas, mas um chamado que só podemos realizar juntos, com o apoio de processos, estruturas e instituições concretas que realmente funcionem no espírito da sinodalidade”.

Fonte: CNBB

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