IA deve ser servidora do bem comum e não rival da humanidade, diz o papa

O papa Leão XIV disse hoje (21) que a inteligência artificial (IA) deve deixar de ser “uma rival da humanidade para se tornar uma servidora do bem comum”, em audiência hoje (21) com participantes do encontro da Rede Internacional de Legisladores Católicos, cujo tema é Dignidade Humana e Inteligência Artificial: Desafios, Oportunidades e Controle.
Na audiência, o papa disse que “o extraordinário progresso da inteligência artificial está abrindo horizontes que as gerações anteriores mal poderiam imaginar”.
“No entanto, cada avanço tecnológico também coloca a humanidade diante de uma questão moral: não só o que podemos fazer, mas o que devemos fazer?”, disse ele.
Segundo o papa, “hoje nossa família humana se encontra diante de uma escolha fundamental”. Falando sobre o que escreveu em sua encíclica Magnifica humanitas, ele disse que “podemos ser tentados a construir uma nova Torre de Babel, onde o poder, a eficiência e o controle obscurecem o rosto da pessoa humana; ou podemos construir uma civilização na qual a tecnologia sirva ao desenvolvimento integral de cada pessoa”.
“A questão decisiva continua a mesma: a tecnologia ajuda as pessoas a se tornarem mais fraternas e responsáveis para consigo mesmas e umas para com as outras?”, disse Leão XIV.
Em resposta a esse debate, o papa disse que “os princípios da Doutrina Social da Igreja — a dignidade inviolável de cada pessoa, o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade e a solidariedade — fornecem critérios seguros para o discernimento”.
Leão XIV disse que a vocação dos legisladores “os coloca no centro desse desafio”, porque “responsáveis por elaborar políticas para a gestão da tecnologia para o bem comum, sua tarefa não é impedir a inovação, mas guiá-la com sabedoria”.
“Uma boa legislação deve incentivar a criatividade científica e tecnológica, ao mesmo tempo que salvaguarda os direitos humanos e as liberdades”, disse o papa, dizendo que também deve “proteger os usuários da exploração, zelar pela privacidade pessoal, garantir a transparência no uso das tecnologias emergentes e assegurar que elas fortaleçam as instituições democráticas”.
É também importante garantir “que nenhuma ideologia ou interesse específico dite os valores incorporados nos sistemas de inteligência artificial”, disse ele.
O papa disse então que “o rápido desenvolvimento da inteligência artificial corre o risco de criar novas formas de dependência tecnológica, com as nações mais pobres cada vez mais dependentes das mais ricas”.
“Devemos permanecer vigilantes a esse respeito, para evitar que a inovação se torne mais um veículo de colonialismo ideológico ou econômico”, disse ele, falando sobre o risco de que algoritmos decidam “quem é visto e quem permanece invisível” e que as plataformas digitais influenciem “o debate público sem prestar contas”, e como que a dignidade dos trabalhadores seja “subordinada à otimização de sistemas”.
“Esses desenvolvimentos revelam uma nova face da antiga tentação do domínio e do poder sem serviço”, disse ele.
Em contraste com a “cultura do poder”, disse o papa, a Igreja propõe a “civilização do amor”, que “saiba guiar com sabedoria a inteligência artificial, formando corações capazes de caridade, compaixão e responsabilidade”.
“Numa sociedade assim, a primeira escola da humanidade seria a família. Pois é na família que aprendemos a confiar antes de calcular, a generosidade antes da competição, o diálogo antes da divisão e o amor antes do poder”, disse ele, e incentivou a todos a nunca permitirem que “a inteligência artificial corroa essa célula primária da sociedade”.
“Por essa razão, encorajo-vos a promover políticas que fortaleçam o matrimônio e as famílias, apoiem os pais na sua missão educativa e permitam que os jovens olhem para o futuro com confiança”, exortou Leão XIV.
O papa disse que o mundo precisa de “inteligência humana iluminada pela sabedoria, de uma autoridade política orientada pela consciência e de uma inovação tecnológica guiada pela caridade”. “Só assim a inteligência artificial deixará de ser rival da humanidade, para se tornar servidora do bem comum”, disse ele.77
Fonte: ACI Digital